Superada a depressão, Giulia Gam comemora 40 anos de carreira atuando em minissérie na Globo, no streaming e teatro


Na semana em que volta ao ar, na Globo, sendo uma das personagens principais da minissérie “Histórias Quase Verdadeiras”, a atriz, que está no longa-metragem hospedado na HBO, “Distrito 666”, rodado durante a pandemia, fala sobre o sucesso de “Que Rei Sou Eu?”, novela que esteve entre as mais streamadas do Globoplay, do sucesso de “Mulheres Apaixonadas” de exibição recente no Canal Viva. Intérprete de personagens fortes, a atriz muniu-se da fortaleza que emprestou a elas para vencer uma forte depressão e fala abertamente sobre o que a faz feliz hoje: o talento de Theo, seu filho; a profissão de atriz e a urgência de viver: “Este é um momento em que me lanço ao mundo, sentindo as coisas de novo com um prazer enorme”

Superada a depressão, Giulia Gam fala com exclusividade sobre seus 40 anos de carreira, novos projetos... e coragem! (Foto: Renato Rocha Miranda/TV Globo)

*por Vítor Antunes

Quando estreou na carreira, em 1984, ainda que a houvesse iniciado dois anos antes, Giulia Gam foi apresentada como “italiana, 17 anos, terceiro colegial, primeira peça”. Hoje poderíamos apresentá-la como “Giulia Gam: 40 anos de carreira, mãe do Theo, mais de 20 trabalhos em TV e teatro”. Após alguns anos de ausência da televisão, especialmente depois de uma ruidosa participação em sua última novela, “Boogie Oogie”, Giulia Gam fala sobre vida, projetos e carreira. Tal como Paulo Freire (1921-1997) dizia em sua obra, a atriz está decidida, em 2023, a esperançar: almeja voltar aos palcos e ao streaming. E mostra empatia com o próximo ao falar sobre a depressão que enfrentou, pois este é um tema sobre o qual ainda está elaborando: “É que bacana falar, pois as pessoas estão mais abertas e tratando sobre isso. Há muita gente que passa pela mesma questão e se reconhece. Não se falava sobre saúde mental antigamente. Esta é uma questão que ainda está em pauta (…) Posso dizer que embora tenha tratado de uma depressão muito forte, estou me preparando como uma atleta para retornar ao topo”.

Entre tantas novidades, uma pode ser vista já nesta primeira semana do ano. Trata-se de “Histórias Quase Verdadeiras”, minissérie de José Eduardo Belmonte, que inicialmente era um filme chamado “O Auto da Boa mentira”, e ganhou um novo formato para ser exibido na TV Globo. O episódio no qual Giulia participa é o de quinta-feira, intitulado “Verdades no ar”. Neste, três amigas – Jô (Giulia Gam) Ana Cristina (Zezé Polessa) e Maria Elizabeth (Cristina Mutarelli), viajam para Bariloche e descobrem, durante o voo, que construíram uma relação pautada em mentiras.

Giulia Gam: atriz começa 2023 decidida em esperançar (Foto: Adriana Monteiro)

RAÇA DE HERÓIS

Um dos temas dos rebeldes de Avilan, reino fictício no qual se passava a trama de “Que Rei Sou Eu?” era uma música de Guilherme Arantes que dizia: “Os metais anunciam um cavalgar de coragem. Todo temor silencia. (…) Resiste em nós uma certeza de aço que sela os portões desse reino: Não há dor nem cansaço. Todo sofrer é pequeno (…)”. Uma das rebeldes era Aline, personagem de Giulia Gam. Nenhuma outra música poderia ser mais adequada para abrir esta reportagem, senão esta. A atriz está voltando à ativa, em sua melhor forma, e com a mesma coragem que emprestou à Aline, à Linda Inês, à Heloísa, à Julieta: “Este é um momento em que me lanço ao mundo, sentindo as coisas de novo com um prazer enorme. Fazendo minhas aulas de pilates, entrando em contato comigo e estou certa de que isso vai ser positivo. Tenho recebido muito carinho das pessoas, o que também é incrível. O público me reconhecem através das personagens da TV, o que me encanta. Trata-se de uma carreira construída com carinho”.

A atriz entra em 2023 com projetos encaminhados: “Estou namorando projetos. Um deles é para o streaming. Tenho me preparado para voltar a atuar. Estou tendo uma rotina legal de academia, de exercícios, participando de muitas leituras e cursos online, tentando também, conhecer melhor os atores cariocas de teatro, já que eu acabava contracenando mais com o pessoal da TV. Fiz muito pouco teatro produzido aqui no Rio”.

Giulia Gam ao centro, ladeada por Cristina Mutarelli e Zezé Polessa em “Histórias Quase Verdadeiras” (Foto: Divulgação)

A atriz está no longa-metragem hospedado na HBO, “Distrito 666”, rodado durante a pandemia, “na época em que todos estávamos como astronautas”, diz. Antes de o mundo parar por conta da Covid, ela encenou “Os Sete afluentes do Rio Ota”, épico teatral dirigido por Monique Gardenberg.

Depois dessa pausa maior para olhar para si e da outra interposta pela pandemia, Giulia diz sentir falta “do teatro, no sentido da coisa física. Ir ao teatro foi uma emoção muito grande. Ele é presencial, não tem jeito. Sinto falta. Não sei como está sendo fazer TV agora, mas havia um retorno imediato do público e fiz grandes papéis que marcaram e fizeram sucesso. Sinto saudade, ainda que entrar no palco ou estar lá gravando seja algo que assuste”. Para exemplificar essa fase de retornos pós-depressão, Giulia compara-o a um filme de Win Wenders: “O medo do goleiro diante do pênalti”.

Posso dizer que, embora tenha tratado de uma depressão muito forte, estou me preparando como uma atleta para retornar ao topo – Giulia Gam  

E comenta: “O que tenho para falar sobre este momento é de que o que estou muito feliz. Feliz com Theo [Bial, músico e filho da atriz], porque ele tem talento. O trabalho dele vem sendo bem recebido e tudo o que a gente quer é ver o filho feliz. Tenho feito leituras de peças teatrais às sextas-feiras, que vão virar um novo trabalho. Faço-as com pessoas incríveis, amigos daqui do Rio e de São Paulo. E estou com um professor de informática, por que eu sou uma pessoa totalmente analógica. Sou de outro milênio”, diverte-se, com sua famosa, e sonora, gargalhada.

A sua participação em “Boogie Oogie”, ruidosa naqueles idos, também foi contemporizada pela atriz. “Quando fiz esta novela, havia atuado outras três: “Ti-ti-ti”, e “Sangue Bom”, além daquela que estava no ar. Ricardo Waddington me convidou a fazer a trama num momento em que eu estava muito cansada. A personagem tinha muito texto, de modo que eu precisava de ajuda para decorar, já que gravava muito. Tanto que acabei por ter rosácea. Talvez isso tenha somatizado, contribuído para este breakdown”, alega.

Carlota em “Boogie Oogie”. Exaustão por trabalho (Foto: Cynthia Salles/TV Globo)

 QUARENTA

Giulia Gam entrou para o teatro em 1982, ensaiou por dois anos e estreou em 1984 a peça que a revelou para o Brasil: “Romeu & Julieta”, dirigida por Antunes Filho (1929-2019). “Decidi ser atriz quando tinha cerca de 15 anos. Daí procurei cursos de teatro que eu pudesse fazer e não havia muitos em São Paulo naquela época. Marcelo Tas me falou que o Antunes estava fazendo testes para escolher a Julieta da montagem da peça de Shakespeare (1564-1616). Eu não sabia, mas havia uma expectativa quase que de Scarlet O’Hara [personagem de “…E o Vento Levou”] sobre quem iria fazer a personagem. Fiz o teste, passei, e o diretor tinha na cabeça o filme do Zefirelli (1923-2019), ele queria alguém que passasse essa inocência. Vejo hoje que, para ele era difícil selecionar uma atriz, pois alguém mais velho não transmitiria a pureza que ele queria e se fosse alguém mais novo talvez não se encaixasse, não fosse suficientemente forte para viver aquela personagem. Ela está nessa fissura temporal na qual me encaixei. Antunes aproveitou essa pureza. Quando a peça estreou, eu lembro de haver sentido uma emoção tamanha (…). Acho que eu virei essa Julieta e creio que transmiti isso. Eu vejo e lembro dessa pureza”.

Giulia Gam na estreia de “Romeu e Julieta” , em 1984 (Foto: Reprodução)

Haver sido emancipada, aos 15, para fazer as transgressoras peças de Antunes. Ter sido protagonista do clássico de Shakespeare, em plenos 80’s. Nada disso gerou incômodos familiares. Pelo contrário. “Era algo natural em casa se falar de arte, de algo que cresci tendo acesso, então foi espontâneo. (…) Tive apoio dos meus pais e eles sempre conheceram a minha vontade mesmo. Eu não tinha idade para fazer “Macunaíma”, por isso foi preciso ser emancipada. Recebi todo o apoio”. Nesta época, o repertório do grupo de Antunes Filho era composto, além de “Romeu e Julieta”, por “Macunaíma” e “Nelson 2 Rodrigues”.

Elenco de Romeu e Julieta. Em destaque, Marco Antônio Pâmio e Giulia Gam (Foto: Biblioteca Nacional/Revista Manchete)

TÃO PERTO DAS LENDAS, TÃO LONGE DO FIM

O primeiro susto diante do sucesso não deu-se com a montagem teatral, mas com sua estreia na TV, vivendo a primeira fase de “Mandala”, na personagem que depois do 16º capítulo foi assumida por Vera Fischer. Gam ainda não conhecia o poder da televisão. “Eu havia gravado a novela e, por ser de São Paulo, ficava hospedada num hotel no bairro do Leme (Rio). Depois de exibido o primeiro capítulo da trama, quando eu desci no saguão do hotel todo mundo parou e começou a me olhar. Quando eu entrei no ônibus fui reconhecida pelas pessoas, por conta da personagem e aí sim, me assustei. Tive de pegar um táxi, porque me flagrei diante do retorno do público. O público vinha falar comigo, foi algo muito forte”. A estreia marcante da atriz valeu a ela o Troféu Imprensa de 1987 como “revelação do ano”.

Giulia Gam e Celia Helena na primeira fase de “Mandala” (Foto: Bazilio Calazans/TV Globo)

Aclamada na TV, mas diante de um clima beligerante no teatro. Naquela época havia uma grande dicotomia entre estar no palco e estar na televisão. O diretor que a tutelava, Antunes Filho, foi enfático: “Você quer ser atriz ou quer trabalhar na Globo? Por que se você quiser trabalhar na Globo, saia já daqui. Agora, se quiser ser atriz, desenvolver a arte, permaneça”. Diante desse enquadramento, a jovem aceitou fazer apenas “os 15 capítulos de “Mandala” isso depois de vários convites. A “minha” Jocasta falava sobre a ditadura, tanto que eu panfletava e era filha de um comunista. Caí num elenco composto pelo Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), que era meu pai, a Célia Helena (1936-1997), que era minha mãe, além do Marcos Palmeira, meu irmão na trama. A minha participação era algo como a uma minissérie, tanto que eu não tive contato com o pessoal da segunda fase, mas uma vez no ar a coisa explodiu”.

MULHERES (IM)POSSÍVEIS

Depois de haver feito “Mandala” e ainda vinculada a Antunes Filho, Giulia Gam foi convidada a viver a Luísa de “O Primo Basílio”, clássico de Eça de Queiroz (1845-1900) adaptado por Gilberto Braga (1945-2021): “Era um texto difícil, muito pautado em cima da rivalidade entre minha personagem e a Juliana de Marília Pêra (1943-2015), atriz que eu respeitava muito e que foi a primeira pessoa a quem eu pedi um autografo. No ensaio, o Daniel Filho pediu que eu a chamasse de forma mais impositiva, pois que na série ela era minha empregada e eu perdi a voz completamente. Fui ajudada por Marília que viu em mim alguém que iria respeitá-la neste trabalho e não uma pessoa ‘curiosa na profissão. Demo-nos muito bem. Tanto que numa cena ela disse: ‘Olha, hoje, em cena, eu vou ser muito cruel com você. Vou te dar um abraço e vai ficar tudo bem’.

Além da saudosa memória da atriz falecida, Giulia também destaca a amizade de Pedro Paulo Rangel (1948-2022). “Ele era um querido, uma doçura. Seu personagem era muito simpático à minha assim como ele me queria muito bem. Era um ator doce, carinhoso, da época de um teatro raiz, onde as pessoas se formavam no palco e depois iam para a TV”. Ainda que tenham feito mais uma novela juntos, “Amor Eterno Amor”, de 2013, eles não contracenaram nesta pois eram de núcleos diferentes.

Após a bem sucedida participação na minissérie, a atriz esteve em “Que Rei Sou Eu”, de Cassiano Gabus Mendes (1929-1993). Talvez um dos mais notáveis sucessos do novelista. E Giulia faz uma inconfidência: “É uma novela que, inicialmente, eu não queria fazer. Eu achei que estaria rompendo o pacto que fiz com o Antunes. Daniel Filho e Mario Prata me convenceram e eu topei. Sem dúvida, seria uma loucura não havê-la feito”.

Giulia Gam, a Aline de “Que Rei Sou Eu”. A vasta cabeleira da personagem era uma peruca (Foto: Nelson di Rago/TV Globo)

Uma das facilidades que atriz teve neste papel é surpreendente: a esgrima. Ela saiu na frente em relação aos colegas, pois era quase uma profissional no esporte. “O meu mestre de esgrima ficou muito decepcionado por eu não haver seguido na carreira, inclusive”. Além desta característica, outra veio à tona mais de 30 anos depois de exibida a novela: O cabelo de sua personagem, Aline, era uma peruca, que estava desprezada no fundo de um baú. “Coloquei-a na cabeça e falei que Aline teria aquele cabelo. A cabeleireira pensou em escová-lo, inclusive, e eu neguei. Achei que ela deveria ter cabelos rebeldes, despenteados, selvagens”. Aline e a novela foram um grande sucesso daquele ano, o que desembocou numa leva de crianças daquela geração nascidas com o nome das personagens da trama. Além aquele vivido pela atriz, que viu várias meninas serem batizadas, também com o seu nome, à italiana, houve muita gente daquela geração que chamou-se “Juliette” por conta da personagem de Cláudia Abreu – como a campeã do BBB 2020 – ou Lucien por conta daquele personagem vivido por Edson Celulari. Este último, inclusive faria pares românticos com Giulia recorrentemente. Além de “Que Rei Sou Eu?”, tornariam a estar juntos em “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, e em “Fedra”, no teatro.

Giulia Gam e Edson Celulari em “Que Rei Sou Eu?”. Aline e Jean-Pierre/Lucien eram os revolucionários da trama (Foto: Nelson di Rago/TV Globo)

Em “Fera Ferida”, ambos repetiriam o bem sucedido casal da ficção. Mais uma vez, a personagem era uma mulher forte, decidida que – literalmente – matava onças. Linda Inês, em princípio, não seria essa moça disrutptiva, mas uma princesa virginal de cabelos loiros e cacheados. “Sugeri ao Aguinaldo que, diante do fato de Linda Inês ser uma mulher jovem e que andava a cavalo, ela não poderia ser loura e de cabelos cacheados e usando vestidos compridos. Como minha família é de fazendeiros, opinei sobre o que ele achava de fazê-la com mais atitude com calça, bota e cabelos curtos. Ele adorou, mas num dos capítulos adiante ela passou a ter tanta atitude que foi capaz de matar uma onça”.  A personagem fez grande sucesso, inclusive pelo corte de cabelo curtíssimo.

Eu, pessoalmente, sou menos corajosa e ousada, mas em minhas personagens sempre gostei de imprimir uma força maior e elas acabaram por imprimi-la em mim – Giulia Gam          

As mulheres vividas por Giulia Gam são embativas, fortes. “Vendo-as agora todos me dão esse feedback da intensidade, da dramaticidade e eu não sei mais se é uma coisa minha ou se eu levei para as personagens. Eu não sei o que há de mim nelas e o que há delas em mim”. Das tantas novelas nas quais a atriz trabalhou, apenas 5 das que fez inteiras, eram contemporâneas. “Eu tinha uma coisa na cabeça que era a de fazer personagens de época. Elas tinham figurino e isso me ajudava a compô-las. Eu não acreditava ser capaz de fazer uma novela naturalista, com uma camiseta e calça jeans, como nas novelas do Manoel Carlos. Depois, quando fiz, preocupei-me de saber se não estava exagerando e funcionou”. De fato, “Fera Ferida” ainda que não fosse de época, não tinha uma cronologia definida, estrita. Em “Mulheres Apaixonadas”, não só estavam presentes a intensidade de Heloísa, os jeans e camiseta, mas uma conversa picante entre três irmãs falando de sexo e sonhos eróticos já na primeira cena do primeiro capítulo. Um dos grandes sucessos da carreira da atriz foi, justamente, uma mulher louca de amor, numa novela contemporânea, escrita por Manoel Carlos. Heloísa era patologicamente apaixonada por seu marido, Sérgio, o que trouxe à tona o debate sobre o coletivo Mulheres que Amam Demais Anônimas. Isso estimulou muitas mulheres a procurarem ajuda.

Teve muita coisa que eu fiz enquanto atriz sem ter noção da dimensão de onde aquilo atingiu. Eu me focava tanto na personagem e virava tanto ela que eu não sabia até onde repercutia. Por ser muito tímida, acabava indo me esconder na Europa para viver como uma jovem desconhecida. Não tratava-se de alguma arrogância em sumir, mas de querer andar de metrô, de navio, voltar a mim e não ser dragada (pelo sucesso). Era como uma defesa – Giulia Gam

Em “Mulheres Apaixonadas”, a compulsiva Heloisa (Foto: Gianne Carvalho/TV Globo)

Giulia Gam fez Lady Macbeth, “que foi uma das coisas mais incríveis”, viveu a Julieta do Shakespeare/Antunes Filho, a Desdêmona de Otelo, a Jocasta moderna, a baiana Dona Flor da montagem de TV.  Poderia ter tido outras carreiras como médica ou esgrimista, mas optou pela arte. E neste segmento poderia também ter tocado flauta transversa. A primeira fala de Heloísa, sua personagem em “Mulheres Apaixonadas”, é: “Tem que batalhar é muito, não é pouco não”. À nós, a atriz falou que está preparando-se como uma atleta para voltar à vida em triunfo. Tal como a raça de heróis do povo de Avillan, viver não é prova de velocidade, mas de resistência. É batalha mesmo. E para um ator/atleta que persiste na maratona de viver, a medalha é aplauso, que só admite ser substituído por uma interjeição: “Bravo!”. Para Giulia, que solta o grito que há no grito, não seria demais flexioná-la no feminino: Brava!