*por Luísa Giraldo
Aos 21 anos, a atriz Bianca Paiva conquistou o primeiro papel como protagonista nas telas de cinema, no filme “Turma da Mônica: Reflexos do Medo”, com estreia marcada para o dia 18. A artista dá vida à icônica — e não mais tão comilona — Magali no universo do grupo de adolescentes mais conhecido do Bairro do Limoeiro. Também radialista, a intérprete de Magali divide os holofotes com os artistas Sophia Valverde, Xande Valois, Théo Salomão e Carol Roberto, respectivamente Mônica, Cebolinha, Cascão e Helena. Ao site, Bianca reflete sobre a pressão por interpretar Magali, a compulsão alimentar da personagem e as semelhanças em crenças místicas das duas.
Em um momento de crescentes debates de relevância e análises de suscetibilidades sociais, o filme ilumina tópicos e questões relacionadas à puberdade, às mudanças do corpo e da mente dos adolescentes. O slogan “Crescer exige coragem” está exibido nos pôsteres dos protagonistas do filme.
Bianca detalha a abordagem da compulsão alimentar de Magali. “Na Turma da Mônica Jovem, a Magali entra na Ordem dos Cozinheiros, um colégio de culinária que também tem o lado da magia. Ela traz a relação da comida, do alimento e das refeições que faz com a magia. Nos momentos em que a Magali está muito nervosa, a compulsão alimentar aparecia. A questão alimentar surge de uma forma emocional, mas o grande foco da história dessa personagem é o lado da Maga Magali”.

A artista Bianca Paiva detalha a abordagem mística de Magali no novo filme de TMJ (Foto: Divulgação)
Em contrapartida, atriz confessa ter conhecido, de fato, a faceta mística da personagem a partir deste trabalho. Para se aprofundar e preparar para o papel, ela concentrou esforços na leitura dos gibis e nos episódios da Turma da Mônica Jovem (TMJ).
“Me identifiquei bastante com esse lado da Magali. Já sabia que ela tinha um carinho especial pelos gatinhos e relação com o lado místico com as pedrinhas. No filme, a personagem acredita muito em sinais e fica à espera deles. [Quando os recebe], ela busca interpretar sempre de uma forma racional, o que traz muita coragem e confiança para ela. Os sinais influenciam diretamente na resolução dos problemas da adolescência dela. A Magali traz sempre as coisas para o lado emocional e sensitivo, o que justifica grande parte das ações dela”.
Assim como a personagem do cartunista Maurício de Souza, a radialista tem uma relação profunda com o mundo místico. Para a promoção do filme nas redes sociais, Bianca produziu conteúdos sobre o Mercúrio Retrógrado e os signos, encenando a versão jovem de Magali.
“Acredito em sinais assim como a Magali. Apesar de estar participando de um filme que pode mudar a minha carreira e influenciar diretamente a minha vida, foi realmente importante me concentrar com ela. Ao longo das gravações, tive vários Déjà Vus que já havia vivido aquilo em algum momento. Vários sinais me levaram até à Magali. Quando recebemos a prévia do roteiro, tive o sinal que precisava e me apeguei aos sinais que o universo mandava”, relembra.

A atriz Bianca Paiva abre o coração sobre as ondas de hate contra o elenco do novo live action de Turma da Mônica (Foto: Divulgação)
Além disso, a atriz admitiu ter se apegado à personalidade de seu papel por ter a mesma sensibilidade e sexto sentido para cuidar da turma. Ela destacou, inclusive, que os amigos de elenco lhe deram o apelido de “mãegali”.
Segundo a atriz, a seleção do elenco até o lançamento do filme nos cinemas demorou cerca de quatro anos, sobretudo por conta da Pandemia da Covid-19. Ser escolhida para o papel foi um dos sinais recebidos por Bianca. Toda a produção de “Turma da Mônica: Reflexos do Medo” teve início em 2020 e as gravações foram realizadas ao longo do ano passado.
Onda de hates
Bianca Paiva acompanhou de perto a onda de hates que a colega de elenco e amiga de anos, Sophia Valverde, sofreu do público. A resistência se deu pelo apego dos telespectadores aos atores do primeiro live action de Turma da Mônica, na versão clássica: Giulia Benite, Kevin Vecchiato, Laura Rauseo e Gabriel Moreira.
A artista reflete sobre a repercussão negativa desde que o elenco foi anunciado. “A gente pode responder com o trabalho porque isso sempre vai acontecer. Existe sim, a Turma da Mônica clássica e, agora, também há a Turma da Mônica Jovem, com outros autores é uma nova história. O que a gente pode fazer é se unir e dar força, um ao outro e a gente construiu uma turma legal desde as preparações até às gravações. Então, é importante a gente estar junto nos melhores e também nos piores momentos”.

Assim como a personagem Magali, a intérprete Bianca Paiva também acredita na misticidade do universo (Foto: Divulgação)
A intérprete ressaltou também a importância dos dois elencos e de ambos os universos em que os personagens possam coexistir.
Há um filme com a Turma da Mônica clássica, em que o elenco arrasou e fez um ótimo trabalho. Agora, também há a TMJ, que acredito que vai surpreender o público e ser uma quadrilogia super especial — Bianca Paiva
Pressão por interpretar Magali
Ciente da responsabilidade do papel, Bianca buscou formas eficazes de lidar com o desafio de interpretar uma das personagens mais queridas da franquia de Maurício de Sousa.
“Conversei com o máximo de pessoas possível. A gente teve a oportunidade conhecer a galera do Maurício de Sousa Produções (MSP) e conversar bastante com eles, que são literalmente as pessoas que sabem o que o público está esperando. Tentei ouvir pessoas de todos os lados para saber o que eles esperavam da Magali porque queria construir uma personagem que realmente fosse marcante”, recorda.
Com carinho, Bianca abriu o coração sobre uma das experiências emocionantes que viveu durante as gravações.
A gente estava gravando na rua, quando uma moça virou para mim e me pediu uma foto. Ela disse que havia sido alfabetizada com ajuda de um gibi da Magali. Ali, senti a carga que eu estava carregando com essa personagem — Bianca Paiva.
Bianca Paiva, nova Magali no filme “Turma da Mônica: Reflexos do Medo”, desabafa sobre a pressão de interpretar a icônica e amada Magali (Foto: Divulgação)
“Juntar esse lado místico da Magali, a sensibilidade do momento da adolescência e a ansiedade de interpretar uma personagem como essa foi importante para nortear a minha vida como Bianca. As decisões ao longo desses anos foram muito baseadas na Bianca e na Magali. Não tranquei a faculdade e não escolhi trabalhar em outro lugar, foram decisões tomadas para eu trabalhar com a Magali. Porque sonhava com esse momento. Ao assistir o trailer pela primeira vez, penso que justificou todo o esforço que fiz. Assim como cresci como Bianca, quero crescer como Magali”, atesta.
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