Ator do primeiro thriller erótico brasileiro da Netflix, Leandro Lima comenta sobre a hipersexualização masculina


Atualmente, Leandro Lima dá vida a um dos personagens mais bombados e sensuais da Netflix: o motoqueiro Marco, do filme “O Lado Bom de Ser Traída”. O longa-metragem consta na lista de produtos audiovisuais mais assistidos do mundo e tem dado o que falar ao público. Ele relembra a liberdade nos bastidores para sugerir mudanças nas cenas. “O protagonismo estava em cima do meu personagem e o da Giovanna e tratava de uma temática tão delicada. A gente estava abrindo a janela para um novo gênero erótico no Brasil que não era explorado desde os anos 60 e 70 com a pornochanchada. Precisava ter esse cuidado e uma abertura já que eram os nossos corpos ali. A nossa coordenadora de intimidade tornou tudo muito bonito, plástico e mais leve na hora de filmar as pessoas com seus pudores e problemas. Tudo aconteceu de maneira combinada e com fluidez”, pontua

O ator Leandro Lima fala sobre a hipersezualização da imagem dele no audiovisual brasileiro

*por Luísa Giraldo

Assim como Giovanna Lancellotti, o ator Leandro Lima teve todos os holofotes voltados para ele com a atuação no longa “O Lado Bom de Ser Traída”, primeiro thriller erótico brasileiro da Netflix, que não demorou a alcançar o topo do ranking de produções em língua não inglesa mais assistidas do mundo. O roteiro foi inspirado no livro homônimo de Sue Hecker, pseudônimo da escritora Débora Gastaldo, também voltado para o imaginário sexual da mulher. Sem reservas, o artista reflete nesta entrevista sobre os primeiros movimentos do mercado brasileiro em direção a produções que envolvam fantasias íntimas das mulheres, analisa a questão da hipersexualização no audiovisual e diz que não se importou nem um pouco com o paralelo feito por alguns telespectadores do seu trabalho e ao dos atores Jamie Dornan, da trilogia “Cinquenta Tons de Cinza”, e Michelle Morrone, da série “365 Dias”.

Relembra ainda a liberdade nos bastidores para sugerir mudanças nas cenas. “O protagonismo estava em cima do meu personagem e o da Giovanna e tratava de uma temática tão delicada. A gente estava abrindo a janela para um novo gênero erótico no Brasil que não era explorado desde os anos 60 e 70 com a pornochanchada. Precisava ter esse cuidado e uma abertura já que eram os nossos corpos ali. A nossa coordenadora de intimidade tornou tudo muito bonito, plástico e mais leve na hora de filmar as pessoas com seus pudores e problemas. Tudo aconteceu de maneira combinada e com fluidez”, pontua.

Leandro ressalta que eram muitas as minúcias nas descrições das cenas íntimas no roteiro. “Normalmente, não há detalhes em cenas de intimidade – talvez, por uma questão de pudor das pessoas de escreverem sobre isso. Mas, como o roteiro veio de um de um livro erótico, tinha muitos detalhes”. Lembra que o roteiro propunha um “lugar de libertação da mulher” para que ela cultivasse suas fantasias sexuais. Ao trocar com o diretor, o artista frisou a preferência de dar destaque ao prazer feminino. Com o canal de conversa aberto entre os produtores, Leandro pontuou que as cenas de sexo oral da protagonista Babi no personagem dele poderiam ser alteradas, já que o filme tinha a pretensão de abordar exclusivamente a expressão sexual feminina.

O artista Leandro Lima comenta sobre o prazer feminino em seu novo longa-metragem, "O Lado Bom de Ser Traída"

O artista Leandro Lima comenta sobre o prazer feminino em seu novo longa-metragem, “O Lado Bom de Ser Traída” (Foto: Victor Daguan)

Comparações com produtos audiovisuais eróticos estrangeiros

Leandro diz que não se preocupou nem um pouco com alguns feedbacks recebidos de comparação de “O Lado Bom de Ser Traída” com os clássicos eróticos “Cinquenta Tons de Cinza” e “365 Dias”. “Ao ler os comentários para Giovanna, eu disse que era ótimo que as pessoas estivessem falando isso por conta do trailer, antes do filme sair. Ela me perguntou o porquê. Respondi que eles estavam vendo uma qualidade, já que o “Cinquenta Tons de Cinza” e o “365” – este nem tanto – foram feitos com uma estética bonita”. Depois de um tempo, o posicionamento do artista se voltou para os apontamentos do público que já havia assistido o filme. É o retorno era de aplausos.

Também cantor, Leandro Lima foi uma das estrelas da série "Coisa Mais Linda", em que interpretou o músico boêmio Chico

Também cantor, Leandro Lima atuou na série “Coisa Mais Linda”, em que interpretou o músico boêmio Chico (Foto: Mari Patriota)

Abordado já no título, um dos temas centrais do filme é a traição extraconjugal. Embora sensível, o tópico geralmente suscita polêmicas em que uns defendem a pessoa traída e outras ficam a favor daquela que tem um caso. Nesta lógica, Leandro e Giovanna se propuseram a explorar o assunto da forma mais delicada e respeitosa possível.

Segundo Leandro, que foi modelo e desfilou para grandes grifes, como Christian Dior, Versace e Calvin Klein no continente europeu, quando questionado se achava que o filme “O Lado Bom de Ser Traída” ampliaria o olhar limitante do público dele como um “rostinho bonito”, “fazer vários gêneros é um aprendizado. Quando falam que ‘nunca vão me chamar para fazer um filme cabeça, porque fiz um filme erótico’, eu digo: ‘fazer um filme só porque ele se autointitula cabeça? Não. Eu quero fazer um filme porque alguma coisa me atraiu, seja a compensação financeira ou por ter uma grande história. Sou um profissional da arte. Leandro pontua que está sempre em busca de trabalhos variados, como os artistas norte-americanos, que cantam, dançam e atuam.

O modelo Leandro Lima relembra das gravações de "Coisa Mais Linda", série que foi cancelada durante a Pandemia pela Netflix

Leandro Lima relembra das gravações de “Coisa Mais Linda” (Foto: Victor Daguano)

Além do filme em questão, alguns outro trabalho que contribuiu para o olhar de encantamento e desejo do público feminino foi a conhecidíssima série “Coisa Mais Linda”, lançada em março de 2019.

Coisa Mais Linda

Apesar de “O Lado Bom de Ser Traída” ter projetado o trabalho de Leandro Lima a uma escala internacional, a série “Coisa Mais Linda”, produção da Netflix contou com duas temporadas que arrebataram o coração da crítica, mas a continuação acabou cancelada durante a pandemia da Covid-19. Leandro deu vida ao charmoso músico Chico Carvalho, par romântico da protagonista Malu, vivida por Maria Casadevall.

“Este é um dos trabalhos que tenho mais carinho na vida. Falo sobre ele constantemente. Lembro que, na época, eu tinha uma proposta de mais grana para um trabalho grandioso. Não sabia qual escolher, então pedi a opinião da minha esposa. Ela me perguntou qual dos dois me faria feliz. E eu falei que sempre esperei por um personagem que me desse a oportunidade de cantar Bossa Nova, já que é algo que eu celebro tanto e acredito ser um grande símbolo da música brasileira. O Chico foi um presente para mim”, identifica.

O artista e modelo Leandro Lima confessa ter mais talento para o mundo da música

O artista e modelo Leandro Lima confessa ter mais talento para o mundo da música (Foto: Victor Daguano)

Se pudesse elencar sua cena favorita da série, o galã disse que escolheria a primeira em que aparece. Chico está em um passeio de lancha com Malu e alguns colegas e, lá, ele solta a voz pela primeira vez. É nesse contexto que a protagonista o conhece e, até mesmo, encanta-se pelo talento dele. Leandro relembra que a cena foi uma das mais lindas e especiais que já gravou. “A gente tinha um um diretor de fotografia muito sistemático e particular na série. Ele queria fazer aquela cena sem nenhuma luz artificial. Foi definido que nós teríamos que começar a gravar às 17h15 e faríamos apenas um take para termos a melhor luz. Foi tudo mágico. Lembro dessa concentração de todas as pessoas; os figurantes e técnicos para fazer aquela cena acontecer”.