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Cine Ceará: María Isabel Díaz Lago, atriz de filmes de Almodóvar e Soderbergh, embarca em ficção científica

O longa cubano "A Viagem Extraordinária de Celeste Garcia", dirigido por Arturo Infante, participa da Mostra Competitiva Ibero-Americana. Além do longa, outros quatro projetos foram apresentados na Mostra Competitiva Brasileira de Curta-Metragem

Publicado em 05/09/2019 | Por Heloisa Tolipan

A ficção científica cubana “A Viagem Extraordinária de Celeste Garcia” foi exibida no quinto dia do Cine Ceará (Foto: Divulgação)

*Com Iron Ferreira

Em mais um interessantíssimo dia do 29o Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema, o filme “A Viagem Extraordinária de Celeste Garcia”, do diretor cubano Arturo Infante, foi exibido na Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longa-Metragem. O filme, protagonizado pela atriz María Isabel Díaz Lago, reconhecida pelos seus trabalhos em “Volver”, de Pedro Almodóvar, de 2006, e “El argentino”, de Steven Soderbergh, de 2007, narra a trajetória de Celeste García, uma ex-professora que procura, aos 60 anos, uma mudança na sua vida. Quando um grupo de alienígenas aterrissa em Cuba, oferecendo aos terrestres a oportunidade de visitar seu planeta, Celeste se inscreve para a viagem na esperança de uma vida melhor e mais gratificante.

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María Isabel Díaz Lago e Arturo Infante (Foto: Rogério Resende)

“Quando eu era criança, assistia muitos clássicos de ficção científica dos anos 80, como ‘E.T.: O Extraterrestre’, dirigido por Steven Spielberg, lançado em 1982. Esse filme foi claramente inspirado nele. É o primeiro longa-metragem que eu assino, apesar de já ter dirigido alguns curtas, e estou bastante orgulhoso. Foi uma experiência muito satisfatória, apesar de ser um processo complexo, ainda mais nas partes que envolvem efeitos especiais”, afirmou Arturo.

Arturo Infante falou sobre a emoção e as dificuldades em rodas o seu primeiro filme (Foto: Rogério Resende)

O cineasta também comentou sobre o privilégio de ter trabalhado com María Isabel e a forma como ela engrandeceu o carisma da personagem: “María é uma atriz brilhante, sempre preparada para dar o seu melhor. Não imaginei que uma pessoa que já trabalhou com Almodóvar aceitaria um convite de um estreante como eu. Ela interpretou Celeste de uma forma muito bonita, tornando a protagonista carismática”.

A atriz, que chegou a contracenar com a espanhola Penélope Cruz, conversou com exclusividade ao site Heloisa Tolipan sobre o seu papel no longa: “Quando eu li o roteiro pela primeira vez, fiquei bastante emocionada com a história da protagonista e senti necessidade de interpretá-la. Mergulhei fundo e decidi encarar os seus sentimentos. Ela foi maltratada pelo marido e precisei criar uma mulher cansada fisicamente e que possuía uma dor profunda. É uma mulher que deseja provar novas experiências e que tem uma curiosidade latente. Aprendi demais com essa personagem”.

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A atriz revela que adorou a experiência de participar de uma ficção científica (Foto: Rogério Resende)

A artista ainda nos contou como foi a experiência de trabalhar pela primeira vez, após 34 anos de carreira, em um filme de ficção científica: “Nunca assisti e não acompanho muito as produções desse estilo. Porém, o roteiro e a história da Celeste Garcia me comoveram bastante. Por isso, eu decidi participar. Por outro lado, eu achei muito divertido e foi uma vivência muito boa. Eu estava ansiosa para saber como as cenas com efeitos especiais ficariam. Me surpreendi demais e ficou tudo muito lindo e bem feito”.

Pensa que acabou por aí? Que nada! O 29o Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema ainda exibiu, no Cineteatro São Luiz, outros quatro títulos na Mostra Competitiva Brasileira de Curta-Metragem. O primeiro deles foi “As Constituintes de 88”, de Gregory Baltz, realizado através de um edital da FGV RJ. A produção mostra as mulheres que precederam a participação feminina na política brasileira e a forma como elas conquistaram espaço e voz. “Quando eu comecei a desenvolver o projeto, a ideia era fazer com que ele parecesse ter sido feito em 1988. Busquei dar voz a essas mulheres e mostrar como as coisas mudaram nesses 30 anos”, frisou o diretor.

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“As Constituintes de 88”, de Gregory Baltz, aborda a participação feminina na política brasileira (Foto: Rogério Resende)

O segundo curta a ser apresentado foi a animação “Livro e meio”, de Giu Nishiyama e Pedro Nishi, que explora a trajetória de uma personagem em uma imersão lúdica em si mesma. “Esse projeto foi viabilizado através de um edital da Spcine e demorou oito meses para ficar pronto. Eu e o meu irmão que desenvolvemos a ideia, que parte da perspectiva de uma pessoa tentando se conectar com o seu eu interior”, disse Giu.

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Giu Nishiyama introduzindo o curta “Livro e meio” (Foto: Rogério Resende)

Primeiro Ato”, de Matheus Parizi, dialoga bastante com a atualidade e acompanha dois estudantes de teatro que tentam convencer seus colegas a saírem da sala de aula e se juntarem a eles nos protestos contra o desmantelamento das políticas culturais. “Espero que esse filme faça a gente olhar para os traumas de cabeça erguida e poder reverter a nossa atual situação. Esse curta funciona como um prólogo para um filme que está em desenvolvimento e que devo lançar em breve”, revelou o diretor.

O diretor de “Primeiro Ato”, Matheus Parizi, e a diretora de fotografia Flora Dias (Foto: Rogério Resende)

A última obra apresentada na mostra foi “Além da jornada”, de Victor Furtado e Gabriel Silveira. A produção acompanha o funcionário de uma agência de turismo, que se encontra na incumbência de prestar um novo e insólito serviço para o seu patrão. “Esse filme foi todo feito com recursos próprios. A inspiração partiu desse momento difícil que a cultura vive no Brasil, mas agradecemos a oportunidade de estarmos apresentando o nosso trabalho aqui no festival”, apontou Gabriel.

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Victor Furtado e todos os envolvidos na produção subiram ao palco para apresentar o filme (Foto: Rogério Resende)

A programação do quinto dia do Cine Ceará ainda contou com as exibições da Mostra Olhar do Ceará, que apresentou, no Cinema Dragão do Mar, os filmes “Revoada”, de Victor Costa Lopes, e “Se arrependimento matasse”, de Lília Moema Santana, e da Mostra Melhor Idade, que apresentou “O colar de Coralina”, de Reginaldo Gontijo.

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