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Com Cauã Reymond, Juliana Paes e Maria Fernanda Cândido, coletiva de “Dois Irmãos” promove reencontro emocionante de elenco, direção e autores

Orgulhoso com o trabalho, o diretor Luiz Fernando ainda adiantou o que o público pode esperar da trama."É um épico familiar, um drama de enormes proporções emocionais, capaz de gerar um álbum de família que espelha a própria história do Brasil, suas alegrias e seus retrocessos

Publicado em 08/12/2016 | Por Leonardo Rocha

Na Manaus de 1920, a identidade cultural era tão difusa quanto a nuvem de idiomas que pairava sobre o porto da capital amazonense. Entre o vaivém de imigrantes que dominavam o espaço naquela época, um drama familiar inspirado na obra de Milton Hatoum e adaptada por Maria Camargo, ganha vida na aguardada série homônima “Dois Irmãos”, que tem direção do mago Luiz Fernando Carvalho. Depois de muita especulação e apostas sobre como seria de fato o enredo da nova aposta da Rede Globo – que conta com nomes como Cauã Reymond, Juliana Paes, Maria Fernanda Cândido, Antônio Fagundes e Eliane Giardini -, o elenco se reuniu com a parte criativa da trama na última terça-feira, no IED (Instituto Europeu de Design), na Urca, para adiantar detalhes da história que promete não só emocionar como também dividir a opinião pública, a partir do dia 9 de janeiro.

Elenco de "Dois Irmãos" (Foto: AgNews)

Elenco de “Dois Irmãos” (Foto: AgNews)

Na coletiva de imprensa, a expectativa era alta para os envolvidos no produto que foi gravado há cerca de um ano, em locações históricas do Amazonas, como a região de Itaquatiara. Com uma narrativa não linear, “Dois Irmãos” se passa em três épocas diferentes, até a chegada da década de 80, contada por Nael (Theo Kalper/ Rian Cesar/ Irandhir Santos), filho da indígena Domingas (Sandra Paramirim/ Zahy/ Silvia Nobre), empregada na casa do árabe Halim (Bruno Anacleto/ Antonio Calloni/ Antonio Fagundes) e Zana (Gabriella Mustafá/ Juliana Paes/ Eliane Giardini). “É uma história que vem na contramão de tudo o que se tem feito. Ela é contada pelo filho da empregada, pelo lado mais sensível e pobre”, avaliou o diretor Luiz Fernando Carvalho, que anteriormente seguia envolvido no comando de “Velho Chico”.

Juliana Paes, Cauã Reymond e Maria Fernanda Cândido (Foto: AgNews)

Juliana Paes, Cauã Reymond e Maria Fernanda Cândido (Foto: AgNews)

Orgulhoso com o trabalho finalizado, Luiz Fernando ainda adiantou o que o público pode esperar da trama que, toca em tabus como a rejeição de um filho, o amor de Édipo e uma suposta cena de incesto. “É um épico familiar, um drama de enormes proporções emocionais, capaz de gerar um álbum de família que espelha a própria história do Brasil, suas alegrias e seus retrocessos. É uma obra com camadas sociológicas, antropológicas e históricas, tudo isso rebatido na mesa de jantar de uma família de imigrantes libaneses, no odor dos quartos, na sensualidade de uma mãe, no afeto desmedido por um de seus filhos, nos ciúmes dos outros membros da família e nas perdas que o tempo nos revelam. É um Brasil em formação, composto pelos sonhos, mas também pela força de trabalho dos imigrantes. A minha expectativa é que as pessoas vejam e percebam uma dramaturgia diferente no sentido de que ela parte do romance e volta para o romance sem negá-lo. Relaxem, abram os olhos e o coração e façam essa viagem. “, explicou.

Milton Hatoum, Luiz Fernando Carvalho e Maria Camargo (Foto: AgNews)

Milton Hatoum, Luiz Fernando Carvalho e Maria Camargo (Foto: AgNews)

No entanto, em paralelo a todos os questionamentos que a série vai abordar, o epicentro da trama gira em torno de Zana, Halim e os gêmeos Omar (Enrico Rocha/ Matheus Abreu/ Cauã Reymond) e Yaqub (Lorenzo Rocha/ Matheus Abreu/ Cauã Reymond), que se tornam inimigos desde a infância por conta da predileção da mãe por um deles. Protagonista em dose dupla, Cauã Reymond comemorou a oportunidade de fazer parte desse projeto. “Foi uma preparação muito intensa e ao mesmo tempo prazerosa. Sem dúvidas esta foi a jornada artística mais interessante da minha carreira. Eu realmente me joguei como nunca. Me fez entender quem eu sou como artista, o que quero, que lugar é esse novo que conheci. Mais do que entretenimento, ele trará reflexão ao telespectador”, avaliou o galã, que descartou maiores dificuldades para contracenar com ele mesmo. “Tínhamos um dublê na hora das conversas, que não são tantas assim. Afinal, eles se odeiam. O embate entre esses dois mundos me rendeu mais questões em relação às questões psicológicas”, avaliou.

Cauã viverá gêmeos na trama (Foto: AgNews)

Cauã viverá gêmeos na trama (Foto: AgNews)

Questões essas que provavelmente são alimentadas por uma mãe super protetora e um pai linha dura. A contrariedade de Halim em gerar herdeiros vem do medo que ele tem de perder os momentos prazerosos que passa ao lado da esposa. E ele tinha razão. Logo na primeira gravidez, Zana dá à luz aos gêmeos e tudo muda. O caçula dos meninos nasce com problemas respiratórios e acaba se tornando alvo do carinho desmedido da mãe, que acredita em uma suposta fragilidade da criança. Sem perceber, Zana cria uma verdadeira obsessão pelo filho, plantando, assim, o rancor no coração do outro, Yaqub. Para Juliana Paes, que interpreta esta mulher na segunda fase da trama e ainda é mãe de dois meninos , contou que acredita ser possível a predileção de uma matriarca.

Juliana Paes será Zena (Foto: AgNews)

Juliana Paes será Zena (Foto: AgNews)

“Pode parecer polêmico, mas é fato que uma mãe pode ter mais afinidades, sim, por um dos seus filhos. Eu acredito que o amor seja igual, porque realmente não tem distinção. É algo inexplicável. Mas as questões de empatia e afinidade são muito pessoais. Depende muito da personalidade dos envolvidos. Agora, no caso da Zana, eu acho que ela criou isso na cabeça dela, por um deles ter nascido precisando de mais cuidados dela”, destacou a atriz, brincando que em sua casa a coisa funciona bem diferente. “Eu tenho uma ligação de outras vidas com meu pai. Eu conto coisas para ele que não falo para ninguém, mas a queridinha é a Mariana. Tudo é Mariana”, disse, aos risos.

Luiz Fernando Carvalho e Juliana Paes (Foto: AgNews)

Luiz Fernando Carvalho e Juliana Paes (Foto: AgNews)

Quem também marcou presença na coletiva foi o autor Milton Hatoum. De acordo com ele, foi uma emoção muito grande ver sua obra literária transformada em dramaturgia. “Eu nunca na minha vida imaginei que um trabalho meu fosse ser adaptado para a televisão ou para o cinema. Quando o a Maria Camargo e o Luiz Fernando me propuseram essa parceria eu fiquei muito feliz. Ainda mais um elenco lindo desse”, contou ele, comentando que apesar da obra se passar entre as décadas de 20 e 80, existem temas extremamente atuais. “Existem passagens que falam sobre o golpe militar e a ditadura, que serão brevemente abordados na série. Engraçado, porque, mesmo em 2016, nós assistimos a situações tão parecidas com as quais vivemos anos há atrás”, frisou.

Milton Hatoum e Maria Camargo (Foto: AgNews)

Milton Hatoum e Maria Camargo (Foto: AgNews)

Já a estreante em novelas, a modelo Bárbara Evans, que faz par romântico com Cauã na minissérie, também falou sobre a experiência como atriz. “Com certeza, eu quero continuar trabalhando. Eu achei incrível superar isso, que para mim foi um desafio e eu espero ter outros. Foi um divisor de águas para mim que não sou atriz. Agradeço ao trabalho que fiz com Luiz, ele é um diretor incrível. Eu quero que gostem do meu trabalho. Quero que vejam meu esforço, que uma novata chegou lá e conseguiu, porque não foi fácil. “, contou a filha da modelo e apresentadora Monique Evans.

Barbara Evans estreai como atriz (Foto: AgNews)

Barbara Evans estreai como atriz (Foto: AgNews)

Com rostos pouco conhecidos do grande público, Luiz Fernando Carvalho sempre busca integrar novos atores em suas produções. Outro exemplo, além de Bárbara Evans é a rainha de bateria da Vai Vai, Camila Silva. E motivo é o que não falta para a dançarina estar ansiosa para sua estreia, afinal ter encarado logo de cara cenas de nudez e sequências de sexo com Cauã Reymond na minissérie “Dois Irmãos”, não é para qualquer um. “Ele me apoiou muito, foi minha primeira experiência, meu primeiro trabalho, ainda mais pelas cenas. Ele conversou bastante comigo. Na hora ele falou: ‘É normal’. Por mais que eu seja rainha de bateria e esteja sempre expondo meu corpo, é diferente. Eu via na TV e achava que eram só os dois em cena, mas não. Tem o câmera, o diretor, os figurinistas… Então eu fiquei um pouco acanhada sim, não vou mentir”, destacou ela.

Camila Silva é rainha de bateria da Vai Vai (Foto: AgNews)

Camila Silva é rainha de bateria da Vai Vai (Foto: AgNews)

Cauã, no entanto, muito mais experiente na carreira e em sequências do tipo, que já encara naturalmente o desafio. “Eu já fiz tantas cenas dessas que tento levar tudo no bom humor e vou me concentrando”, explicou ele, diplomático, sem entrar em detalhes sobre as colegas de cena. “Acho natural da nossa cultura, a gente tem curiosidade sobre isso. Eu tento levar no maior bom humor, se não fica sofrido fazer. Já é tão estranho”, completou.

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