Teatro & Pensata

Nicette Bruno completa 70 anos de carreira, relembra personagens marcantes e conta seu amor pela arte: “Eu nem percebi que esse tempo todo passou”

Apesar da dificuldade de se fazer arte do Brasil em tempos de crise, a atriz disse que segue com planos para a carreira profissional. Sem previsão de parar, Nicette afirmou que quer sempre mais. " Sigo minha vida desejando cada vez mais trabalho, desafios e personagens"

Publicado em 30/01/2017 | Por Julia Pimentel

Uma dama, uma enciclopédia do teatro e uma fofura. Essa é Nicette Bruno que, na última semana, foi homenageada no Prêmio Cesgranrio de Teatro pelos seus 70 anos de carreira. A atriz, que coleciona personagens memoráveis nos palcos e nas telinhas, comemorou a chegada aos 84 anos com tanta alegria, disposição, sabedoria e muita história para contar. Sobre essa passagem de tempo, mais precisamente de sete décadas dedicadas à arte nacional, Nicette revelou que nem sentiu o passar dos anos. Apaixonada por seu ofício, a atriz é a tradução daquela máxima que diz que, quando o trabalho é feito com amor, não é obrigação, é diversão e felicidade. “Eu nem percebi que esse tempo todo passou. Eu sempre fiz teatro com muito amor e, quando isso acontece, a gente não sente o passar dos anos”, disse.

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Paulo Goulart Filho, Beth Goulart, Nicette Bruno e Barbara Bruno no 4º Prêmio Cesgranrio de Teatro (Foto: Eny Miranda)

Testemunha das mudanças desta arte, Nicette Bruno acompanhou de perto as novidades que marcaram o cenário cultural do Brasil nos últimos anos. Segundo ela, o teatro, hoje, é uma figura humanizada em sua vida, na qual ela vê o crescimento e as transformações como se fosse um filho ou um amigo. “Desde 1947, eu venho acompanhando todo o processo evolutivo e difícil do teatro, desde o passado até hoje em dia. É como se fosse uma vida que eu acompanho. E eu me sinto fortalecida por ter visto tudo isso de perto”, apontou.

Experiente, no melhor sentido da palavra, a atriz é uma enciclopédia do teatro. Nos palcos da vida, Nicette Bruno já foi responsável por interpretar personagens dramáticos, românticos e engraçados. Sem conseguir apontar apenas um papel que tenha marcado seus 70 brilhantes anos de carreira, a atriz relembrou alguns espetáculos memoráveis. “Quando a gente faz qualquer tipo de arte, todo personagem tem uma importância vital para a carreira do ator. Então, é difícil destacar apenas um. O que acontece é que alguns papéis te dão respostas maiores e melhores, como foi o caso de ‘Os efeitos dos raios gama nas margaridas do campo’, que foi um momento extraordinário para mim como atriz. Outro espetáculo deslumbrante foi ‘Dona Rosita, a Solteira’, de Frederico García Lorca, e ‘A Megera Domada’, de Shakespeare, que foi um momento único. Agora eu estou fazendo um espetáculo que também está me dando uma satisfação muito grande chamado ‘O que terá acontecido a Baby Jane’. Ou seja, cada espetáculo e cada personagem nos transmitem algum tipo de conhecimento e nos fortalece como interpretes e como pessoas. Por isso, eu agradeço a cada um deles a grandiosidade que transmitiram para mim para eu melhorar como ser humano”, comemorou.

Carlos Alberto Serpa de Oliveira, presidente da Fundação Cesgranrio, entregou uma medalha à  Nicette Bruno pela carreira (Foto: Eny Miranda)

Conhecedora, testemunha e participante fiel do teatro brasileiro, Nicette Bruno não escondeu a preocupação quando o assunto é o momento atual desta arte. Em função da grave crise que ainda assombra o país, a atriz afirmou que está ainda mais difícil promover cultura e realizar sua paixão em solo tupiniquim. “Nós estamos passando por um momento muito delicado das artes de uma maneira geral. Então, nós estamos firmemente dando a volta por cima em um sentido de resistência. Estamos fazendo a nossa parte e esperando que este momento de crise geral passe e o teatro reconquiste o seu verdadeiro lugar”, analisou Nicette que afirmou nunca desistir do teatro. “O amor fortalece e, quando você faz o que ama, fica ainda mais forte. E eu sou assim, sigo minha vida desejando cada vez mais trabalho, desafios e personagens”, completou. Vida longa, Nicette!

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