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Exclusivo – Milton Nascimento comemora 50 anos de carreira e revela: “seria ingratidão dizer que mudaria alguma coisa na vida”

O cantor se apresenta na Arena Vitória, neste sábado (7), com participação de Wagner Tiso e Lô Borges

Publicado em 05/12/2013 | Por Heloisa Tolipan

Desde o Festival Internacional da Canção de 1967, quando classificou três musicas de sua autoria (‘Maria minha fé’, ‘Travessia’ e ‘Morro velho’), Milton Nascimento despontou no cenário mundial como um dos mais conceituados músicos brasileiros. Além do importante começo da carreira em 1962, e do Festival Travessia, outra data importante na carreira de Milton é o lançamento do disco ‘Clube da Esquina‘, um dos maiores sucessos de 1972. Este ano, o cantor completa 50 anos de carreira e, em comemoração, lançou a turnê ‘Milton Nascimento: Uma Travessia‘. O novo trabalho é uma verdadeira coletânea de temas que marcaram sua carreira do artista, inclusive, o disco do ‘Clube’, que além de ter significativa  participação no repertório, completa 40 anos de história.

Em tempo: neste sábado, a Arena Vitória será palco para um grande espetáculo. O saudoso movimento “Clube da Esquina”, será relembrado pelo público com mais de 40 anos. O show ‘Milton Nascimento e Convidados’, encerra o ano de grande espetáculos. Os capixabas poderão conferir de perto a apresentação do ícone da MPB, com a participação de grandes amigos como Lô Borges e Wagner Tiso.

Entre uma viagem e outra, o cantor conversou com nosso site e revelou não se arrepender de nada que precisou passar para chegar onde está. Durante o papo, falou também sobre a nova geração de cantores e o futuro da MPB. Confira!

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HT: Nesses 50 anos de carreira, qual foi a maior dificuldade e a maior glória? Se fosse possível voltar no tempo, reconstruiria de outra forma?

MN: Como todo artista, a parte mais difícil da carreira é o começo. Depois é necessário somente esforço, sorte e disciplina para se segurar na profissão. É assim em todas as áreas, não muda nada. Agora, eu tive tanta sorte que seria uma ingratidão dizer que eu gostaria de mudar ou reconstruir alguma parte da minha vida. Sou muito feliz do jeito que sou e com o que conquistei.

HT: Artisticamente, você acha que seu dever foi cumprido ou pretende fazer ainda mais pela música brasileira?

MN: O artista de verdade é sempre um inquieto em suas buscas. E o simples fato de estar vivo será sempre motivo para uma nova busca. Assim como todas as pessoas, sempre quero mais.

HT: Sua casa se tornou um ponto de encontro para os amigos. Você tem medo da solidão?

MN: Me diga alguém que não tenha medo da solidão? Quem disser que não tem certamente estará mentindo.

HT: Entre os amigos que frequentam sua casa, estão músicos consagrados, mas também cantores da nova geração, como a Maria Gadú e o Dani Black. Como é essa troca de experiências e conhecimentos com a ‘nova leva’ da música? Você também aprende com eles?

MN: Claro que sim, inclusive, eu acho que aprendo mais com eles do que eles comigo. São meninos fantásticos, todos eles músicos maravilhosos que eu gosto muito de estar.

HT: Além da Maria e o Dani, que, apesar de sejam cantores novos, já possuem reconhecimento na mídia, você também acompanha o trabalho de músicos independentes? Como avalia a prática de disponibilizar o CD para download, como muitos deles fazem?

MN: Eu conheci Maria Gadú e Dani Black quando eram praticamente independentes. Gadu, por exemplo, ainda não tinha lançado nem disco ainda. Na verdade, todo artista começa independente, e eu estou sempre conhecendo gente nova, novos artistas. E esse lance de música pela internet já é uma realidade, não tem como lutar contra, pelo contrário.

HT: Enquanto as lojas de CDs estão cada vez mais escassas, o vinil virou uma febre entre os jovens. Para você, o que levou a juventude a resgatar esse material?

MN: Quem resgatou os vinis não foi a juventude, foi a necessidade do mercado. Empresários enxergaram nisso uma oportunidade e começaram a fazer novos lançamentos.

HT: Você disse em uma entrevista que, depois do álbum ‘Clube da Esquina’, a música popular brasileira nunca mais foi a mesma. O que você espera para o futuro da MPB?

MN: O futuro da MPB e da música mundial é agora, hoje. E ele já está aí, esses jovens, como Criolo, Mano Brown, Gadú, Dani Black, Esperanza Spalding e Hamilton de Holanda já são o nosso futuro.

HT: O que te faz um homem feliz atualmente?

MN: Viajar, fazer shows, conhecer e reencontrar amigos.

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