Teatro & Pensata

“Estamos em um momento bem complicado e de total incerteza por parte do governo”, afirma Guilherme Leme

Conversamos com o ator e diretor durante a décima terceira edição do Prêmio APTR de Teatro. Ao HT, ele falou sobre cultura, a importância das artes e seus projetos futuros

Publicado em 30/05/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Iron Ferreira

O ator e diretor Guilherme Leme esteve presente na décima terceira edição do prêmio APTR, organizado pela Associação dos Produtores de Teatro. O evento, que foi realizado no Rio de Janeiro, na última terça, 28 de maio, homenageou os principais destaques da temporada de 2018. Em entrevista exclusiva ao site HT, ele desabafou: “Estamos em um momento bem complicado e de total incerteza. Há tomadas de posições inseguras por parte do governo. Essas decisões serão revistas com o tempo. Eu acredito que em um primeiro momento veio uma avalanche de restrições para a cultura, mas algumas posturas estão sendo reavaliadas. Certas medidas do governo já foram determinadas, como no caso da Ancine. Estamos batalhando para manter o teatro vivo. Em muitos lados da cultura existem pontos que podem ser estudados para alcançarmos um caminho melhor e de maior produtividade”.

O ator e diretor Guilherme Leme Garcia na edição 2019 do prêmio APTR (Foto: Cristina Granato)

Indicado ao prêmio de direção pela peça “Romeu e Julieta”, que também concorria em outras cinco categorias, o artista comentou sobre a honraria: “Ser indicado ao prêmio, independente de ganhar ou não, já é muito bacana. É uma confirmação da qualidade do nosso trabalho e do nosso constante esforço. Acho que todos os participantes da noite devem sentir muito orgulho de seus trabalhos”. A peça foi premiada com os troféus de figurino, pelo trabalho do estilista João Pimenta, o de atriz em papel coadjuvante, pela atuação de Stella Maria Rodrigues, e o de cenografia, para Daniela Thomas.

O ator e diretor subiu ao palco para agradecer o troféu de figurino por “Romeu e Julieta” (Foto: Cristina Granato)

Guilherme aproveitou ainda para defender a classe artística e todos os tipos de conteúdos que ela produz: “Teatro, música, literatura, cinema e dança são todos de suma importância para a cultura brasileira. A arte, se não for o ponto mais alto, é um dos mais relevantes da cultura de um povo. Deve sempre ser valorizada e protegida”.

Atualmente, o artista está à frente do musical “Ao som de Raul Seixas: Merlin e Arthur, Um Sonho de Liberdade”. Ao ser perguntado sobre os planos para o futuro de sua carreira, ele respondeu: “Estou dirigindo dois shows, um da Ana Carolina e outro do cantor de ópera Jean William. Irei dirigir Vera Holtz e Marcos Caruso em um espetáculo em Portugal, uma nova montagem de ‘Intimidade Indecente’. Para o ano que vem, eu já tenho planejado a montagem da ópera ‘Tristão e Isolda’”.

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