Música & Badalo

Em uma conversa com o site HT, a dupla Flor de Sal fala sobre o novo single “Amor de Eletricista” e sobre a sintonia entre eles: “A música é um viés de luz”, diz Micael Amarante

Finalista da edição de 2017 do DMX Brasil, um dos maiores eventos de música digital do mundo, a dupla formada por Micael Amarante e Karina Zeviani lança o novo single que fala sobre amores eletrizantes. "Aquele amor que mexe com você, que você não sabe para onde tá indo. Que ao mesmo tempo está tudo bem, mas você não sabe o que está acontecendo", explica Micael.

Publicado em 21/05/2018 | Por Rayssa Cerdeira

Tudo começou há quatro anos, como uma brincadeira. Micael Amarante e Karina Zeviani criavam letras e melodias por diversão e desse passatempo surgiu a Flor de Sal. A dupla lançou seu primeiro disco, homônimo, no ano passado, como parte da celebração de aniversário da marca feminina de roupas Farm. A grife comemorava seus 20 anos no mercado com um novo projeto musical, se posicionando como editora e gravadora. Agora, a dupla volta lançando o novo single Amor de Eletricista.

Com produção de Felipe Rasta, a dupla traz em suas músicas uma proposta lúdica e sensível, fazendo uma viagem pelos ritmos da música brasileira, misturando linguagens e sons. “A nossa proposta é buscar a felicidade, as coisas boas, as pessoas que te fazem bem, as coisas que alimentam a alma e o corpo de maneira positiva”, explica Micael. Para Karina, esse trabalho fez com que a música se tornasse, ainda mais, uma potente ferramenta de expressão pessoal. “Agora isso é muito latente em mim. A música funciona como um viés. Um viés do que é sagrado, do que é arte, do que é verdade. Parece piegas, mas é um viés de luz. Algo que usamos para nos conectar com o outro”.

Depois do sucesso do primeiro álbum Flor de Sal, Karina e Micael voltam para lançar o single Amor de Eletricista. (Foto: Divulgação)

Os primeiros trabalhos com modelo despertaram em Karina o amor pela moda e pela estética. Seguir para música, depois disso, foi algo natural, segundo ela. “A música não existe sem a moda, e vice-versa. Uma coisa retroalimenta a outra”.  A cantora já morou na Alemanha e nos Estados Unidos, onde foi cantora do Thievery Corporation, por indicação do músico David Byrne, durante seis anos. “Todas as minhas experiências, seja cantando em um barzinho em Nova York ou na Alemanha, cantando covers, cantando na Nouvelle Vague ou com o Thievery nos maiores festivais do mundo, isso só contribuiu para eu chegar hoje e saber o que eu gosto, o que eu quero dizer e a sonoridade que eu quero transmitir. As experiências que eu tive foram compondo o meu teor artístico, a minha persona artística”, explica. 

Micael é formado em direito e trabalhou com Direito Internacional, pela ONU, na Ásia. Morando na Índia, começou a estudar sobre o hinduísmo, o budismo e aprofundou seus conhecimentos na música tocando em bares. Apesar de trabalhar na ONU ser um sonho de Micael desde jovem, foi na música que ele se encontrou. “A música tem algo de divino para mim. Quando eu comecei a tocar lá eu percebi o quanto isso me trazia uma companhia divina”. Esse aprendizado foi trazido para o Brasil e introduzido na outra banda de Micael, a Mohandas. Mas ele afirma que foi cantando na dupla com Karina que ele encontrou o real sentido. “Quando eu toco na Flor de Sal, com a Karina, parece que tudo tem um lado muito divino, muito religioso, muito mântrico. É uma experiência extra-sensorial, extra-corporal. A música trouxe isso muito forte para mim”, explica.

Diferentes e complementares: Karina é mais espontânea e intuitiva, enquanto Micael gosta da pesquisa e traz as referências políticas e literárias. (Foto: DIvulgação)

Cada um com sua bagagem artística, Karina e Micael se consideram diferentes e complementares. Ela é intuitiva, ligada à beleza, à moda e à estética. Ele gosta de pesquisa, meio nerd, decora letras e músicas e traz referências de política e literatura. “Eu trago um pouco do lado mais organizado da arte, e a Karina traz um lado mais espontâneo, por isso a gente combina tão bem musicalmente”, afirma Micael. Os dois gostam tanto de compor que, no ano passado, escreveram mais de 50 músicas juntos. “Fizemos pelo hábito, pelo ato de compor mesmo. Para afinar, ainda mais, nossa parceria”, explica Karina.

A inspiração vem da Cidade Maravilhosa. Os temas são ligados a um estilo de vida solar, saudável, do carioca que anda de bicicleta e toma água de coco na praia. “Retratamos muito o modo de vida que buscamos”, afirma Karina. Mas, como todo mundo sabe, aqui nem tudo são rosas. Não só a cidade do Rio vive um cenário político e econômico complicado, mas todo o Brasil. E sobre isso, a dupla encara a música também como uma forma de militância. “Por mais que sejamos super solares e leves, e busquemos a alegria no dia a dia, isso não deixa de ser político. Você pode ser político ao buscar viver a vida com leveza, com otimismo. Não sendo cego às questões que são urgentes, mas trazendo também esse outro lado”, explica Micael. Além disso, eles acreditam que esse tipo de música é, também, uma forma de fuga. “Não deixa de ser uma válvula de escape – para o público e também para o artista. A gente canta o mundo que queremos ver. Tentamos contrabalancear todas as notícias ruins com a nossa música e a nossa arte”, afirma Karina.

A dupla procura falar de assuntos leves, solares e saudáveis para contrabalancear com todas as notícias duras e dolorosas do dia a dia. (Foto: Divulgação)

Curiosamente, Amor de Eletricista, o mais recente single lançado pela dupla, foi a primeira música que Karina e Micael compuseram juntos. Depois que estabeleceram a dupla, começaram a escrever tantas canções em parceria que “não olharam para o que já tinham feito”, segundo eles mesmos afirmam – por isso a música ficou fora do primeiro disco. O carinho por Amor de Eletricista, no entanto, nunca diminuiu, e eles decidiram gravar e lançar o single. Mas a pergunta que não quer calar: o que é um “amor de eletricista”? Essa dúvida é justamente o que a dupla mais gosta sobre a música. “Amor de eletricista é uma coisa que fica no ar, tem várias interpretações. No meu íntimo, eu entendo o que é um amor de eletricista. É algo que não dá muito para expressar, é leve, é uma brincadeira. Algo elétrico, que dá choque”, explica Micael. Já para Karina, pode ser um amor de carnaval. “Para mim são esses amores modernos, que duram mais ou menos uma semana. Mas cada um vai interpretar de uma maneira, vai encontrar uma explicação que converse mais com a sua própria realidade, com as suas vivências. É um amor com uma qualidade elétrica, seja ela qual for”, afirma ela.

“Amor de Eletricista” tem várias interpretações: pode ser um amor de carnaval, que durou uma semana, ou um amor que chegou de repente e te fez sentir perdido. (Foto: Divulgação)

A música é tão querida pela dupla que virou clipe – cheio de purpurina dourada, inclusive! O cenário foi a intervenção Cassino, de Heleno Bernardi, no Cassino da Urca. Um cômodo do local foi completamente coberto por uma tonelada – sim, uma tonelada! –  de purpurina dourada com a intenção de lembrar os “tempos de ouro” do cassino. “O dourado da purpurina tem tudo a ver, esteticamente, com o elétrico, com a luz. Uma coisa remete a outra. Fora que é lindo, né?”, disse Karina. A dupla lembra que teve a preocupação de saber o que será feito com toda a purpurina depois que a intervenção acabar. “A última coisa que aconteceu de arte, no cassino da Urca, foi essa intervenção. Eles vão restaurar o lugar, e toda a purpurina vai ser incorporada no cimento usado na obra”, explica Karina.

A dupla vai se apresentar na próxima terça-feira, dia 22, de graça no Bossa Nova Mall, no FM Hall Estúdios, às 19 horas, dentro da programação do descolado Noite Faro. Eles vão cantar sucessos do primeiro álbum, como Tupi, Natureza Feminina e Amuleto, além do novo sucesso Amor de Eletricista. Assim não dá para perder, né?

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