O que acontece quando um nerd se apaixonada por uma estrela da pornochanchada? Bom, só assistindo Verão 90 para saber. Se tem uma relação que promete emocionar e nos fazer rir é a de Patrick e Lidiane. Interpretado por Klebber Toledo e Claudia Raia, o casal nasce da paixão de fã do rapaz por sua deusa cinematográfica. O amor platônico sai de jogo dando lugar a um relacionamento poderoso, mas alvo de grandes preconceitos. “Estamos trazendo uma relação forte entre um jovem e uma mulher madura. Ela é uma pessoa tão segura que não liga para os preconceitos dos outros por ficar com uma pessoa mais nova. Se não der certo será por outro motivo e não pelo fato dela ter tido medo do que a sociedade iria falar. Vamos chacoalhar!”, garantiu o ator Klebber Toledo. Em papo exclusivo para o site HT, o ator falou sobre feminismo, impeachment, filhos e desconstrução de estereótipos. Vem conferir!
Site Heloisa Tolipan: O romance do seu personagem com o de Claudia Raia promete balançar o público da trama e também fora dela. Qual a importância, na sua opinião, de mostrar uma mulher como a Lidiane que não se prende aos preconceitos para ser feliz?
Klebber Toledo: Eu me coloco como feminista. Defendo muito a causa. Acho um absurdo ler sobre tantos casos de feminicídios e assédios sexuais. Não consigo entender como um pode ser mais e o outro menos, seja mulher ou homem. Não entra na minha cabeça. O gênero não me interessa, o importante é a igualdade. Vemos músicas estimulando esta obsessão pela ‘novinha’, parece que só o homem tem este poder sobre a mulher. A novela está mostrando exatamente o contrário. Elas podem e devem falar o que pensam sem ter medo. Vai dar mesmo o que falar!
HT: Além desta relação polêmica, o seu personagem também quebra preconceitos. Apesar de ser branco e loiro, ele nasceu em uma família de etnia afro. Existe um debate neste sentido?
KT: Sim. O meu personagem foge de estereótipos. É um baiano branco, filho de uma mãe negra e de um pai holandês que sumiu quando meu personagem era pequeno. Estamos falando do preconceito de uma forma muito positiva. Ele cresceu se achando o cara fora da curva, por não ter esta cor linda e ser mais quadradão.
HT: Estamos falando de um engenheiro elétrico tímido e nerd que não conseguiu seguir a carreira e se tornou um eletricista. Em contraponto a este perfil mais retraído, ele integra um núcleo bem solar. Como foi a preparação para viver este personagem tão desafiador?
KT: Sou um pouco workaholic e adoro consumir as artes, por isso já tinha algumas referências da época. A equipe de preparação me aconselhou assistir um pouco a novela Rainha da Sucata, porque tem um personagem que lembra bastante o meu.
HT: Teve alguma dificuldade neste momento da criação do Patrick?
KT: A prosódia foi bem complicada. Não quis fazer algo muito característico. Tentei misturar um pouco.
HT: Você nasceu em 1986, então conseguiu aproveitar muito bem os anos 90. O que vem na sua cabeça ao pensar naquela década?
KT: Passa um filme na nossa cabeça ao fazer esta novela. Tivemos uma era musical muito rica, tanto nacional quanto internacionalmente. Eu era criança! Adorava a comida e os desenhos. Lembro com muita clareza das roupas e do cabelo estufado da minha mãe era muito divertido. Ter a oportunidade de recriar este ambiente na arte é sensacional.
HT: Apesar da trama não tocar muito em acontecimentos políticos, a novela menciona alguns fatos como o confisco da caderneta de poupança das pessoas. Consegue traçar um paralelo entre o início dos anos 90 e a nossa realidade?
KT: Estamos falando dos anos 90, mas está tudo igual. O meu personagem se forma na faculdade, mas não consegue emprego. Impeachments estão acontecendo. Problemas com a política e com a corrupção.
HT: Saindo um pouco da novela, você e a Camila Queiroz acabaram de completar cinco meses de casamento. Mudou muita coisa na relação desde então?
KT: Nós casamos perante Deus e sociedade, mas já morávamos juntos. O sentimento já existia e a rotina é a mesma. Desde então, estamos cultivando uma relação ainda mais madura, feliz e segura. Fico feliz de ter uma pessoa tão especial por perto. Ela é uma companheira que acredito de olhos fechados.
HT: Já tem planos para filhos?
KT: Vamos por etapas. Este ano ainda não, mas tenho vontade no futuro.
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