Teatro & Pensata

Grupo teatral Impulso Coletivo apresenta Vala Comum, um espetáculo imersivo que critica a violência e a opressão do dia a dia

“Basicamente a gente quer falar sobre opressão. Sobre as diferentes formas do estado de oprimir a sociedade”, diz Thiago Teófilo, idealizador, coordenador e ator do projeto, que se passa em uma casa na Tijuca com lotação máxima de 15 espectadores

Publicado em 17/12/2018 | Por Junior de Paula

*Por Isabel Lemos

A peça Vala Comum, com direção de Ivan Sugahara e dramaturgia de Carolina Lavigne encerra sua temporada na próxima semana no Rio e é uma experiência provocadora ao público. Através da comparação das relações humanas com a carne, o grupo Impulso Coletivo faz sua montagem inaugural com uma crítica às situações cotidianas de violência e opressão. Em uma casa na Tijuca, Zona Norte do Rio, a peça itinerante faz a história acontecer em diversos cômodos do ambiente. Além disso, ela coloca o espectador para vivenciar situações comuns do cotidiano, como tiroteios, a superlotação nos transportes público, comparando com a vida apertada nos currais, o processo de fertilização da vaca até o abate do bezerro, entre outros. A concepção da peça em relação à vida e à morte foi inspirada no livro “Necropolítica”, de Achille Mbembe. O objetivo é promover uma inquietação.

A relação com a carne transforma o local em uma espécie de “museu da carne sobre a opressão do Estado”. Para o idealizador, coordenador e também um dos atores do projeto, Thiago Teófilo, a conversa com o alimento foi fundamental. “A carne é um elemento muito forte. A gente entendeu que o processo da sua produção vem do nascimento do gado até a morte e o consumo pelos seres humanos. Isso também era uma metáfora muito forte em questão de opressão. Como as diferentes formas de oprimir também tem diferentes formas de matar o gado. A gente oprime e a gente é opressor ao mesmo tempo.” explica o ator.

O grupo “Impulso Coletivo” é composto por jovens atores recém-formados em Artes Cênicas pela CAL, Casa das Artes de Laranjeiras. O elenco conta com nove artistas com uma diversidade expressiva e representativa. São eles: Thiago Teófilo, Gaia Garcia, Maria Cândida Portugal, Mariana Pompeu, Mariana Votto, Nilson Gómez, Paloma Ripper e Vinícius Fragoso, Vinícius Terres. Segundo Thiago, eles queriam dar voz à sua geração. “A gente sentiu que tava todo mundo em um momento de querer mudar. Em um momento político muito forte. Tinha uma necessidade de falar sobre isso”.

O diretor Ivan Sugahara conta um pouco sobre como surgiu a ideia da peça. “Estamos vivendo um momento histórico assustador, de ascensão do fascismo, de propagação do ódio e da violência, de acirramento de preconceitos, de intolerância. Por outro lado, vemos um crescente engajamento político dos jovens, o empoderamento das militâncias negra, feminista e LGBT e uma grande parcela da sociedade se conscientizando da necessidade de resistir e lutar pela preservação da democracia, por igualdade, justiça, liberdade, e de fazê-lo com afeto. Essas duas facetas dos dias de hoje estão em VALA COMUM”, resume.

Para Thiago, o maior desafio como ator é voltar para casa bem com ele mesmo. “A gente está falando de temas muito fortes. Tem uma energia muito pesada. A peça tem uma carga energética muito intensa. Tanto a morte, tanto a violência, quanto a opressão. Mas é necessária também, eu diria que  me faz refletir sobre o meu papel na sociedade”, enfatiza.

Além de todo diferencial da peça, ela ainda conta com mais situações pouco comuns. O endereço não é divulgado previamente pela produção e o valor do espetáculo não é definido, é cobrado uma “contribuição consciente”, cada um paga o quanto acredita. Também há um limite de 15 pessoas por sessão devido à locomoção do público e ao pequeno espaço de alguns cômodos.
Em cartaz de quinta à segunda, às 19h30, até o dia 23 de dezembro, as informações e reservas podem ser feitas através do whatsapp (21) 98601-0715. Também é possível contribuir para a peça através do site “vakinha online” (https://www.vakinha.com.br/vaquinha/vala-comum) até o último dia de espetáculo.

VALA COMUM

HORÁRIO: de quinta à segunda às 19h30
INGRESSOS: contribuição consciente
DURAÇÃO: 80 min
CLASSIFICAÇÃO: 16 anos
TEMPORADA: de 3 de novembro a 23 de dezembro
LOTAÇÃO: 15 pessoas
LOCAL: Casa da Tijuca (endereço não informado previamente pela produção)
Informações e reservas pelo whatsapp (21) 98601-0715

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