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Presente em cinco países do mundo, o clube de jazz nova-iorquino Blue Note inaugura no Rio de Janeiro sob licença de Luiz Calainho: “Um privilégio”

Depois de um ano de negociação, o empresário se tornou detentor da licença do Blue Note no Brasil e, além de inaugurar a filial do Rio de Janeiro, a primeira do Hemisfério Sul, também planeja abrir em São Paulo e Recife. Para a capital paulistana, a previsão é junho de 2018 e, para o Nordeste, janeiro de 2019

Publicado em 24/08/2017 | Por Julia Pimentel

Para os amantes de música de excelência, uma ótima novidade. Para os apaixonados por jazz e blues, uma realização. No final deste mês, dia 30, Luiz Calainho inaugura o primeiro Blue Note do Hemisfério Sul no Rio de Janeiro, na Lagoa. O famoso clube nova-iorquino, com filiais em quatro países, além dos Estados Unidos, chega ao Brasil ainda mais interessante. Mais do que ser o centro da música de excelência, como o tornou conhecido mundialmente, a versão tupiniquim ainda será mais a nossa cara. De acordo com Luiz Calainho, empresário carioca responsável por diversos projetos culturais na cidade, inclusive o Blue Note, o Brasil será o primeiro país a ter a autonomia de assinar sua própria programação.

Luiz Calainho é o nome por trás da inauguração do Blue Note no Rio de Janeiro e, futuramente, em São Paulo e Recife (Foto: Tomas Rangel)

Sendo assim, mais do que um encontro de jazz e blues, o Blue Note carioca será um espaço para receber os melhores artistas do mundo. Na programação que, apesar da autonomia de Luiz Calainho é toda decidida em parceria com os fundadores do clube direto de Nova York, nomes como Chick Corea e Steve Gadd Band, Sergio Mendes, Baby do Brasil e Maceo Parker já estão confirmados. “Apesar do clube ter a alma de jazz, nós acreditamos que o Blue Note seja um lugar de música de excelência. O Brasil é um dos países mais musicais do mundo e nós quisemos fazer algo único. Então, no clube do Rio nós vamos fusionar o clássico do jazz e blues com o melhor da música brasileira”, contou Calainho que disse que esta proposta brasileira entusiasmou os fundadores do Blue Note. “Eles nos deram a chance de fazer a nossa própria programação, o que será exclusividade entre todas as outras filiais pelo mundo. Os norte-americanos querem que o clube daqui faça uma aproximação entre a música internacional da brasileira, e apostaram na gente para isso”, explicou.

E a mistura já tem garantia de sucesso. Com curadoria de André Oliveira, Luiz Calainho não escondeu a euforia com o novo projeto. O empresário que, após uma crescente carreira na Sony Music agora se dedica a sua própria produtora, a L21, é conhecedor íntimo da combinação negócios e arte no Brasil, em especial no Rio de Janeiro. “É um privilégio estar trazendo o Blue Note para o Brasil. É um clube famoso no mundo todo e que por muitos anos eu frequentei bastante. Eu sempre entendi que uma casa como essa seria um sucesso por aqui. Há um ano, eu entendi que era o momento de investir nesta ideia e começamos as negociações”, disse o empresário sobre o processo que, como apontou, deu bastante trabalho. Mas o resultado compensou. Agora, Luiz Calainho é detentor da licença do Blue Note no Brasil e, além de inaugurar a filial do Rio de Janeiro, a primeira do Hemisfério Sul, também planeja abrir em São Paulo e Recife. Para a capital paulistana, a previsão é junho de 2018 e, para o Nordeste, janeiro de 2019.

Projeto em 3D do Blue Note do Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)

Em comum, além do conceito de música de excelência e da mistura de jazz, blues e ritmos brasileiros, todos os clubes brasileiros manterão o padrão intimista do Blue Note. No Rio de Janeiro, a casa inaugura dia 30 de agosto no complexo do Lagoon, na Zona Sul da cidade. “Nós teremos capacidade para 350 pessoas porque queremos manter o clima reservado que é padrão a todas as filiais. Quando nós procuramos pelo espaço, privilegiamos não só esta ideia como a proposta de vista para a cidade também. Sendo assim, do Blue Note carioca será possível contemplar a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Morro Dois Irmãos, o Cristo Redentor e a Pedra da Gávea. Ou seja, além da música, teremos quase todos os principais pontos turísticos da cidade como cenário do clube”, contou Calainho que, como atração complementar ainda irá oferecer a gastronomia assinada pelo chef Pedro de Artagão.

Porém, esse momento de entusiasmo cultural e de negócios de Luiz Calainho vem na contramão do panorama atual do Rio de Janeiro. Hoje, o estado e o município são um dos que mais estão sofrendo com uma economia devastada. No entanto, na opinião do empresário, é preciso fazer para não ser vencido pela crise. “Eu entendo que há uma dificuldade gigantesca e um enorme desafio a ser superado neste momento complicado do Rio. Porém, eu sou um cidadão que, através da minha profissão, busco fazer a minha parte. Eu acho que se a gente não se movimenta e se arrisca em novos negócios e projetos, ficamos em uma situação muito cômoda. Hoje, todas as esferas de nosso país estão com problemas e cabe a nós nos esforçamos para tentar fazer um Brasil melhor”, argumentou o empresário que, neste cenário delicado, reconheceu que a cultura é uma das mais atingidas. “A arte é a primeira a sofrer os impactos de uma crise econômica. Projetos que estavam sendo criados e montados, acabam tendo que ficar em stand by porque não há dinheiro para investir. Mas, do outro lado, temos uma trajetória e uma realidade cultural riquíssima que precisa ser valorizada e explorada. O que há hoje é um grande desafio econômico que, quando superado, permitirá muitos outros trabalhos culturais”, completou.

O Blue Note é um dos mais tradicionais clubes de jazz de Nova York e já está presente em outros quatro países (Foto: Divulgação)

Se o poder público está em crise para a produção cultural, Luiz Calainho contou que a iniciativa privada tem sido uma ótima saída para manter a cena artística ativa. Entre os seus negócios, o empresário carioca é responsável por dois projetos que tem grandes marcas por trás: a Arena Banco Original, que em janeiro deste ano levou música, entretenimento e gastronomia para os cariocas, e o Teatro Riachuelo, na Lapa, que resgatou uma tradicional sala abandonada na cidade. “Cada vez mais nós estamos vendo o interesse das marcas para patrocinarem ideias culturais. Hoje em dia, o meu trabalho também tem sido mostrar a essas empresas a oportunidade de investir em cultura em um projeto que também gere retorno para elas. O resultado tem sido positivo porque os consumidores estão querendo mais do que essas marcas ofereciam antigamente. Até mesmo a publicidade não é mais igual. Então, esse investimento em cultura resulta em um retorno maior da exposição da marca”, explicou Luiz Calainho que acredita que 2018 será um ano melhor para todos com a renovação da presidência e do legislativo.

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