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Andréa Beltrão volta à TV e ao cinema e dispara sobre o atual panorama político brasileiro: “Eu só não quero que a religião mande na cidadania”

A atriz, que atuou por oito anos em “A Grande Família” e cinco em “Tapas e Beijos”, questionou a impressão do público sobre a grandiosidade de um seriado. “Existe uma fantasia equivocada de que os episódios são gravados em um único dia. É um trabalho colossal”

Publicado em 21/11/2016 | Por Julia Pimentel

Nas telonas em “Sob Pressão”, filme de Andrucha Waddington que estreiou neste fim de semana, Andréa Beltrão interpreta uma diretora de hospital. Na ficção, a atriz é Ana Lúcia, uma profissional que é transferida de unidade e que não consegue exercer seu ofício em meio ao caos que está a situação da saúde pública. Durante a pré-estreia do longa, que rolou no começo de novembro no Rio Sul, Andréa Beltrão adiantou sobre o drama de sua personagem que tem a precariedade do sistema de saúde como algoz profissional. “Ela acaba de chegar vinda de outra unidade e tenta pôr em ordem a situação caótica desse hospital. No entanto, ela falha em sua tarefa porque aquele caos não é minimamente organizável. Com isso, ela acaba tendo que trabalhar dentro desse ambiente louco, mas que também salva vidas”, disse.

Júlio Andrade, Andréa Beltrão e Andrusha Waddington na pré-estreia de “Sob Pressão“ (Foto: AgNews)

Júlio Andrade, Andréa Beltrão e Andrucha Waddington na pré-estreia de “Sob Pressão“ (Foto: AgNews)

Apesar da situação do sistema de saúde pública ser o pano de fundo do longa que foi inspirado no livro do Dr. Márcio Maranhão, que reúne casos reais da profissão, Andréa Beltrão não vê o filme “Sob Pressão” como uma denúncia. A atriz, em entrevista ao HT, preferiu frisar que o trabalho cinematográfico é uma produção cultural sobre uma situação real. “Eu não reduziria o filme a um protesto contra a saúde pública do Brasil. Eu acho que os jornalistas, os cidadãos e os próprios médicos já reclamam o suficiente desta grave situação. O filme conta uma história que se passa em um hospital em estado deplorável, mas ele não é usado para levantar a bandeira da saúde. Isso seria minimizar um trabalho que tem um valor artístico imenso”, avaliou.

Andréa Beltrão (Foto: AgNews)

Andréa Beltrão (Foto: AgNews)

Embora afirme que o personagem principal do longa de Andrucha Waddington não seja a questão pública, a atriz reconheceu a importância de tratar do tema através da arte. Para Andréa Beltrão, um elemento é dependente do outro na vida. “Eu acho que a arte é saúde pública. Um povo que tem direito e que consome cultura também tem, por consequência, saúde, seja mental, emocional, física ou sentimental. Nesse sentido, esses dois elementos caminham juntos”, opinou. A atriz também fez questão de se manifestar sobre o atual panorama político do país e do Rio de Janeiro. No clima pós-eleições municipais, Andréa Beltrão foi categórica: “Eu só não quero que a religião mande na cidadania. Eu acho que o estado tem que ser laico porque eu sou a favor de toda e qualquer crença. Então, por ser uma pessoa pluralista, eu me considero laica”.

”Eu acho que a arte é saúde pública” (Foto: Reprodução)

”Eu acho que a arte é saúde pública” (Foto: Reprodução)

Argumentações à parte, Andréa também tem novos trabalhos para a telinha. Além do filme “Sob Pressão”, a atriz integra o elenco de “Jogo da Memória”, próxima série de Lícia Manzo com direção de José Luiz Villamarim. Longe dos folhetins desde 2001, quando fez “As Filhas da Mãe”, Andréa Beltrão atuou nos seriados “A Grande Família” por oito anos e em “Tapas e Beijos” por cinco anos. Engajada no formato mais tradicional da tevê brasileira, a atriz criticou a fantasia que o público cria em relação às novelas. “As pessoas acham que um seriado é um trabalho que demanda menos envolvimento do ator. Mas não é assim. Na época da ‘Grande Família’, eu gravei de segunda a quinta-feira o dia inteiro durante oito anos. Em ‘Tapas e Beijos’, eu tive a mesma rotina intensa de gravação por cinco anos. Ou seja, ao contrário do que possa parecer, as séries não são trabalhos curtos. Existe uma fantasia equivocada de que os episódios são gravados em um único dia. É um trabalho colossal que, às vezes, dura duas semanas para fazermos um episódio de 30 minutos para uma série. É curioso, mas é verdade”, manifestou-se.

Fernanda Torres e Andréa Beltrão em “Tapas e Beijos” (Foto: Reprodução)

Fernanda Torres e Andréa Beltrão em “Tapas e Beijos” (Foto: Reprodução)

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