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Luana Carvalho, filha de Beth Carvalho, decola com carreira musical em show na Casa de Cultura Laura Alvim e dispara: “Não me sinto uma garota zona sul”

Com álbum duplo produzido em parceria com Moreno Veloso, a cantora quer levar sua música para todos que desejarem ouví-la

Publicado em 11/04/2017 | Por Rodrigo Cohen

“Filho de peixe, peixinho é” e “a maçã não costuma cair longe da árvore” são alguns dos ditados que se aplicam ao caso da cantora e compositora Luana Carvalho. A filha de Beth Carvalho está lançando sua carreira com um álbum duplo (“Branco e “Sul”) em um show experimental nessa terça-feira, 11 de abril, às 21h, na Casa de Cultura Laura Alvim, Ipanema. Sempre ligada à arte devido a sua criação e formação, Luana ainda está em processo de pesquisa e de formação da sua identidade no mundo musical. O show dessa terça-feira será um dos primeiros experimentos para testar a receptividade do público.

Luana Carvalho: show do álbum de estreia na Laura Alvim (Tati Domais/Divulgação)

“Estamos descobrindo o que funciona do disco em um primeiro show. O ‘Branco’, por exemplo, é com muitos músicas. Ele é uma mistura de várias sonoridades. O ‘Sul’ é mais intimista. Eu pensei em shows mais sucintos. Para esse início de turnê, estamos misturando um pouco dos dois. O conceito que une tudo é a bússola, então acredito que vamos achar um caminho experimentando e procurando”, comentou a cantora. Luana tem 36 anos, cursou Letras pela PUC-RIO e formou-se em artes cênicas pela Casa de Artes de Laranjeiras. Trabalhou como atriz para a Rede Globo durante um tempo em produções como “Páginas da Vida” e “América”, mas a música no sangue falou mais alto e ela não negou um chamado vocacional.

Foto: Tati Domais

A cantora falou sobre a responsabilidade e a exposição de carregar um trabalho solo onde não há margens para se esconder atrás de um personagem ou uma instituição. O que importa acima de tudo para uma grande intérprete e compositora é a verdade por trás daquilo que ela canta e Luana acredita fielmente nesse fato. “O trabalho solo requer um esforço muito grande de você lutar para o seu nome fazer sentido. Por mais que exista uma galera trabalhando e me ajudando, até porque sem eles eu não faria nada, é a Luana. Sou eu sentada no meu sofá escrevendo, uma vertente íntima que vai reverberar em toda uma plateia”, afirmou a artista.

Capa do álbum Sul

E sendo fiel a essa verdade, mesmo os dois álbuns tendo conceitos e pegadas diferentes e opostas entre si, a temática das suas composições retoma sempre ao mesmo ponto, o qual ela acredita ser o que é o centro do mundo. “Não sei se existem muitos assuntos no mundo além de guerra, amor e dor. Tudo é um pouco isso, acaba dependendo do viés. É sempre amor. Qualquer tipo de luta, qualquer tipo de fé, qualquer tipo de posicionamento político, relação familiar, passa pelo amor”, enumerou.

Capa do álbum Branco

Sempre pensando na convergência entre as expressões artísticas, Luana desenvolveu o projeto Cais, um espaço virtual onde artistas podiam trocar e compartilhar ideias, pensamentos e projetos. Depois de tanto sucesso, ela conseguiu transformar em uma casa e hoje a instituição é batizada de Casa Cais e ocupa grande parte do tempo e investimento da artista. “A Casa Cais é um trabalho coletivo, não depende só de mim. Esse fato já me faz querer investir nisso porque eu tenho uma tendência a gostar desse tipo de colaboração. Me faz querer continuar e investir meu tempo nisso. É dar vasão à crença de muitas pessoas”, falou sobre o projeto.

Mais do que uma conversa entre as artes, Luana tem a cabeça sempre voltada para a inclusão e não exclusão. Ela falou sobre a estreia ser em uma das zonas nobres da cidade e sua preocupação em que sua música não chegue para todos que desejam ouvir. “Eu tenho duas vertentes de trabalho. A Casa Cais e o meu trabalho musical pessoal. A Casa Cais me deu uma oportunidade de trabalhar e ter contato com diversos artistas incríveis, já no meu trabalho como cantora tenho muito o que conquistar ainda, estou começando agora e tem muita gente que eu acho que tem para me ouvir ainda e entender qualquer tipo de interlocução. Não me sinto uma garota zona sul. Eu nasci no Rio, mas eu tive uma criação que transcendeu a zona sul carioca. Meus dias eram divididos entre o subúrbio, a zona sul e a região fluminense.  A boemia da minha mãe fez muito parte da minha criação. Todo esse caminho que ela fez do samba, de Madureira, do Morro da Mangueira, é o caminho que eu fiz também. Eu estou começando em Ipanema, mas pretendo fazer isso em diversos outros lugares com realidades bem diferentes das vividas na zona sul”, enfatizou.

Não pensem que as asas de Luana Carvalho podem ser cortadas assim tão fácil. O álbum, produzido por Moreno Veloso em parceria com ela, conta com a participação de Dona Ivone Lara – uma artista que Luana se sente imensamente orgulhosa de ter gravado junto – e está apenas começando a sua trajetória. Ela ainda tem que se dividir entre a Casa Cais e o trabalho autoral, mas garante que estará muito empenhada em continuar espalhando sua música pelo mundo. “Meu plano é levar essa minha música por onde der. Desejo levar muito ela pelo Brasil. Que bom que existem caminhos para ir internacionalmente, mas meu foco é o Brasil. Não gostaria que a distância ou a localização fossem um problema para que as pessoas ouvissem minha música. A minha limitação é que eu não tenho um filho único, não é? Tenho dois filhos. Quando temos dois filhos, temos que dividir a nossa atenção. Claro que lançando o disco agora, meu desejo é estar mais empenhada e presente em uma turnê do ‘Sul’ e ‘Branco’”, finalizou.

Teatro Laura Alvim. Avenida Vieira Souto, 176, Ipanema, ☎ 2332-2015. Terça (11), 21h. R$ 40,00.

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