Cinema & TV

Ingrid Conte comemora momento profissional e analisa carreira artística: “Fácil se perder em ego e vaidade”

Vivendo a doce Elisabete, em 'Topíssima', a atriz afirma já ter pensado em desistir da carreira: "Uma hora você está contratado, se dedicando a um único trabalho exclusivamente como ator; na outra, você está correndo atrás de apoio pra sua peça que não tem um real de patrocínio, se desdobrando em múltiplas funções, e na outra você está em casa sentado no sofá se entupindo de brigadeiro esperando um convite para trabalhar. Todo ator passa por essas fases"

Publicado em 18/07/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Karina Kuperman

Depois de algumas participações em tramas da Globo, a bela Ingrid Conte empresta seu corpo à tímida Elisabete de “Topíssima“, novela da Record. “É a primeira novela em que estarei com uma personagem atuando do início ao fim da história! A experiência tem sido incrível, melhor do que eu imaginava! Gravamos em ritmo bem intenso. Então, estou ganhando uma bagagem que, com certeza, eu demoraria algumas novelas para adquirir. Tem sido um aprendizado enorme gravar um mesmo produto com diretores diferentes, que dirigem de formas diferentes e entender meu processo como atriz no meio disso tudo”, reflete. “Nem nos meus melhores sonhos imaginei que minha entrada para a TV seria tão linda assim”, comemora ela, que, aos 33 anos, já pensou algumas vezes em desistir.

Ingrid Conte (Foto: Lukas Alencar)

“Quero conhecer um ator que nunca pensou em desistir da profissão. Nossa carreira é uma montanha russa, a gente lida com altos e baixos, com escassez financeira, com falta de trabalho… Uma hora você está contratado, se dedicando a um único trabalho exclusivamente como ator; na outra, você está correndo atrás de apoio pra sua peça que não tem um real de patrocínio, se desdobrando em múltiplas funções (ator, produtor, contra-regra, escritor, etc…), e, na outra, você está em casa sentado no sofá se entupindo de brigadeiro esperando um convite para trabalhar. Todo ator passa por essas fases, e isso gera todo tipo de sentimento, inclusive medo, frustração, insegurança… Mas chega um momento em que você tem que aprender a lidar com tudo em prol da sua paz mental! E aprende na marra, quando quer persistir e quando enxerga que sua profissão é o seu maior propósito”, analisa. “Sim, pensei e tive medo de não dar certo várias e várias vezes. Mas hoje, depois de um tempo, enxergo o ‘dar certo’ de uma forma diferente. Não é pelo resultado ou por um trabalho específico que avalio, mas pelo crescimento, pela construção da carreira. Antes vinculava o ‘dar certo’ a alcançar algum lugar específico, na carreira. Hoje, eu entendo que certo já deu, que eu vivo da minha profissão, que estou subindo um degrau de cada vez! Ainda tenho muitos degraus pra subir, mas quando olho pra trás e vejo o tanto de coisa que já fiz, me sinto extremamente realizada e feliz”, afirma.

Ela vive a doce Elisabete em “Topissima”, trama da Rede Record (Foto: Lukas Alencar)

“Ano passado assisti uma palestra do Marcos Caruso que me marcou muito! Ele dizia: ‘ser ator é aprender a surfar uma onda e voltar para a praia’. Estar na praia é sua base. É onde você realiza os seus projetos, se transforma pessoa e, conseqüentemente, profissionalmente e é para onde a gente sempre volta”, explica. Já tive alguns planos Bs, que nada tinham a ver com minha carreira. Nenhum deles se sustentou, porque eu sempre acabo dando prioridade total aos meus trabalhos como atriz. Sou formada em Ciências Atuariais, cheguei a trabalhar um ano em uma empresa, mas pedi demissão para me dedicar totalmente à minha profissão. Então, todos os planos Bs até hoje ficaram pelo caminho. Hoje, meu plano é o de trabalhar em prol da minha própria carreira como atriz, produzir peças e conteúdos digitais sobre assuntos que eu tenho vontade de falar, sobre coisas que tenham a ver com meu atual momento de vida”, garante. “Cada um tem sua história, não enxergo que ‘comecei’ agora. Já fiz muito teatro, cinema, trabalhos para internet e algumas participações na TV. Fazer uma novela inteira é mais um trabalho, mais uma conquista, mais uma etapa da construção de carreira, mas, sobre fazer a primeira novela mais madura, a vantagem é que você tem o pés mais fincados no chão para lidar com uma visibilidade maior e não se deixar ser levada por isso. Porque é realmente muito gostoso e sedutor, mexe com seu ego e sua vaidade. E é fácil se perder nisso! Mas com um pouco mais de maturidade, você continua focando no que há de principal e no que te levou até ali, que é o seu trabalho”.

Sua Elisabete é uma moça do bem, generosa e preocupada com os amigos, sempre acredita no melhor das pessoas e que não admite injustiças. É estudante do terceiro ano de comunicação e moradora da República ‘Nó em pingo d’água,’ junto com outros estudantes. Ela é fofa, romântica, tímida e por isso, tem um certo lado ingênuo, puro, que não permite que ela enxergue a verdade sobre o mau caratismo de Vitor, vivido por Vitor Novello, por quem ela é apaixonada”, explica a atriz, que acha importante abordar esses valores na televisão. “A Elisabete acredita na redenção e que todas as pessoas merecem uma segunda chance. É legal falar disso, afinal vivemos uma época de grande intolerância e impaciência com o próximo. É muito bom saber que existem muitas pessoas assim no mundo, que ainda enxergam que o ser humano é bom em sua essência”, reflete.

A atriz é formada pela CAL (Foto: Lukas Alencar)

Para viver essa personagem, Ingrid fez testes e, só após um mês, recebeu um retorno por telefone. “Quando desliguei a ligação, primeiro comecei a gritar que nem uma louca na sala de casa, sozinha, comemorando. Depois, eu acho que fiquei uns 20 minutos paralisada, só agradecendo a Deus, deitada no tapete da sala. Foi uma reação engraçada e espontânea, de quem estava esperando por um trabalho grande como esse na TV há bastante tempo já”, desabafa.

Além da alegria com sua personagem, a felicidade é completa nos bastidores. “O clima é o melhor possível, super descontraído, leve e divertido. O Kadu Moliterno, que faz o Dagoberto, é o mais velho do nosso grupo, mas tem uma energia jovem que é incrível. No início eu ficava pensando: ‘coitado do Kadu, vai ter que aguentar esse bando de jovem durante 7 meses’, mas hoje vejo o quanto ele curte estar com a gente também e é sempre muito generoso com todos nós em cena. Vivemos um mês e meio de preparação antes de a novela começar e isso fez com que todos nós da República criássemos um laço de intimidade e carinho muito grande. Além de companheiros de trabalho, nos tornamos uma grande família linda”, conta.

Antes dessa experiência, Ingrid atuou no canal de humor do Youtube “Parafernalha”. Será que ela se considera humorista também? “Eu adoro trabalhar com humor, apesar de sentir que minha zona de conforto como atriz é no drama. O humor, por mais louco que possa parecer, é de certa forma matemático. Preciso encontrar o tempo exato, estudar um pouco mais do que simplesmente deixar fluir… é desafiador”, explica ela, que admira o gênero. “Tem uma função social maravilhosa. Através dele, de forma sutil, você levanta reflexões muito sérias e pertinentes ao momento que vivemos. Mas por ser de forma sutil e divertida, ele acaba tendo uma penetração maior na sociedade”, analisa. E ela não descarta a possibilidade de integrar o elenco fixo do canal: “Atualmente estou muito feliz trabalhando com teledramaturgia e esse é meu foco. Mas com certeza, se pintasse um convite para integrar o elenco do ‘Parafernalha’, eu ficaria muito tentada”, assume.

Após a novela, Ingrid quer voltar ao teatro (Foto: Lukas Alencar)

Formada pela CAL (Casa de Artes de Laranjeiras), Ingrid pretende voltar ao teatro após o fim da trama. “Quando acabar a novela, quero voltar ao teatro. Tenho um projeto de um novo espetáculo junto com três outras atrizes, mas que ainda está na fase de captação de recursos. A estréia está prevista para 2020”, adianta ela. E não pára por aí: “A série ‘Pela Fechadura’, em que atuei, estréia no canal Prime Box Brazil no segundo semestre. Foi um trabalho muito interessante, já que tive a oportunidade de fazer cinco personagens diferentes, sendo três deles protagonistas. É uma série composta por 13 episódios com histórias independentes, mas todas têm em comum a busca incessante do ser humano por amor e prazer e suas conseqüências, ora divertidas, ora fatais”, frisa.

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