Teatro & Pensata

Ex-‘Casseta’ Marcelo Madureira leva aos palcos quatro Youtubers com cerca de 1.6 milhão de seguidores

Comédia ‘Reféns’, que será apresentada no sábado (dia 1º), é a primeira peça do coletivo Canal Ixi, de Alan Ribeiro, Cezar Maracujá, Isaú Junior e Leo Negresco, e faz humor rasgado com clichês dos dramas americanos. "Eles vieram com a ideia de fazer stand-up comedy, mas eu os desafiei a criar algo diferente. Qualquer um que não quer estudar faz isso", dispara Madureira

Publicado em 31/05/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Jeff Lessa

Mais de oito anos de apresentações na internet e cerca de um milhão e seiscentos mil seguidores. Os números mostraram que já estava mais que na hora de os rapazes do Ixi, um dos canais de humor mais festejados do YouTube, se apresentarem ao vivo. Pois é isso que eles farão neste sábado (dia 1º) pela primeira vez no Teatro Nathalia Timberg, com a comédia “Reféns”. Estrelada por Alan Ribeiro, Cezar Maracujá, Isaú Junior e Leo Negresco, criadores, redatores, diretores e astros do canal, a peça conta com direção geral do ex-“Casseta & Planeta UrgenteMarcelo Madureira e realização da produtora Flocks.

Cezar Maracujá, Alan Ribeiro, Isaú Junior e Leo Negresco formam o coletivo de comediantes Ixi (Foto: Divulgação)

Vamos ao enredo. “Reféns” brinca com aqueles manjadíssimos filmes e séries americanos em que um assalto sai de controle e se transforma num sequestro. Quatro bandidos tentam roubar um banco mas, é claro, falham retumbantemente. De erro em erro, se desesperam e acreditam que a saída é sequestrar… a plateia. “Prefiro chamá-los de anti-heróis. Eles não são maus, querem se dar bem, mas são muito atrapalhados”, explica o ator Alan Ribeiro. Bandidos ou anti-heróis, é desse clichê que surge o humor de “Reféns”. Estão lá a mãe do sequestrador preocupada com o filho, o ladrão nervoso, o prédio cercado por policiais, as armas, o negociador – enfim, os tipos consagrados pelas boas e velhas histórias do gênero.

Os fãs fiéis, que não perdem os esquetes do Ixi no YouTube, vão gostar de saber que seus personagens favoritos participam da trama. Dentinho, conhecido por ser dono de várias empresas em que é o único funcionário, é um deles. “Colocamos os nossos personagens mais populares na peça. Acho que o público do canal vai adorar vê-los em cena. E quem não conhece vai se divertir”, aposta Cezar Maracujá, que, além de atuar no Ixi, integra o time de comediantes do Parafernalha, outro canal de humor popular no YouTube.

O diretor Marcelo Madureira se derrete. “São jovens na faixa dos 30, começaram com vinte e poucos anos. São super engraçados. Estão sempre criando novos personagens e têm um domínio impressionante da cultura popular”, elogia. “Costumo dizer que o Ixi é o ‘Porta dos Fundos’ suburbano, pois todos vêm de Realengo, do Engenho de Dentro, por aí. Os dois coletivos, aliás, já trabalharam juntos e o resultado foi excelente. Eles se complementam”.

Marcelo Madureira assume a direção do espetáculo (Foto: Divulgação)

Quando procurou Madureira com a ideia de montar uma peça de teatro, o povo do Ixi tinha imaginado uma comédia em moldes menos ousados. “Eles vieram com a ideia de fazer stand-up comedy, mas eu os desafiei a criar algo diferente. Qualquer um que não quer estudar faz isso. A maior parte desses artistas não tem talento, infelizmente. E eles têm. Rapidamente voltaram com a ideia do sequestro. O texto é leve e engraçado, pois são ótimos redatores”, elogia o diretor. “Como atores, são autodidatas, aprendem observando. São intuitivos e têm uma capacidade de aprendizado impressionante”.

Esse lembra, em alguns aspectos, o caminho trilhado pelo próprio Madureira. Em 1978, enquanto cursava a faculdade de engenharia de produção na UFRJ, ele se juntou a quatro colegas para publicar o tabloide cômico “Casseta Popular”. Em 1992, ao se fundir com o “Planeta Diário”, jornal que tinha um humor parecido, formou-se a revista “Casseta & Planeta”. No mesmo ano, quando a turma da revista foi contratada pela Globo para criar o programa “Casseta & Planeta Urgente”, Madureira precisou encarar as câmeras. O programa fez tanto sucesso que ficou no ar por 18 anos. “E eu aprendi a ser ator, né? Olha que toda a minha formação é de engenheiro”, diverte-se Madureira, que chegou a trabalhar no Departamento de Planejamento do BNDES.

Mas nem todos têm essa verve artística escondida, esperando apenas ser descoberta. Talvez você esteja se perguntando sobre a possibilidade de rolar número de plateia, técnica que se popularizou nos anos 1980 em que um espectador era escolhido para contracenar com os atores. Para os tímidos, descobrir no meio do espetáculo que poderia ser arrancado de sua cadeira a qualquer momento e acabar no palco costumava ser um suplício. “De jeito nenhum. Jogar o humor para cima do espectador é uma grosseria terrível. O público não vai ao teatro para ficar tenso, não está ali para isso”, afirma Marcelo Madureira. “Todo a peça gira em torno dos atores e só dos atores. Quando um deles interage com a plateia, está atuando com alguém ‘plantado’ ali, com outro ator”.

Ufa! Bom espetáculo!

SERVIÇO

Teatro Nathalia Timberg. Freeway Center: Av. das Américas 2.000, Barra – 2442-5188

Sábado (1º de junho), às 20h (única apresentação)

R$ 50 e R$ 25 (meia-entrada)

Classificação: 16 anos

70 minutos

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