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Rapper Dughettu, que estará no Rock in Rio, lança novo clipe e fala sobre carreira, conexão e pertencimento

“Sou Madu”, lançado pela Universal Music, exalta o bairro de Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e ecoa o orgulho da população de pertencimento de suas origens

Publicado em 15/08/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Domênica Soares

Marcello Ferreira da Silva, mais conhecido como Dughettu é rapper, produtor, compositor e empresário, e sempre faz questão de enaltecer a cultura periférica da cidade do Rio de Janeiro. O single “Sou Madu“, que é interpretado por ele, Lucas Hawkin, P-troleo, King e DuBrown, promete representar a Zona Norte com homenagens a seus moradores e dando ainda mais valor à cultura e identidade local. Segundo o cantor, a ideia do clipe surgiu a partir do desejo de conectar a cena e mostrar força de uma nova era de artistas e criativos que estão revolucionando a cultura e o comportamento. “Tentei fazer um recorte estético e sonoro de 30 anos do subúrbio, usando Madureira como esse pólo representativo que coincidentemente conectou com 30 anos de um ícone do bairro que é o shopping de Madureira”. Os três rappers ainda foram selecionados para o line up do Rock in Rio no Espaço Favela, nova área do festival que celebra a diversidade artística da cidade. 

Dughettu é rapper, produtor, compositor e empresário, e sempre faz questão de enaltecer a cultura periférica da cidade do Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)

O projeto “Sou Madu” surgiu de uma collab entre a Duto, produtora sediada na região que é dedicada à música urbana, e a produtora Matilha. Para complementar a cena, o single contou também com a participação dos dançarinos Lucas dos Santos, Leonardo de Moura e Fábio Junior, além de influenciadores da região: Andre Damião, Lorenna, Diego Esnat, Mel Oliveira, Thaís Custtodio, Flávia Anastácia e Yris Araujo, para dar ainda mais propriedade ao clipe. Para Dughettu, Madureira é um dos símbolos do hype criativo atual. “Os subúrbios do mundo estão vivenciando uma revolução estética, sonora e visual. Artistas, músicos, designers de moda e criativos em geral, oriundos destes espaços, estão mudando a maneira como os guetos são vistos, construindo assim uma nova visão que coloca esses espaços num lugar de potência e não mais de falta”, conta.

Segundo o artista, é fundamental exaltar e destacar os lugares que viveu, com o objetivo de construir memória afetiva, o que é parte de um processo de consciência. Para além disso diz que nesse cenário, a música e o audiovisual são parte desse processo e neste momento em que ambos estão a serviço de valorizar a cultura, gerar reflexões e promover mudanças, ele se justifica por si só. “O clipe é uma visão contemporânea, um chamado, uma convocação pra ir à frente e acreditar no que olhos dos homens não conseguem ver. Ele puro, raro, sagrado, divino e santificado. Ele é um sinal que a nova era já chegou”, declara.

Questionador, inquieto e vibrante, sua voz grave é um marcante elemento de sua figura (Foto: Divulgação)

Em entrevista exclusiva ao site Heloisa Tolipan, o artista que busca levar amor, crença e fé com suas produções musicais, faz uma breve análise sobre as relações atuais das pessoas com seus legítimos lugares de raiz e diz que essa questão é um pouco complexa. Na sua opinião, pelo viés afetivo, ele percebe que as pessoas são vinculadas, mas não presas aos lugares. “Existe um universo de possibilidades e experiências que se apresentam diante das pessoas. Alguns vivem isso localmente, outros digitalmente e ainda têm aqueles que expandem geograficamente seus movimentos. O fato é que, no fim, todos sentam juntos para bater um papo no mesmo lugar e percebem que apesar da vida pessoal diferente, estamos todos conectados ao ponto de partida”. O rapper brinca dizendo que sua história no gênero musical começou desde que ele nasceu, mas que na época o nome não era esse. O artista divide também que em sua vida sempre foi uma pessoa expansiva, inquieta e entusiasta e o rap se tornou em sua trajetória um ambiente de pertencimento social em que ele se conectou com o movimento como artista. 

Sobre o cenário do rap atual no Brasil, ele fala que prefere não analisar porque ao dar uma opinião analítica sobre o assunto é estar disposto a entrar em uma grande discussão digital sem fim. Ainda deixa clara que o rap é um tema muito delicado, porque existem crenças e verdades muito diferentes sobre ele. “Existe uma ideia de movimento que se manifesta pela música, poesia, ativismo, que se cruzou com os outras expressões artísticas como dança e arte fazendo nascer o hip hop. Mas, no fundo, ele é uma grande entidade que tem seus códigos, representantes, pensamentos e crenças e que chama atenção para um gama de artistas e empreendedores das periferias, favelas e subúrbios do Brasil. Se o hip é incrível o rap é incrível ao quadrado”, conta.

Dughettu conta um pouco de suas inspirações e detalhadamente e cita diferentes personalidades para cada universo com o qual se conecta. Na música Jay Z, na moda Coco Chanel, na gastronomia sua tia Neide, no cinema Tarantino, na fé Jesus Cristo, na literatura Mandela, na liderança Barack Obama e na TV Jimmy Fallon. Tudo isso mostra o quanto ele é conectado com o universo e sempre ligado às novidades, independente do cenário do rap.

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