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“7 Miracles”, primeiro filme de realidade virtual do mundo, tem produção brasileira e ganha prêmio em festival de cinema na Inglaterra

O longa-metragem de temática religiosa, levou uma estatueta no Raindance Film Festival, onde concorria com projetos da Oprah, John Legend e Elijah Wood

Publicado em 16/10/2018 | Por Vanessa Cutrim

O Raindance Film Festival é um dos principais festivais independentes da Europa, que já revelou renomados diretores, como o inglês Christopher Nolan. No último sábado (13), o Brasil teve uma vitória representativa no evento. O filme “7 Miracles“, da empresa chinesa HTC, com produção da Panogramma, ganhou um prêmio especial, o “Spirit of Raindance: Film of the Festival“, levando a estatueta entre projetos da Oprah, John Legend e Elijah Wood  (isso mesmo!). Então imagina a felicidade do time? O roteirista brasileiro da obra, Raul Guterres, conversou com o site HT sobre o longa, que é baseado nos sete milagres de Jesus, segundo o evangelho de João. “Era um projeto pessoal da CEO fundadora da empresa, Cher Wang. Ela é cristã, então tinha essa ideia de fazer algo visual, com temas voltados para a religião. O filme surgiu para criar conteúdos para uma nova plataforma de realidade virtual, que é um mercado que está cada vez maior no mundo inteiro”, explicou.

“7 Miracles” é uma produção da HTC e da Panogramma, empresa do brasileiro Rodrigo Cerqueira (Foto: Divulgação)

A crítica especializada do festival adorou a produção, e principalmente, como foi retratada a narrativa bíblica. Com tantos filmes dentro dessa temática, Raul, em conversas com o diretor e produtor de “7 Miracles”, Rodrigo Cerqueira, desejava criar um diferencial. “Queríamos fazer o Jesus mais humano possível, próximo de um cara que você gostaria de ser amigo, ao invés de uma divindade”, contou. A Panogramma, é uma empresa percussora de realidade virtual no mundo, e a primeira a lançar um filme com essa tecnologia no live action. “É uma experiência imersiva, porque participamos. Quando você está em um filme comum, a câmera é um voyeur, uma pessoa que não existe e está ali, o público. No caso da realidade virtual, você entra quando põe os óculos e se torna um personagem. É o grande segredo e desafio, como contar essa história para quem entrou nela?”.

O filme de realidade virtual ganhou a categoria máxima do “Raindance Film Festival” na Inglaterra (Foto Divulgação)

Quando os brasileiros ganharam diante de tantos concorrentes de peso, a felicidade foi completa.”É um festival super conceituado na Inglaterra, e nosso filme ficou tão fora de contexto, em relação à competição com os outros, que eram projetos de 15 minutos, que o festival resolveu nos premiar com a categoria máxima!”, contou entusiasmado. “7 Miracles” agora vai para o “Beverly Hills Film Festival” e será a primeira vez que vão divulgar o filme para a indústria em Hollywood. A produção deve ser lançada mundialmente, em todas as plataformas, antes do Natal.

Raul enxerga um futuro promissor do audiovisual brasileiro com a chegada recente dos serviços de streamings, como a Netflix, Amazon, ItunesHulu. “Esses produtores de conteúdo estão modificando tudo, abrindo oportunidades para muita gente que está desamparada. Fora isso, cria uma nova mentalidade, de liberdade da dependência do estado. O Brasil nunca se tornou uma indústria do audiovisual, porque precisa ser comércio, e para isso, precisa ter investimento. Com essa turma chegando, vai ter dinheiro vindo de fora, os próprios empresários brasileiros verão o cinema como mercado, e não apenas como um exotismo social”

Formado em cinema pela UCLA, Raul Guterres mora em Los Angeles e trabalha como produtor, diretor e roteirista (Foto: Divulgação)

Cinéfilo desde criança, Raul já fazia suas animações em casa. Fez cursos de direito, e de teatro, mas quando viu o diretor Roberto Talma em ação, percebeu que era isso que queria para sua vida. “Com 13 anos, fui assistir os filmes do Steven Spielberg, como “Tubarão” e “Contatos Imediatos de Terceiro Grau“, e aquilo me tocou profundamente. Sempre tive vontade de fazer isso, construía projetores em caixinhas de papelão, desenhos em papel manteiga nos slides, sem nem saber o que eu estava fazendo. Foi um longo caminho. Estava estudando direito no Rio de Janeiro, me envolvi com teatro, trabalhei na Globo. Depois, conheci o diretor Roberto Talma, um dos meus mentores…Ele me aconselhou a estudar fora”. E isso que Raul fez. O cineasta se formou na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), em 2000, e desde então, construiu uma vasta carreira na área. Já trabalhou em diversas funções, desde direção a produção e roteiro, em filmes como “Mais Uma História no Rio“, “The Game of Their Lives“, “Turistas” e “O Amor Nos Tempos do Cólera“. Apaixonado pela sétima arte, ele reflete: “Todo mundo tem um fascínio com o cinema. Todos nós já fomos tocados por ele de alguma maneira”

Um conselho para os cineastas que estão começando? Observação. “Seja muito presente em sua vida observando tudo que acontece em sua volta. O que é um filme? Uma história sendo contada. Para contá-la, você precisa senti-la e imaginá-la quando escrever, e realmente passar essa realidade para quem estiver assistindo. Anda pela rua, imagina essas pessoas, quem são elas, como elas vivem, como são em casa. O grande segredo é o foco no humano, no personagem, ele precisa ser complexo, como todos nós somos”, completou.

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