Música & Badalo

No “BH Sarará”, capital mineira recebe show de Criolo e rapper é puro amor em meio à Semana de Consciência Negra

Badalação certeira, evento ainda levou ao bucólico Parque das Mangabeiras tribos de todos os tipos que também conferiram o batuque dos tradicionais blocos "Chama o Síndico" e "Baianas Ozadas"

Publicado em 24/11/2014 | Por Alexandre Schnabl

*Por João Ker

Belo Horizonte comemorou em grande estilo a Semana de Consciência Negra, como os mineiros puderam constatar durante este último sábado (22/11) pelo evento “BH Sarará”. No line-up, dois dos melhores blocos de carnaval provam que o feriado também desperta paixão na galera do “uai”: “Baianas Ozadas”, responsável pelos tambores que incendiaram as pessoas ali presentes; e “Chama o Síndico” que, com um repertório todo baseado em músicas de Jorge Ben Jor e Tim Maia, pode ser considerado como o número de abertura perfeito para segurar os ânimos até a atração principal da noite, Criolo. Sim, o rapper paulistano que há menos de um mês lançou o disco “Convoque Seu Buda” (que você viu aqui) já enfiou o pé na estrada e entrou em turnê pelo Brasil para divulgar o sucesso.

O evento transbordava energia positiva por todos os lados e, em partes, esse clima de “paz e amor” à la Woodstock pode ser atribuído ao local escolhido para receber o “BH Sarará”: o Parque das Mangabeiras, que fica alguns quilômetros após a Praça do Papa (ponto turístico imprescindível para quem conhece a capital mineira) e que proporciona um clima de total isolamento entre as montanhas e florestas de Minas Gerais, cercado de matos e colinas por todos os lados, com uma vista que tira o fôlego de qualquer cristão (assim como os morros que dão acesso ao local, mas nisso os locais preferem culpar o sedentarismo mesmo).

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O público, basicamente formado por jovens, compareceu em estilo basicamente similar ao dos cariocas, mas com dose menor de chinelos e shorts curtos: é fato sabido que a noite nas alturas mineiras costuma ventar bastante. Os segmentos também se misturavam, sendo difícil restringir apenas uma tribo em meio à profusão de pessoas: dreads, abas retas, óculos espelhados, saltos altos, tatuagem e black powers se fundiam em uma massa pronta para se divertir ao pôr do sol, sem muitas frescuras ou exigências absurdas.

Em meio à multidão, alguns balões em formato de coração reafirmavam que o clima da noite era de aceitação, mesmo que alguns gatos minguados destinassem pontuais olhares enviesados para o público LGBT e o pessoal da 4:20 (o que, no balanço geral, nem chega a incomodar). É preciso ressaltar que a produção, em um show de eficiência, conseguiu evitar filas enormes, mesmo com o espaço lotado, o que fez a tarde/noite  fluir ainda mais. Luiza Azzi, estudante de publicidade com 21 anos, diz que foi ao evento “porque o local é incrível e eu gosto de todas as atrações musicais daqui”. “Criolo principalmente, claro”, comenta.

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Subindo ao palco por volta das 20h, Criolo conseguiu provar que seu mais recente álbum já conquistou os fãs e até aquelas pessoas que não se familiarizam muito com sua música. O coro da plateia entoou quase todas as músicas do lançamento, que traz uma diversidade de sons e influências da era disco ao funk e ao samba, tornando-o perfeito para esse tipo de espetáculo. Se a tranquila “Fermento de Massa” e a eletrizante “Plano De Vôo” – com a ótima participação de Neto, do Síntese – se mostraram umas das preferidas dos ali presentes, “Cartão de Visita”, sua parceria com Tulipa Ruiz, teve direito até a coreografia ensinada pelo próprio músico e, claro, repetida fielmente por quem estava na plateia.

Houve também espaço para os sucessos “antigos” de Criolo, como “Grajauex”, “Lion Man” e “Não Existe Amor em SP”. Essa última,por sinal, ganhou um discurso inspirador antes de ser executada, que foi recebido com gritos e uivos da plateia. “Eu tenho fé nessa geração, em vocês que são o futuro”, começou o rapper. “Todo mundo tem a possibilidade de passar energia boa e amor à frente. Energia positiva! Amor, amor sempre!”, urrou, emendando os versos críticos e desacreditados de sua balada mais famosa. “Lion Man” também teve momento de ataque, no qual ele disse: “Vamos incomodar com o nosso barulho esses hipócritas filhos da p***! Vibrações positivas!!!”. A pedido do público – que cantou em uníssono -, o paulistano voltou para o bis com “Demorô”, parceria com Emicida que tem como refrão “Ninguém vai me frear, ninguém vai me dizer o que fazer nessa p***”. Sim, Criolo, nós concordamos: parece que nem tão cedo alguém vai conseguir te frear.

Criolo introduzindo “Lion Man” e pregando o amor

 

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