Música & Badalo

“Papo de Música”: jornalista Fabiane Pereira lança programa de entrevistas com cantores brasileiros no Youtube

Adriana Calcanhotto, Roberta Sá, Toni Garrido, Rubel e Buchecha são alguns nomes que marcam presença no programa que estreia hoje (13) e traz um bate papo leve e bem humorado com os artistas nacionais. E o Site HT é parceiro de divulgacão dessa nova empreitada da musa do jornalismo musical carioca

Publicado em 13/11/2018 | Por Anna Castro

*Com Junior de Paula

Todo mundo sabe que no YouTube você encontra qualquer coisa, desde vídeo de culinária até gameplay. Mas a dica do site HT hoje não é qualquer canal: Papo de Música estreia nesta terça-feira (13), idealizado pela jornalista e apresentadora Fabiane Pereira, em parceria com a produtora cultural Andrea Franco, da Xirê Produções e vai trazer música e bom papo para o universo online. Toda terça-feira, portanto, às 21h, uma entrevista exclusiva vai ao ar com uma personalidade do cancioneiro brasileiro, misturando gêneros, sem preconceitos. De Adriana Calcanhotto até Rubel, o programa mostra um lado íntimo e leve, um ótimo programa para se desconectar da vida real e se entregar à arte. E o mais legal? O Site HT vai ser a mídia parceira desse projeto, com o conteúdo sendo reproduzido aqui semanalmente.

Papo de Música nasceu com a proposta de levar pro YouTube entrevistas descontraídas com artistas de todos os gêneros musicais, muito conhecidos ou não. E, com a mão e o cuidado de Fabiane, apresentadora do programa de rádio FARO que, há dez anos, leva pro dial carioca as novidades sonoras da música popular brasileira. “A ideia do canal veio da minha vontade de entrevistar artistas fora do recorte ‘Nova MPB’. Como o FARO tem um conceito estabelecido desde seu surgimento, sentia falta de entrevistar artistas mais populares assim como nomes consagrados. E o Papo de Música é onde converso com todos que admiro, independente do ritmo que represente e do tempo de estrada que ele tenha”, explicou Fabi, em papo exclusivo com o site HT, que estreia com a cantora Roberta Sá. “A escolha se deu por ser uma cantora que eu admiro muitíssimo mas que eu jamais havia entrevistado. Somos da mesma turma, frequento seus shows desde que ela lançou seu primeiro disco, mas por algum motivo não factual eu nunca a havia entrevistado. Também queria estrear com uma mulher, então liguei pra Roberta e fiz o convite. Ela aceitou na hora. E o papo foi delicioso! O papo ficou super afetuoso!”, comentou.

Roberta Sá é a primeira entrevistada do canal Papo de Música, apresentado por Fabiane Pereira (Foto: Divulgação)

Fabiane, que lidera essa iniciativa, tem um longo repertório de trabalhos dentro do mundo da música. A jornalista é apresentadora do programa FARO, transmitido duas vezes por semana na rádio carioca SulAmérica Seguros Paradiso (95.7 FM) e também curadora do Festival FARO, uma extensão do programa. Atualmente também é apresentadora do programa PALCO BRASIL, transmitido semanalmente na rádio lisboeta Marginal FM. Jurada de prêmios e seleções de melhores do ano em vários veículos, curadora e idealizadora do projeto musical-literário Som & Pausa, do projeto TrampoliM. E a lista continua: apresenta o webprograma “Fala-se de Música” no site do Azoofa, escreve sobre música para diversos sites e ainda toca vários outros projetos pela sua empresa, a Valentina Comunicação.

Em um papo intimista, Buchecha conversou com a apresentadora do Papo de Música, Fabiane Pereira (Foto: Divulgação)

Em mais uma empreitada, o canal traz o tom intimista da conversa e promove um ineditismo nas entrevistas e muitos artistas se abrem de um jeito raro. Na estreia, a cantora Roberta Sá conta como a música entrou profissionalmente em sua vida: “Foi graças a um pé na bunda”. Ela também relembra como alguns dos mais consagrados artistas da MPB influenciaram sua formação artística. Já o funkeiro Buchecha , uma das próximas atrações, confessou os momentos em que a visibilidade televisiva foi cansativa e disse ainda que pensou em desistir da carreira após a morte do parceiro Claudinho. Já o papo com Adriana Calcanhotto, no ar dia 27 de novembro, celebra a doce ponte aérea Rio-Lisboa e os atravessamentos artísticos. A cantora ‘revelação do ano’ Duda Beat conta, bem humorada, como foi arrebatada pela música aos 30 anos: “levei tanto fora que precisei fazer arte”. A multitalentosa Letícia Novaes, Rubel e Toni Garrido também já gravaram pro canal. Para entender suas escolhas, sua história, seus caminhos, dores e delícias de se envolver em tantos projetos e estar sempre cercada das melhores mentes criativas do país, o site HT foi conversar com Fabiane sobre o novo projeto e muito mais. Vem ler o o papo abaixo:

Grandes nome da música também estão presentes no Papo de Música, com Fabiane Pereira, como a cantora Adriana Calcanhotto (Foto: Divulgação)

Site Heloisa Tolipan: Como a música entrou na sua vida? 
Fabiane Pereira: Ouço muita música desde criança. Minha mãe sempre foi uma ouvinte apaixonada por rádio e isso me aproximou do universo da canção popular. Meu pai promovia serestas praticamente todos os finais de semana na minha casa e isso também ajudou na minha formação musical. Ganhei muitos vinis quando criança. Tinha uma vitrola no meio da sala, localizada ao lado de uma estante cheia de livros, então este universo musical-literário sempre foi natural pra mim. Ouvi muito Chico Buarque, Elis, Roberto Carlos, Fábio Junior, Emílio Santiago de carona nas audições de minha mãe. Já adolescente, frequentei feiras agropecuárias, evento comum em Volta Redonda e cidades vizinhas, e só ia a estes eventos apenas para assistir aos shows, que na maioria das vezes era de pagode e sertanejo. Decidi fazer jornalismo depois de ver as imagens do Pedro Bial cobrindo a Guerra do Vietnã no final dos anos 80. Queria ser repórter de guerra mas já no 1º período de faculdade fui estagiar em uma gravadora e deste universo não saí mais.

HT: Por que um canal no YouTube?
FP: A ideia do canal veio da vontade de entrevistar artistas fora do recorte “Nova MPB”. Como o FARO, programa que apresentou há sete anos no rádio, tem um conceito estabelecido desde seu surgimento, sentia falta de entrevistar artistas mais populares assim como nomes consagrados. O Papo de Música é onde converso com todos que admiro, independente do gênero musical que represente e do tempo de estrada que tenha.

HT: Você fala e vive de música brasileira. Como vê as críticas de algumas pessoas de que “não se faz mas MPB como antigamente?”
FP: Eu sinceramente nem levo em consideração esse tipo de comentário quando ele vem com um viés pejorativo. De fato, não se faz mais música como antigamente porque estamos em 2018 e a produção musical feita hoje é completamente diferente da realizada há uma década pelo simples fato de termos avançado muito em relação aos aparatos tecnológicos. Para além disso, quem não compreende que o “novo sempre vem” precisa rever, com urgência, seus conceitos.

HT: Quais suas principais apostas musicais? Alguma banda ou cantor pra gente ficar de olho?
FP: Tem tanta gente nova e boa que vale uma audição atenta. Vou indicar apenas uma pra não me estender: Luiza Lian. A cantora paulistana é a artista FARO de novembro, ou seja, a aposta da rádio SulAmérica Paradiso este mês. Ela lançou seu terceiro disco, Azul Moderno, e todas as faixas são lindíssimas.

HT: Quais seus próximos projetos?
FP: Casar, ter três filhos (risos) e lançar “Cais”, meu segundo livro de crônicas escrito durante o período que passei na ponte aérea Rio-Lisboa.

HT: Você passou uma temporada em Portugal. Como é voltar para o Brasil nesse momento?
Eu fui pra Lisboa fazer um mestrado. Fui com datas de ida e volta bem definidas. Apesar do retrocesso assustador que tomou conta do Brasil, eu nasci aqui, eu amo morar aqui, eu trabalho com cultura aqui e não vou me exilar (a menos que seja a única saída) porque um governo autoritário chegou ao poder. Por mais que eu discorde de todas as propostas do governo eleito (democraticamente, diga-se de passagem), voltei de Lisboa com mais vontade de me apropriar do meu lugar de fala e resistir aos ataques brutais contra mulheres, negros, artistas, lgbt’s, imprensa e qualquer outro grupo ‘dito’ minoritário. Eles passarão, nós passarinho, já disse o poeta.

 

Pesquisas relacionadas