Cebola em novo filme da Turma da Mônica, Xande Valois relembra que teve o mesmo distúrbio de fala do personagem


Xande Valois interpreta papéis de peso nos longas “Turma da Mônica: Reflexos do Medo” e “Fazendo Meu Filme”. Aos 19 anos, o ator se lança como o próximo galã das novelas brasileiras. “Tive a dislalia quando era bem criança. Não sei se tem a ver com as gravações e o estudo que é feito ou o meu estilo de atuação, mas, ao sentir a energia da cena, sentir o olho no olho e estar vivendo realmente aquele personagem, voltei a ter um pouco dela. Fiquei nervoso desde as primeiras leituras, já que isso foi ativado desde o início”.

O ator Xande Valois adianta novidades sobre a esperada adaptação de "Fazendo Meu Filme", de Paula Pimenta

*por Luísa Giraldo

Este ano marcará profundamente a trajetória artística de Xande Valois e promete alçá-lo à condição de estrela nacional. Ao dar vida ao jovem Cebola, o artista protagoniza o live-action Turma da Mônica: Reflexos do Medo”, lançado em 18 de janeiro. Em contrapartida, ele interpreta o galã da série de livros mais conhecida de Paula Pimenta, Fazendo Meu Filme”, uma adaptação esperada pelos fãs da autora há anos. Em conversa exclusiva ao site Heloisa Tolipan, o rapaz relembra sobre a dislalia que sofreu durante a infância, o mesmo distúrbio do conhecido personagem de Maurício Souza que troca a pronúncia das letras “R” pelo “L”, e reflete sobre as mudanças de Cebola e Léo.

O ator de 19 anos ressalta que, apesar de abordar os personagens do gibi brasileiro na fase da puberdade, o longa-metragem continuará a explorar algumas das características marcantes dos protagonistas. Xande divide o tempo de tela com Sophia Valverde, Théo Salomão, Bianca Paiva e Carol Roberto, que dão vida à Mônica, ao Cascão, à Magali e à Milena respetivamente.

Xande admite nunca ter falado do distúrbio em nenhuma entrevista. “Eu tinha esse costume de trocar o ‘R’ pelo ‘L’ durante uma época. Hoje em dia, de vez em quando, ainda faço isso. É uma parada que eu carrego. Lógico que não falo sempre errado: é a mesma coisa [que acontece] com o Cebola. Só que, é claro, que esse é o traço que as pessoas esperam [ver no personagem], mas, em momentos que fica muito nervoso, ele troca [as palavras e] volta [a apresentar os sintomas do distúrbio]”.

O ator Xande Valois relembra sobre o distúrbio de fala que teve na infância, a dislalia

O ator Xande Valois relembra sobre o distúrbio de fala que teve na infância, a dislalia (Foto: Vinicius Mochizuki)

O galã descreve que os gibis de Maurício de Souza acompanharam o processo seu processo de alfabetização. Portanto, Xande concluiu que as gravações permitiram que ele acesse memórias inconscientes das dificuldades que sentiu com a fala e a pronúncia durante a infância.

Tive a dislalia quando era bem criança. Não sei se tem a ver com as gravações e o estudo que é feito ou o meu estilo de atuação, mas, ao sentir a energia da cena, sentir o olho no olho e estar vivendo realmente aquele personagem, voltei a ter um pouco dela. Fiquei nervoso desde as primeiras leituras, já que isso foi ativado desde o início — Xande Valois

O longa “Fazendo Meu Filme”

Não há projeto audiovisual que seja mais esperado pelo público infanto-juvenil feminino brasileiro do que a adaptação de “Fazendo Meu Filme”. Há poucos dias, foi divulgada a data oficial de estreia no serviço de streaming Prime Video: 14 de fevereiro. Ansioso para apresentar seu personagem com o cuidado de não dar spoilers aos fãs, Xande revela algumas peculiaridades do papel. O protagonismo da franquia fica a cargo da atriz Bela Fernandes, conhecida pelo papel de Filipa na novela “As Aventuras de Poliana”, do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT).

“A gente já sabe o final de ‘Fazendo Meu Filme’, até mesmo por conta da fidelidade do filme ao livro. A gente realmente começa o projeto na preparação do elenco, já que é um momento em que a gente tem que criar toda a química. Acredito muito em sinais do universo e aconteceram muitas coisas absurdas que as pessoas não acreditam quando eu e Bela falamos. A gente vivia sentimentos e reviravas coisas que diziam que estávamos indo pelo caminho certo”, emociona-se o artista, que acumula mais de dez anos de carreira.

Cebola em "Turma da Mônica: Reflexos do Medo", o ator Xande Valois fala sobre a relação dele com as redes sociais

Cebola em “Turma da Mônica: Reflexos do Medo”, o ator Xande Valois fala sobre a relação dele com as redes sociais (Foto: Vinicius Mochizuki)

O intérprete explica a relutância de Léo em aceitar o intercâmbio da protagonista Fani. “Ao invés de estar feliz pela amiga” que vai morar fora do país por um ano, ele entende que “vai perder a garota” por quem é apaixonado, o que é “pouco injusto da parte dele”, explica.

Estudei muito para interpretá-lo. Quando descobri que havia passado para o Léo, não podia falar para ninguém. Tive que ir contando aos poucos para as minhas amigas para ir pegando realmente a essência e as expectativas que as pessoas tinham dele. Foram várias camadas e lados do Léo: quando ele namora com a Vanessa, quando percebe que fez burrada e que um ano passa rápido e que a Fani é o amor da vida dele. Tentei pegar tudo e todas as minhas experiências, já que tinha 16 anos na época e já tinha começado a vivenciar um pouco [os sentimentos do] amor e do ciúmes — Xande Valois

Hate nas redes sociais

O elenco principal de “Turma da Mônica: Reflexos do Medo” sofreu hate nas redes sociais assim que o filme foi anunciado ao público. A má aceitação se deu pelo apego dos fãs aos atores e atuações nos filmes Turma da Mônica: Laços”, ”Turma da Mônica: Lições” eTurma da Mônica – A Série”. Felizmente, Xande foi um dos menos atingidos pelos haters e ajudou os colegas de cena a não se deixarem afetar pelos comentários negativos.

“Nunca deixei que as críticas me atingissem ou afetassem o meu trabalho. Até mesmo porque eu sou uma pessoa que, quando estou trabalhando em algum projeto, mal mexo no celular no set de filmagem. Abomino o celular ainda mais quando estou gravando. A rede social que uso de fato é o WhatsApp, nem tenho mais o Tik Tok instalado no meu celular. As redes nunca foram um problema para mim”.

Aos 19 anos, o ator Xande Valois comemora mais de 12 anos de carreira e relembra de momentos marcantes

Aos 19 anos, o ator Xande Valois comemora mais de 12 anos de carreira e relembra de momentos marcantes (Foto: Vinicius Mochizuki)

Apesar de se considerar bem resolvido na relação com o mundo digital, Xande alerta o perigo de notícias falsas e pronunciamentos dele que nunca aconteceram. Ele abomina o uso da inteligência artificial para criar imagens e fotos fake. O artista não esconde que evita acessar redes como o Twitter, por considerá-lo como “terra de ninguém”, em que “as pessoas falam o que passam pela cabeça sem se preocupar se está sendo agressiva ou preconceituosa”.

O ator admite, inclusive, que se considera de “outra geração” e “outra escola”, já que está há doze anos no ramo artístico. O primeiro papel em uma novela foi em 2012, quando o Instagram ainda dava os passos iniciais para sua popularização, um contexto que fez com que ele não se acostumasse a conciliar a vida virtual com a profissional.

“Por um lado, a minha relação com a rede social é ruim. Porque acho que deveria aparecer mais, deveria ter mais gosto [por ela], além de usá-la de maneira inteligente, já que é uma ferramenta muito boa. Mas, ao mesmo tempo, tem seus contras, que eu não suporto. Sempre lhe dei bem com as redes sociais”.

Importância da arte para Xande

Além da gratidão pelas oportunidades de interpretar os jovens Cebola e Léo, Xande Valois não esconde o amor que sente pela expressão artística. Relembrar que já completou a primeira década de carreira o emociona bastante.

O artista Xande Valois critica os sites de fofoca e fake news espalhadas sobre ele

O artista Xande Valois critica os sites de fofoca e fake news espalhadas sobre ele (Foto: Vinicius Mochizuki)

“Já vivenciei cada coisa durante todos esses anos, várias coisas maravilhosas e muitos momentos decepcionantes. O meio da arte, de qualquer forma que você faça, proporciona momentos e permite reviver histórias que fazem o ser humano melhor. Por exemplo, fiz o personagem Claudinho com 11 anos, em ‘Êta Mundo Bom’, que era cadeirante, sofria maus tratos e tinha suas complexidades. A partir dele, junto com a minha mãe e os preparadores, eu me tornei embaixador mirim da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), a maior instituição de reabilitação do Rio de Janeiro. Fui conquistando e vivenciando muitas coisas que não tiveram a visibilidade que eu acho que mereciam, até pelo fato também de não saber instigar o público e demonstrar nas redes sociais”, atesta.