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No Rio, Russell Crowe lança “Noé” e reclama do trânsito, tarefa impossível até para um enviado de Deus!

Após deixar a imprensa esperando enquanto dava um rolé de bicicleta, o astro hollywoodiano fala sobre seu papel no épico bíblico!

Publicado em 21/03/2014 | Por Alexandre Schnabl

*Por João Ker

A coletiva de imprensa do filme Noé” (Noah, Paramount, 2014) foi realizada nesta tarde de sexta-feira (21/03) no Hotel Fasano, no Rio, com a presença do astro Russell Crowe. O épico bíblico, sucessor de Cisne Negro” (Black Swan, Vox Searchlight Pictures, 2010) na filmografia do diretor Darren Aronofsky, estreia no próximo dia 3 e, para divulgar o filme, o ator principal, que interpreta o próprio Noé, veio especialmente ao Rio de Janeiro.

Antes da entrevista, houve certo mal estar no hotel-boutique. Após fazer a imprensa esperar por quase duas horas (e, depois dela, deixou de molho os fotógrafos credenciados pelas fotos de divulgação por quase o mesmo tempo), Crowe se mostrou disposto a conversar sobre futebol, trânsito, direitos dos animais, religião e, principalmente, sobre o filme. Mas, conhecido pelo mau humor e as gracinhas que costuma disparar fora de hora, já adentrou o salão disparando: “Vocês me esperavam aqui enquanto eu ando de bike por esta cidade incrível”, despertando sorrisos amarelos com a mesma facilidade que Noé enfurece os condenados a serem tragados pelo dilúvio.

O galã está acostumando a participar de filmes épicos, assumindo papeis emblemáticos como o general romano Maximus (Gladiador, Gladiator, Dreamworks, e Universal Studios, 2000) – pelo qual ganhou o Oscar -, Robin Hood (idem, Universal Pictures, 2010), o pai do Superman Jor-El (Homem de Aço, Man of Steel, Warner Bros, 2013)  e o capitão Jack Aubrey (Mestre dos Mares, Master and Commander: The Far Side of the World, 20th Century Fox, 2003). E já viveu o obcecado inspetor Javert em Os Miseráveis” (Les Miserables, Universal Studios, 2012). Mas agora, em “Noé”, é preciso lidar com uma realidade diferente: além de epopeica, a história também tem cunho religioso e, pela sua magia, trata-se de um das maiores narrativas da mitologia judaico-cristã, misto de enredo bíblico com história-catástrofe. Daí o seu apelo e, obviamente, sua capacidade de atrair multidões às salas de exibição.

Mas, questionado sobre se havia alguma diferença entre interpretar heróis épicos e um personagem de cunho religioso, alega não haver nenhuma diferença: “Todos esses personagens, incluindo Noé, implicam em uma mesmo tipo de dedicação do ator e, por isso, não há diferença, mesmo quando se lida com um mito deste porte na narrativa cristã. E as dimensões da história, por si só, também impregna Noé de um caráter espetacular típico de personagens como Robin Hood ou Maximus.”

 

No início dessa semana, o ator e o diretor tiveram um encontro breve e privado com o Papa Francisco, que os cumprimentou, mas se recusou a participar de uma sessão exclusiva do filme. O motivo, dizem, é que ele não queria mostrar apoio à produção por causa dos muçulmanos, que ficaram chateados com o modo como foram retratados na película, já que os povos que são dizimados pelos dilúvio – sumérios – são a base daqueles que se tornariam árabes milênios depois. Ao ser perguntado se havia se preocupado com a crítica da comunidade religiosa quando aceitou o papel, Crowe foi direto: “Os produtores já esperavam que uma parte da religião muçulmana não aceitasse o filme, então não foi nenhuma surpresa. Claro, desde o início houve muita controvérsia em volta de tudo. Mas as pessoas têm um entendimento muito limitado da história de Noé. Normalmente, o que elas sabem é o que vêem em livros infantis. Particularmente, o filme não é uma história religiosa, é uma história humana. Noé é um homem que recebeu a tarefa de Deus não porque fosse bom, mas porque conseguiria realizá-la. Nós tentamos simplificar o tema para uma escala humana: um homem simples, a quem é dada uma tarefa e ele tenta realiza-la da melhor maneira possível”.

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Fotos de Vinícius Pereira

E o ritmo de preparação para o ator foi intenso, assim como a rotina de gravações. Ele ficou embaixo de chuva por 36 dias seguidos. “Eu passei alguns meses pesquisando sobre as evidências geográficas e arqueológicas do tema, li as diferentes versões da história e, sei lá, há muita evidência. Eu acredito sim que houve um dilúvio. Esse foi um trabalho significativo, mas eu encaro todos os meus trabalhos dessa maneira”, afirma o astro. Com certeza, o projeto também foi significativo para o Darren Aronofsky. Além de ser o primeiro grande orçamento com o qual o diretor pôde trabalhar, a história de Noé é algo que vem fascinando o cineasta desde os 13 anos de idade, quando ele escreveu um poema sobre o tema e começou a ter ideias sobre o filme.

Mas, largando o aspecto religioso de lado, o ator neozelandês comentou sobre seu amor pelos animais: “Eu tenho uma conexão muito espiritual com eles. Há umas cenas minhas com um cavalo e dá para você ver que nós estamos conectados. Eu acho que, se nós começarmos a observar como tratamos os animais, poderemos nos encarar de maneira diferente”. Infelizmente, a arca do filme teve mais efeitos especiais do que bichos de verdade. “Cara, isso foi muito desapontador!”, ri Russell. “Eu perguntei ao Darren e ele disse ‘então, nós teremos alguns pássaros’.”

Sobre o Rio, Russell Crowe disse que ama o clima, especialmente depois de só ter passado por países onde estava nevando. Ele, como todos os cariocas, também reclama muito do trânsito e diz que os olhares do mundo estão voltados para nós, graças à Copa e à Olimpíada: “Eu dei uma volta de bicicleta mais cedo pela cidade e tudo estava bastante caótico. Um conselho: evitem ir aos pontos turísticos da cidade na época da Copa.” Anotado, Sr. Crowe.

“Noé” estreia nos cinema brasileira no dia 03 de abril, em 2D e 3D.

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