Moda & Beleza

SENAI CETIQT e Akihito Hira investindo no futuro da Alfaiataria, sob os moldes da Indústria 4.0

Em proposta pioneira, a instituição e o designer estão fomentando a discussão sobre a Alfaiataria 4.0, seja através de webnarios ou aulas de pós-graduação. Além disso, ambos estão criando uma máquina de escaneamento corporal que promete facilitar os processos

Publicado em 27/07/2018 | Por Ana Clara Xavier

O site HT acompanha a trajetória de Akihito Hira pelo o universo da alfaiataria desde o início, quando o estilista fez o seu primeiro desfile no concurso de novos talentos do Capital Fashion Week de Brasília, em 2008. “Foi neste evento que iniciei a minha marca própria que carrega o meu nome”, relembrou o estilista. Este, na verdade, foi o grande start do profissional para chegar às passarelas de diversos cantos do Brasil e até da Colômbia. Inclusive, no ano passado, vimos de perto a sua coleção que chegou aos holofotes no DFB Festival, em Fortaleza. Na época, ele se inscreveu para participar de um concurso, no qual acabou ganhando na categoria Melhor Design e Excelência. “Enxerguei aquela competição como uma oportunidade para expandir a minha marca para o Nordeste. Foi uma coleção inspirada nos vaqueiros e de fato recebi algumas propostas de mercado e acabei recebendo a proposta para lecionar no SENAI CETIQT”, explicou. O fato é que, nos últimos seis meses, a vida desse talentoso profissional mudou completamente. Akihito decidiu mergulhar nas salas de aulas da instituição carioca com um propósito que vai além do acadêmico: se tornar, com a ajuda do CETIQT, um dos pioneiros na Alfaiataria 4.0.

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Não satisfeito com o processo clássico e antigo de produção, Akihito resolveu pensar diferente e levar o Brasil para um modo de confecção condizente aos valores da 4ª Revolução Industrial. A partir desta proposta, ele decidiu unir forças com a única instituição brasileira que já está no futuro, o SENAI CETIQT, na qual a Indústria 4.0 já é uma realidade. “O CETIQT é uma instituição que tem nome e tradição, não só no Rio de Janeiro mas em todo Brasil. É uma faculdade completamente voltada para o sucesso da indústria têxtil e, com toda sua história, continua sendo um local inovador. Além disso, é muito vanguardista na sua forma de pensar, administrar e gerir. Exatamente por isto que abri os meus olhos para esta faculdade e resolvi me aliar neste projeto de atualização da alfaiataria”, salientou. Em função disso, o profissional está mudando todo o ateliê de sua marca, Akihito Hira, para o Rio de Janeiro, onde mora atualmente, visando se dedicar ainda mais ao projeto.

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De acordo com o designer, já havia um interesse mútuo e uma paixão entre a instituição e o próprio antes de ele receber o convite para trabalhar na faculdade. Depois de passar por um processo seletivo, Akihito começou a lecionar em fevereiro em graduação de Fundamentos da Cor, Métodos e Processos em Design, Linguagem Visual e Projeto de Conclusão de Curso. O profissional também faz parte do corpo acadêmico de pós-graduação, ensinando sobre Estamparia, Produtos de Moda e Modelagem. “Podemos esperar um bom futuro dos alunos que vão se formar nesta faculdade, porque o SENAI CETIQT tem a visão de torná-los aptos para o mercado e que eles sejam desejados no meio. A mentalidade é que a indústria espere que os estudantes se formem para poder contratá-los. Aqui, a ideia é que os profissionais sejam capazes de colocar tudo em prática. além do conhecimento teórico. Sendo assim, sinto orgulho de lecionar em uma instituição como esta”, comemorou. Akihito já tem uma história no ramo acadêmico, afinal, já havia dado aulas em Brasília, anteriormente. Em paralelo às salas de aula, ele está à frente dos projetos da Faculdade sobre a Alfaiataria 4.0.

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Akihito Hira é professor do SENAI CETIQT e empresário de uma marca que carrega o seu próprio nome (Foto: Divulgação)

A ideia para alcançar esta 4ª Revolução seria bem simples se não envolvesse a automatização de tantos processos. Para solucionar as dúvidas e esclarecer todos os pontos do projeto, Akihito administrou esta semana um webnario, em parceria com a empresa de transmissões ao vivo AUDACES, sobre a Alfaiataria 4.0. Na palestra gratuita, ele explicou um pouco sobre a história desta forma de produção e salientou todas as soluções que estão sendo estudadas por ele e pelo SENAI CETIQT para levar o Brasil para o futuro. “A Alafaiataria 4.0 é um projeto apoiado na onda da nova revolução industrial, que é o conceito de automatização, chegada de novas tecnologias, internet, computação em nuvem e outros pontos importantes. O nosso desafio, agora, é pensar na alfaiataria e as novas técnicas que queremos empregar possuem estes princípios da Indústria 4.0. A proposta é atender o cliente de maneira personalizada e individualizada. Além disso, a forma convencional como é feita é extremamente demorada, tem muitas provas de roupas e pode demorar até quatro meses. A nossa ideia é entregar este produto personalizado em três dias”, garantiu. A palestra da web atraiu a atenção de estudantes e empresários.

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Akihito Hira durante a sua palestra ao vivo sobre o universo da Alfaiataria 4.0 (Foto: Divulgação)

O webnario AUDACES foi apenas o primeiro passo desta proposta. A segunda etapa começará logo mais, em outubro. O SENAI CETIQT vai oferecer uma pós-graduação em Gestão e Planejamento em Modelagem de Alfaiataria Industrial que deve abordar este lado atual da Indústria 4.0. “Este curso será diferente do MBI em Confecção que existe atualmente no CETIQT. Este de agora é mais voltado para gestão e planejamento, no qual os empresários e representantes de grandes companhias recebem um leque muito grande de informações. Esta pós é para quem quer se especializar, tem um foco maior”, salientou Ahikito. Além do conhecimento, será oferecido também um material especial para os alunos para suprir todas as necessidades. Mais adiante, a instituição terá mais novidades acadêmicas neste setor ao oferecer um curso completamente voltado para a Alfaiataria 4.0.

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Além dos trabalhos acadêmicos, o SENAI CETIQT e Akihito Hira estão produzindo uma máquina de escaneamento corporal. Este produto já é uma realidade na França e nos Estados Unidos e trata-se de uma máquina que define, exatamente, todas as medidas exatas do cliente sem necessidade de fita métrica. Este processo evita que o consumidor precise provar diversas vezes a roupa. “A ideia da 4.0 é é totalmente voltada para a questão do universo virtual e este mundo globalizado. O escaneamento corporal, por exemplo, pode ficar na nuvem e já gerar uma modelagem automaticamente no escritório”, explicou. O pedido, no caso, poderia até mesmo ser feito através de um aplicativo, contanto que a pessoa já tenha o seu corpo escaneado.

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Akihito acredita que a máquina de alfaiataria sob os moldes da Indústria 4.0 ficará pronta no início do ano que vem (Foto: Divulgação)

Para dar um plus ainda maior a esta proposta, a ideia é que esta máquina seja transportada para vários lugares através de um caminhão. Seguindo a linha dos food trucks, seria uma espécie de moda em quatro rodas o que facilita o trabalho da equipe, afinal, pode ir com total facilidade até o cliente. “A gente sabe que os consumidores masculinos, por exemplo, não têm muita paciência de ir ao shopping para fazer compras. Com esta unidade móvel, nós podemos levar a loja até ele. Sendo assim, vai adquirir o produto de maneira fácil, prática e divertida”, comentou. Este produto vai revolucionar toda a cadeia de produção. “É importante que as pessoas entendam que ainda haverá o contato humano. Não estamos falando que o futuro é igual à máquinas e robôs. Os indivíduos continuarão trabalhando e exercendo os seus cargos, mas, de repente, não serão as mesmas funções de antigamente”, salientou.

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A previsão é que todo este maquinário se torne uma realidade ainda no início do ano que vem, de acordo com Akihito. “Queremos tornar estas ideias uma realidade logo. Estamos na fase de prototipagem, na qual estamos testando vários equipamentos para entender se há alguma falha ou problema. A proposta é que até o início do ano que vem isto já seja um aparelho efetivo”, comemorou. Para ele, esta parceria com o SENAI CETIQT está sendo fundamental para o desenvolvimento rápido do projeto. “Esta instituição está totalmente conectada com a indústria. A conexão com as empresas é direta, o que facilita a discussão sobre a 4.0. Além de ter um quadro de funcionários extremamente habilidosos, esta característica integrada ajuda muito neste processo de capacitação de empresas. Isto está gerando uma troca de informações essenciais”, informou. Com todas estas etapas em fase de consolidação e execução, o projeto se torna pioneiro no Brasil neste caminho de automatizar a alfaiataria.

 

Confira tudo o que rolou no webnario:

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