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A primeira noite do 45° Festival de Cinema de Gramado foi marcada por homenagem com música e filme ao maestro e pianista João Carlos Martins

O longa que abriu o evento conta a história do músico, no entanto, não está participando da competição do festival

Publicado em 19/08/2017 | Por Ana Clara Xavier

Apertem os cintos porque a partir de agora o site HT irá te levar em uma viagem até uma cidade que parece ter sido tirada de um livro de contos de fadas, cheia de casas rústicas e ruas floridas contrastando com o frio de 10 graus. Gramado, no Rio Grande do Sul, é o endereço do chocolate brasileiro e um dos destinos mais românticos para se viajar a dois. No entanto, nesta sexta-feira, os visitantes locais puderam prestigiar um evento que tem data marcada todos os anos desde 1973. O 45° Festival de Cinema de Gramado começou oficialmente celebrando anos de história que fazem deste um dos mais importantes eventos culturais da América Latina.

O grande destaque desta noite foi ninguém mais que a lenda da música clássica, o maestro e pianista João Carlos Martins. “As homenagens que estão fazendo para mim vão me dar um grande problema, porque o velho maestro está ficando bestinha. É uma emoção muito grande”, brincou João. A Orquestra Sinfônica de Gramado, como sempre, tocou na abertura que pode ser vista por todos os moradores que estivessem próximos ao tapete vermelho. A novidade, desta vez, foi a presença ilustre do próprio João Carlos que deixou todo o público emocionado ao reger os músicos locais. Além disso, pode-se conferir de pertinho as expressões do mestre tocando piano. “Esta orquestra é um orgulho para o Rio Grande do Sul e para o Brasil. Eu não sabia que existia música de qualidade tão boa como vi aqui”, opinou o músico sobre o grupo da região.

Elenco dos dois filmes reunidos ao lado do ilustre João Carlos (Foto: AgNews)

Logo depois, os convidados foram encaminhados para o icônico Palácio dos Festivais que hospeda o evento desde antes de seu nascimento. A série de homenagens ao pianista não pararam por aí. O filme sobre a sua trajetória de vida, ‘João, o maestro’, dirigido e escrito por Mauro Lima foi o primeiro a ser exibido na noite. “O nosso maior desafio com este filme foi trazer um herói para o imaginário do brasileiro. Neste momento estamos passando por dificuldades tremendas. Não temos esperança ou exemplo para seguir em frente. Nós temos a obrigação como produtores de cinema de trazer para a tela histórias que inspirem. O João é um dos maiores exemplos de tenacidade, honestidade, persistente e personalidade. É maravilhoso poder homenagear este homem ainda vivo”, afirmou a produtora do longa Paula Barreto. Apesar de não estar concorrendo a nenhum título, a ideia dos organizadores foi reverenciar a vida desta lenda.

Em um enredo envolvente, cheio de flashbacks e momentos angustiantes, o filme mostra como foi para o pianista ter que lidar com a depressão e com os inúmeros problemas que teve nos movimentos motores culminando no comprometimento de sua carreira de músico. “Consegui ver a minha vida passar na minha frente e relembrar o que vivi, inclusive, a época que tive depressão. No entanto, sempre soube que, com a música, conseguiria passar por todos os obstáculos, ela me ajudaria a vencer. Agora, me considero uma pessoa realizada e este filme foi a cereja do bolo. Quero realizar o meu sonho de construir mil orquestras ao redor do país”, relembrou João. O elenco traz Alexandre Nero, Rodrigo Pandolfo e Davi Campolongo mostrando diferentes épocas da vida do músico, Alinne Moraes como a atual esposa de João e Fernanda Nobre como duas das ex-mulheres do mesmo. “Os atores são ícones do cinema brasileiro, o diretor e a produção são fantásticos o que me deixa profundamente orgulhoso de estar presente aqui e fazer parte de tudo isso. Já assisti ao filme três vezes e em todas acabei chorando, porque ao ver me dei conta de tudo o que já aconteceu na minha vida”, comentou João. Segundo Paula Barreto, o longa foi feito com pouco dinheiro, mas com o grande patrocínio da Unilever.

O Matador é uma produção de Netflix (Foto: AgNews)

Para dar início aos filmes que vão participar da premiação no último dia do festival, o longa-metragem brasileiro ‘O Matador’ foi exibido para a crítica. A produção é a primeira nacional que teve seus direitos comprados pela empresa de serviço on-demand, Netflix, e promete trazer um trabalho muito diferenciado para o mercado. “Este filme é totalmente diferente do que eu já fiz e a realização dele só foi possível graças a uma grande equipe que esteve conosco desde o início. A Netflix, por exemplo, leu o roteiro e, no mesmo instante, comprou a ideia e acreditou na gente”, comemorou o escritor e diretor Marcelo Galvão que comanda um grande elenco que conta com Diogo Morgado, Deto Montenegro, Etienne Chicot, Mel Lisboa e outros. A trama se passa no sertão de Pernambuco e mostra um famoso matador que foi criado por um cangaceiro do local depois de ser abandonado quando pequeno. Quando o pai de criação desaparece, o assassino resolve ir atrás de seu ente querido e se depara com uma cidade sem leis governada por um francês.

‘O Matador’ está concorrendo junto com outras sete produções na categoria longas-metragens brasileiros. O júri que irá premiar a equipe é composto pelo cineasta Cacá Diegues, o distribuidor Alfredo Calvino, a atriz Bárbara Paz, o cineasta Edu Felistoque, a produtora Katia Adler e o jornalista Miguel Barbieri.

Já que o evento comemora 45 anos, a organização premiou importantes nomes que ajudaram na criação e formação do festival que já conta com equipamento técnico de audiodescrição para deficientes físicos. Entre os homenageados da noite, estava um dos criadores do evento Horst Volk, o antigo diretor do cinema onde hoje funciona o Palácio dos Festivais Odilon Cardoso que foi representado por seu filho Thomas e um dos idealizadores do festival Romeu Dutra. O prefeito de Gramado, João Alfredo de Castilhos, foi convidado para entregar a placa em homenagem a tais feitos e títulos.

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