Teatro & Pensata

Adassa Martins vive ativista Malala Yousafzai e diz: “A peça lida com questões urgentes, graves e para crianças”

Com foco no poder transformador da educação, o espetáculo “Malala, a menina que queria ir para a escola” estará de volta ao Rio, a partir de amanhã, dia 20, no palco do Teatro Prudential, e conversamos com a protagonista da peça sobre a inspiração de vida e a reação das crianças a respeito da jovem paquistanesa que recebeu o Nobel da Paz

Publicado em 19/07/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Domênica Soares

A ativista paquistanesa Malala Yousafzai, símbolo de lutas contra a intolerância e defesa dos direitos humanos, é uma grande lutadora pelos direitos das mulheres, e também sempre atuou em defesa da educação. Sua história é conhecida no mundo todo, devido à extrema importância social e, em 2014, recebeu o Nobel da Paz, o que fez dela a pessoa mais jovem a receber o prêmio. Sua trajetória como ativista começou cedo e, hoje, com 22 anos carrega três prêmios na bagagem. Passar o conhecimento e aprendizado dessa guerreira é extremamente necessário para a construção de uma personalidade consciente, principalmente para as crianças. Pensando nisso, o espetáculo “Malala, a menina que queria ir para a escola” estará, a partir de amanhã, dia 20, no palco do Teatro Prudential e pretende inspirar ainda mais o público. A história conta a trajetória de uma jornalista curiosa e desbravadora que atravessa o mundo para entender o que de fato aconteceu com a jovem Malala, dias depois do atentado à vida por membros do Talibã, por ela defender o direito de meninas à educação.

‘Malala a menina que queria ir para a escola” (Foto: Ricardo Borges)

Adassa Martins, protagonista da peça, interpretando a jovem batalhadora, Malala, comenta que é muito grata por poder fazer parte desse ensinamento por meio de uma peça que aborda assuntos tão extraordinários, mas com um direcionamento para o público infantil. “É uma peça que lida com questões urgentes, graves, e para crianças. Foi um desafio encontrar essa equação, que resultou num trabalho envolvente, lúdico e forte. Com certeza fazer o papel título é algo desafiador e que me deixa também muito honrada. Malala é um espetáculo que traz questões fundamentais. Em tempos em que é cada vez mais necessário que sejam levantados temas como educação, direito à infância, liberdade, igualdade de gênero, essa peça se faz contundente e muito necessária. O fato de se tratar de um espetáculo destinado ao público infanto-juvenil é fundamental no meu ponto de vista, para que a resistência e a consciência se façam desde cedo”, relata Adassa Martins.

Adassa Martins em cena de ‘Malala’ (Foto: Ricardo Borges)

A atriz conta que o texto é uma adaptação do livro-doc da premiada jornalista e escritora Adriana Carranca e as canções originais assinadas por Adriana Calcanhotto. Além disso, ela frisa que transmitir isso tudo para um público infantil e jovem foi um grande desafio pelo qual teve que passar, mas que tudo foi bem idealizado e com uma direção que sabe ser transformadora. “A direção do Renato Carrera é muito divertida e envolvente, sem omitir fatos ou privar as crianças de entrarem em contato com uma história muito forte e real, necessária para os dias em que vivemos de desmonte da educação e dos direitos humanos”. Ela ainda complementa que todo o processo de estudo sobre a temática foi feito com todos do elenco a partir de leituras, documentários e entrevistas para que estivessem ainda mais conectados com a realidade da jovem paquistanesa e que também fossem capaz de aproximar e criar paralelos com a realidade brasileira.

Peça conta a história de Malala e da sua luta pelos direitos humanos (Foto: Ricardo Borges)

Em tempos difíceis é necessário multiplicar as vozes da resistência, como a de Malala, e levar esse conteúdo para as crianças é um aspecto importante, porque o despertar da consciência e resistência começam a acontecer desde o início da vida e da construção da personalidade de cada um. Ela conta que as crianças que assistem a peça e já conhecem a Malala, aprendem na escola, mas que em contraponto, muitas delas não fazem ideia do que seja. Outro objetivo da construção histórica é de instigar os professores a levarem esse conteúdo para as salas de aula. E, analisando mais a fundo o ensino nas escolas brasileiras, a atriz comenta: “É condizente com a sociedade que somos, sem conhecimento histórico, sem valorização dos povos originários e da cultura popular, com um olhar que mantém a colonização branca, eurocêntrica, patriarcal e heteronormativa”.

A atriz fala sobre rumos da educação do Brasil e o que deveria ser melhorado (Foto: Ricardo Borges)

Adassa Martins conta que sempre se interessou por papéis com esse cunho histórico e de relevância e cita alguns trabalhos que já fez: “Sinfonia Sonho” e “Concreto Armado” do Teatro Inominável, que falam sobre violência contra crianças e nossa cidade e população do Rio em ano de Copa do Mundo. “Se eu fosse Iracema”, uma peça que reflete a questão indígena no Brasil; “Rio Diversidade”, um trabalho sobre diversidade sexual e de gênero; “As mil e uma noites” com o Teatro Voador Não Identificado numa reunião de literatura e pensamento sobre a situação dos refugiados árabes no Brasil; e, mais recentemente, o “Sob Pressão”, uma série que questiona a situação real da saúde pública no Brasil’. A protagonista explica que o papel no qual interpreta Malala, completa essa trajetória e a deixa com cada vez mais orgulho e vontade de fazer diferente para atingir a consciência dentro da mente de cada um.

Serviço:

 Espetáculo: “Malala, a menina que queria ir para a escola”

Local: Teatro Prudential

Endereço: Rua do Russel, 804 – Glória, Rio de Janeiro – RJ

Temporada: 20 de julho a 11 de agosto de 2019

Horários: sábados e domingos, às 15h.

Ingressos: R$ 70 inteira, R$ 35 meia-entrada

Informações:  (21) 2558-3862

Ficha técnica

 “Malala, a menina que queria ir para a escola”

de Adriana Carranca

Adaptação: Rafael Souza-Ribeiro

Direção: Renato Carrera

Canções Originais: Adriana Calcanhotto

Elenco: Adassa Martins, Dulce Penna, Fernanda Sal, Ivson Rainero, José Karini, Ricardo Lopes, Patrícia Garcia e Tatiana Quadros & o músico Adriano Sampaio com percussão original.

Assistente de Direção: Joana Cabral

Cenário: Daniel de Jesus

Figurino: Flavio Souza

Iluminação: Alessandro Boschini

Direção Musical: Lúcio Zandonadi

Direção de Movimento e Coreografia: Sueli Guerra

Preparação Corporal: Edgy Pegoretti

Projeções e Videoinstalação: VJ Vigas

Preparação Vocal: Danielly Souza

Desenho de Som: João Gabriel Mattos

Ilustração: Bruna Assis Brasil

Programação Visual: Daniel de Jesus

Fotos de Divulgação: Ricardo Borges

Mídias Sociais: Ana Righi

Produção Executiva: Beta Schneider

Gestão Financeira e Gerência de Projeto: Natalia Simonete

Direção de Produção: Alessandra Reis

Idealização: Tatiana Quadros

 

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