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Em texto dos anos 1960, Leonardo Miggiorin vive gêmeos no teatro com a comédia italiana “La Mamma”, que teve Mastroianni no cinema

Ao lado de Rosi Campos, ator desembarca no Rio após temporada de sucesso por São Paulo, pronto para conquistar cariocas com peça que fala sobre impotência sexual!

Publicado em 12/10/2014 | Por Alexandre Schnabl

*Por Júnior de Paula

Em São Paulo, o espetáculo “La Mamma” foi um sucesso de público e de crítica. Agora, a trupe envolvida no projeto quer repetir o sucesso na temporada carioca que começou neste dia 10 de outubro e segue até 30 de novembro no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea. O texto de André Roussin – que não é montado nos palcos brasileiros desde a década de 1960 – é uma adaptação teatral do romance “O Belo Antônio”, do escritor e roteirista Vitaliano Brancati (1907-1954), que já foi filme homônimo (Il Bell’ Antonio) em 1960, dirigido por Mauro Bolognini, com Marcello Mastroianni e Claudia Cardinale encabeçando o elenco. Nesta empreitada pelo teatro brasileiro, a comédia conta com direção de Carlos Artur Thiré e realização de Leonardo Miggiorin, que também está no elenco ao lado de Rosi Campos, Carlo Briani e Débora Gomez.

E foi com Leo Miggiorin que HT foi conversar para saber mais sobre a história dos conflitos de uma típica família ítalo-brasileira com sua figura central: a Mamma (Rosi Campos), que faz de tudo para manter sua família unida e bem vista perante a sociedade local. Além de produtor, como já dissemos, Leonardo dá vida aos  dois filhos da matriarca, Aldo e Antônio.

Apesar de serem gêmeos, os irmãos são completamente diferentes. Antônio é o galã da cidade, charmoso, bem relacionado, atrai todas as atenções femininas. Já Aldo é o filho preguiçoso, bronco, encostado nos negócios da família e fisicamente, passa longe da beleza do irmão. Mas Antonio esconde uma questão, já que se descobre que ele, na verdade, não era o que aparentava ser, fazendo com que sua família passe por uma desmoralização.

Vem com o site saber o que Leo tem pra falar. E ele sempre tem muita coisa: 

Leonardo Miggiorin e Rosi Campos em "La Mamma" (Foto: Divulgação)

Leonardo Miggiorin e Rosi Campos em “La Mamma” (Foto: Divulgação)

HT: Como é conciliar a cabeça de produtor com a de protagonista da peça?

LM: Tem horas em que fico irritado ou triste com alguma questão de produção e preciso esquecer para entrar em cena. É, literalmente, uma questão de viver vários papéis.

HT: O que te levou a produzir? Gostou, se arrependeu, quer continuar fazendo isso pra sempre?

LM: Todos os brasileiros devem aprender a se produzir, gerar conteúdo. Os mais jovens já entenderam isso e dão um banho nos quesitos tecnologia, acesso e criatividade. Eu não comecei a produzir tão cedo, embora sempre tenha sido um artista inquieto. Mas, aos 30 eu já estava lidando com todas as etapas deste processo. Depois que você aprende e leva uns tombos, as coisas ficam mais simples. Não é tão difícil se você tiver uma boa equipe.

 HT: Como o texto chegou até você e como foi esse primeiro contato. O que passava pela sua cabeça enquanto lia?

LM: Foi o Carlos Thiré, neto da Tonia Carreiro, que mexeu no baú da avó e achou esse texto delicioso. Eu lia e gargalhava por conta da construção das situações naquela família tão pitoresca e ao mesmo tempo, realmente, “familiar” demais.

 HT: A peça fala sobre sexualidade, certo? Como tem visto o debate em torno das questões ligadas à sexualidade que vem protagonizando o debate político?

LM: Acho ruim só falarem disso em época de captação de votos. Mas, ainda assim, faz-se necessário e válido o debate. Eu penso que o agressor é quem vive ameaças vindas de fantasias de sua própria cabeça e que, por isso, rejeita e discrimina, tenta oprimir a natureza daqueles que pagam apenas por existir e expressar seu afeto à sua maneira. As mortes não param de acontecer…

HT: Você também é músico. De que forma estas duas vertentes transitam em você? O que veio primeiro e qual tipo de realização você tem em cada uma delas?

LM: Eu fazia aula de teclado e violão com minha mãe aos 7, 8 anos. Depois comecei a pintar aos 10 e o teatro comecei aos 12. Cada projeto envolve questões diferentes. Tenho vontade de misturar tudo: Teatro, Artes Visuais, Tecnologia, Música, Psicologia, Matemática e Cinema. Eu faço música como diversão, mas, se precisar colocar num projeto, teremos uma equipe maior, preparada pra isso.

HT: Você é um ator jovem, mas já com bastante experiência. Consegue fazer um raio-x de como o papel do teatro e TV vem se transformando nos tempos atuais?

LM: Vivemos a era da imagem, do consumo e do status. Não sei se em outra época isso já foi diferente, mas, de fato, é algo muito opressor. Para todos. É difícil para todo mundo ter que lidar com essa dinâmica mercantilista onde, não só as embalagens, mas, as pessoas com suas emoções e sua subjetividade acabam por ser descartadas.

 HT: Você acabou de se formar em psicologia. Como a faculdade ajuda no seu trabalho como ator?

LM: Eu, hoje, consigo ter um olhar mais amplo sobre aspectos que contextualizam uma trama, a trajetória de um personagem. Por exemplo, neste espetáculo que trouxemos para São Paulo – minha primeira produção teatral como proponente – o elo entre mãe e primogênito faz com que o rapaz tenha dificuldades em se relacionar com sua noiva. Só neste ponto, o elo com a mãe, já poderíamos desenvolver muitas questões inerentes à vida familiar de todos nós. Na peça, é através da comédia que acessamos esses conteúdos.

HT: Novos projetos?

LM: Está sendo lançado um filme que fiz, do gênero terror trash, “Condado Macabro”, do diretor Marcos De Brito. Além disso, quero circular com “La Mamma” por outras capitais do país.

 

Leonardo Miggiorin como um dos gêmeos de "La Mamma" (Foto: Facebook Oficial "La Mamma" | Divulgação)

Leonardo Miggiorin como um dos gêmeos de “La Mamma” (Foto: Facebook Oficial “La Mamma” | Divulgação)

Serviço: 

La Mamma

Quando: 10 de outubro a 30 de novembro

Onde: Teatro das Artes (Shopping da Gávea)

Endereço: Rua Marques de São Vicente, 52 – Gávea. Rio de Janeiro | RJ

Tel.: (21) 2540-6004

*Junior de Paula é jornalista, trabalhou com alguns dos maiores nomes do jornalismo de moda e cultura do Brasil, como Joyce Pascowitch e Erika Palomino, e foi editor da coluna de Heloisa Tolipan, no Jornal do Brasil. Apaixonado por viagens, é dono do site Viajante Aleatório, e, mais recentemente, vem se dedicando à dramaturgia teatral e à literatura

 

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