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Ganhador do Troféu Oscarito, Edson Celulari fala sobre seu primeiro trabalho como diretor: “Do Atlântico ao Pacífico será intimista e emotivo”

O ator que vive Dom Sabino, de O Tempo Não Para, foi o grande homenageado nesta 46ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Em papo, ele falou sobre a honraria, as novidades do mercado e a cura da doença que enfrentou

Publicado em 23/08/2018 | Por Ana Clara Xavier

Cada ano, uma celebridade diferente tem a honra de entrar para uma seleta lista de homenageados do Festival de Cinema de Gramado. Nesta 46ª edição, o ator Edson Celulari foi o grande escolhido para receber o Troféu Oscarito, que premia desde 1991 atores e atrizes icônicos da cinematografia nacional. Além de comemorar esta honraria, ele relembrou grandes profissionais que marcaram a sua trajetória. “Acho que fiz grandes e belos trabalhos com o Djalma Limongi Batista, como foi o meu primeiro filme, Asa Branca. Walter Lima Jr. é outro cineasta importante que juntos fizemos uma obra histórica. O Ruy Guerra também foi um mestre. Paulo Nascimento é um dos meus parceiros, já fizemos dois longas, uma série e ainda temos projetos juntos como Do Atlântico ao Pacífico”, agradeceu. Durante a nossa conversa, ele falou sobre seus próximos projetos, analisou as novas mídias e ainda lembrou a fase difícil com sua saúde.

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Edson Celulari recebe o Troféu Oscarito (Foto: Edison Vara / Pressphoto)

Na TV, O ator vive Dom Sabino, de O Tempo Não Para, e, apesar da trama ainda estar no início, os projetos são muitos para o ano que vem. Edson Celulari está ansioso mesmo para o início das filmagens de seu primeiro longa-metragem. Pela primeira vez, ele vai dirigir um filme que terá o título Do Atlântico ao Pacífico. “É uma história simples de um pai e uma filha que viveram distantes. Depois de algum tempo, ele resolve retomar a relação com esta adolescente e por isso propõe uma viagem do Atlântico ao Pacífico, passando pelo Uruguai, Argentina e Chile. A tentativa dele é deixar algum legado para a filha. Este será um filme intimista e emotivo”, explicou. No entanto, ainda teremos que esperar um pouquinho para ver esta produção finalizada. “Estou naquela fase de leitura do roteiro e ainda estou terminando algumas mudanças de narrativa”, contou. Em seu currículo, o artista já tem a direção do curta Cinzas.

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Edson Celulari é homenageado com sambista no palco (Foto: Cleiton Thiele / Pressphoto)

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Celulari sempre se mostrou muito atento às novidades do mercado e aberto para todas as possibilidades. Exatamente por isso, podemos considerá-lo um ator completo: sempre foi do teatro às telonas e telinhas. E, para o artista, o momento atual das novas mídias é mais um campo de trabalho a ser desbravado. “A bola da vez está com grandes empresas, como Apple, Disney, Amazon e NetFlix. O difícil é saber como diretor, ator e consumidor o que fica para a gente. Eles pagam com mão de obra barata? Como funciona este mercado tão lucrativo, que direito nós temos e para onde vão vender aquilo que produzimos. É uma rede enorme. Por um lado é muito bom porque é mais uma opção de mercado e nós vemos que tem gente sendo empregada. Vejo com bons olhos esta nova vertente. Só espero que tenhamos uma qualidade artística muito grande nestes produtos e que haja uma remuneração adequada. Temos que ver como vai terminar esta história”, ponderou.

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O ator se emocionou durante a cerimônia de entrega do troféu(Foto: Cleiton Thiele / Pressphoto)

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Desde que ficou doente, Edson Celulari afirmou ter aprendido a ser mais seletivo com os seus projetos e dedicado àqueles que realmente valem a pena. “Passar pelo susto de uma doença grave nos dá a oportunidade de repensar muitas coisas. Primeiramente, tive a chance de superar, porque muita gente não consegue. Não é algo simples. É a finitude que precisamos encarar. Tive a sorte de ter o protocolo pronto e rápido de medicação. Foi tudo certo. Com isso, a gente começa a refletir sobre o tempo e por mais que a gente não perceba todos teremos um ponto final. Neste período, tive a chance de refletir sobre as coisas e colocar prioridades, sejam profissionais ou de vida. Acho que aproveitei este tempo para isso. Saí mais forte com certeza”, comemorou. Em junho de 2016, o ator descobriu que estava com linfoma não-Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático do indivíduo. Depois de seis meses de quimioterapia e radioterapia, ele se livrou completamente da enfermidade.

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Ator considerou uma honra receber este reconhecimento de Gramado (Foto: Cleiton Thiele / Pressphoto)

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Edson Celulari é um vencedor, em todos os sentidos. Exatamente por irradiar tanta luz e sabedoria que acabou ganhando o Troféu Oscarito deste ano. Durante a cerimônia de premiação, inclusive, os apresentadores do evento relembraram a trajetória do artista que foi agraciado com imagens de sua carreira e ainda com uma mensagem especial de Soledad Villamil. “Você sabe que eu não te admiro somente por ser um excelente ator, mas também pelo grande ser humano que és”, garantiu a atriz em vídeo. Emocionado, ele agradeceu no palco a oportunidade. “Este prêmio não é só para mim. Ele valoriza a classe como um todo. Acredito que este reconhecimento de hoje me levará para mais 40 anos de sucesso e buscando parceiros, sejam eles nacionais ou internacionais. Estou muito feliz e honrado. Estou pronto para o futuro e, dessa vez, não só como ator, mas também como diretor. Aguardem!”, salientou o artista. No ano passado, a ganhadora foi a diva Dira Paes.

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