Teatro & Pensata

Myra Ruiz se prepara para dar vida a Elphaba de “Wicked” e fala da resistência às peças made in Broadway: “Essa rivalidade não me afeta”

A atriz, que chamou atenção ao viver a prostituta Sarraghina em “Nine”, contou que pensa em fazer carreira no cinema e na televisão e que já até recebeu convites. “Mas 'Wicked' surgiu ao mesmo tempo e tive que fazer uma escolha. E, neste momento, nada superaria viver este papel”

Publicado em 06/02/2016 | Por Karina Kuperman

Em outubro do ano passado, no auge do burburinho sobre a peça “Nine – Um musical Felliniano”, de Charles Möeller e Claudio Botelho, Myra Ruiz, que vivia a prostituta Sarraghina, nos contou, em um bate-papo exclusivo, que sua interpretação da personagem era totalmente diferente das anteriores e comemorou o fato de Mario Fratti, criador do musical original, ter elogiado sua atuação. Então, se em “Nine” ela foi destaque com uma Sarraghina sensual, na montagem brasileira de “Wicked”, que estreia no dia 04 de março – como já havíamos adiantado aqui, a tendência é ladeira acima. Myra viverá Elphaba, a bruxa malvada do Oeste, e mal vê a hora de subir aos palcos. “Estou muito feliz. Elphaba é um papel icônico da Broadway. É uma responsabilidade enorme e um presente que a vida me deu. Sei que vou crescer muito como atriz e como pessoa vivendo essa experiência”, disse a HT em entrevista exclusiva.

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A atriz tem se preparado intensamente para dar vida a Elphaba (Foto: Divulgação)

Ela, que foi convidada para um teste de mais de sete etapas de audições com uma plateia que incluía diretores brasileiros e americanos para viver a bruxa má do Oeste, sabe do desafio que tem nas mãos. “A Elphaba é considerada a personagem mais difícil da Broadway. Exige uma capacidade vocal grande, há vários números grandiosos. Exige também muita sensibilidade na atuação para trazer todos os lados da personagem, que, ao mesmo tempo, é tão forte e às vezes tão vulnerável. E muita estamina para segurar tudo isso nas sete sessões por semana, em que eu praticamente não saio do palco. É sem dúvida o maior desafio dos musicais para uma atriz”, analisou que renova sua parceira com a T4F – responsável pelo espetáculo. “Eu já tinha trabalhado com eles em ‘Mamma Mia!’. Aliás, foi meu primeiro musical, aos 17 anos. A diretora de elenco que me chamou para audicionar para Elphaba e já me conhecia de outros espetáculos e testes, sabia o meu tipo de voz e meu perfil. Enfim, eu estava dentro do que eles procuravam para o papel, mas o processo envolveu mais de sete etapas de audição”, lembrou.

O objetivo de Myra, agora, é manter o nível de atuação e de resposta da crítica especializada na ribalta. “A gente sempre coloca um pouco de nós em qualquer personagem, mas eu procuro ser muito fiel ao que os diretores acham que funciona. É uma personagem que já faz parte do imaginário coletivo das pessoas que gostam de musicais, mas o desafio é trazer algo novo”, disse ela, que chegou a assistir ao musical na Broadway seis vezes. “A primeira foi aos 16 anos quando fui estudar teatro musical em Nova York. ‘Wicked’ me deu certeza de que estava fazendo a escolha certa”, declarou.

E se ela caiu em emoção todas as vezes em que assistiu, interpretando – garantiu – não será diferente. “O elenco brasileiro é muito intenso e passional. Nos emocionamos diariamente nos ensaios. A Elphaba é uma garota jovem, mas que carrega uma bagagem grande. Ela tenta com todas as forças fazer a coisa certa, sempre com esperança. Mas, como toda peça bem escrita, ela tem um arco enorme e passa por muitos desafios e frustrações”, explicou, defendendo que sua “bruxa má do Oeste” não é uma vilã. “Quem for assistir Wicked vai ver que a questão de mocinha ou vilã vai sendo revista ao longo espetáculo. As pessoas podem mudar ao conhecer e conviver umas com as outras. Nenhum personagem da história é 100% vilão ou mocinho. E isso que torna tudo tão interessante e imprevisível. Mas não posso contar mais que isso”, adiantou.

Formada em balé clássico, a atriz não chega a dançar no espetáculo, mas sabe que a dança lhe dá uma boa ajuda. “No caso da Elphaba não uso exatamente do balé mas, com certeza, uso a consciência corporal que a dança me deu para compor a personagem. Ela é forte, mas ao mesmo tempo é desengonçada às vezes, e ela vai mudando e ganhando força ao longo da peça”, disse. Que superpoder será que a intérprete de Elphaba gostaria de ter? “De aprender tudo que eu quisesse magicamente rápido e com muita eficiência”, revelou. Ok, mas aproveitando o gancho de um espetáculo cheio de encanto, se pudesse fazer uma poção mágica, para quem você serviria, Myra? “Vou ser piegas aqui, mas seria uma poção para que as pessoas perdessem o preconceito com quem é diferente de qualquer maneira. Acho que esse é um grande nó da humanidade”, rebateu.

Myra, em seu segundo grande papel, sabe que existe, ainda, no meio, um certo “pré-conceito” com produções internacionais, mas considera tudo uma “grande bobagem”. “Existe espaço e público para todo tipo de produção. As pessoas vão ficar felizes vendo bons musicais. Ponto. Muita gente sonha em ver um grande musical da Broadway e não tem condições de viajar para Nova York. Por que não trazer para o Brasil? Eu como atriz me sinto feliz fazendo peças nacionais ou internacionais. E também como público vou ver as duas. Essa rivalidade não me afeta e não gosto de incentivá-la. Quem ganha com isso?”, questionou.

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(Foto: Divulgação)

Habitué dos palcos e do meio teatral, ela sabe que, apesar de tanto sucesso em pouco tempo, é difícil trabalhar com arte no Brasil. “Eu amo o que eu faço e posso dizer que tenho tido muita sorte desde que comecei. Tenho trabalhado em produções bacanas, feito papéis lindos. Espero conseguir sempre manter esse ritmo grande. Acho que o que sempre assusta o artista é ficar sem trabalhar, é ficar longe do palco. Eu odeio. Lógico que é bom tirar férias de vez em quando, mas não quero ficar parada nunca”, declarou.

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(Foto: Divulgação)

Serviço:

Wicked Brasil
Teatro Renault
Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – República, São Paulo – SP
Estréia: 04 de março
Produção: Time 4 Fun

 

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