Música & Badalo

Do não oficial ao tradicional: Amigos da Onça e Monobloco mostram por que são os queridinhos do carnaval de rua carioca

Com público diverso, dois dos maiores blocos de rua do Rio contam como começaram a tocar e o que os motiva a ir às ruas todos os anos se unirem aos foliões, e ainda revelam detalhes dos desfiles desse ano. Vem!

Publicado em 27/02/2017 | Por Suzany Alves

Chegou o Carnaval! A festa mais aguardada do ano, e maior manifestação popular brasileira, já está quase chegando ao fim, mas o HT está na rua e conversou com dois dos principais blocos que saem esse ano. E tem pra todos os gostos, sejam eles os mais tradicionais, os descolados e os não oficiais. Vem saber!

Um dos grandes sucessos do Carnaval, o Amigos da Onça movimenta foliões incansáveis desde 2008, quando saiu às ruas pela primeira vez. Uma expedição musical para Minas Gerais, uma visita a um restaurante chamado Cantina do Amigão e o atendimento de um garçom mal encarado inspiraram Tarcísio Cisão e Gabriel à comporem a primeira música, que, de volta ao Rio, foi crescendo e tomando formato de bloco junto aos amigos músicos, e a cada ano conquistando seu público no formato mais intríseco do carnaval de rua da cidade. Ao longo do ano, os integrantes lecionam em oficinas de percussão, dança, alegoria e perna de pau, entre outros, todas as quartas na Lapa.

Amigos da Onça no desfile de 2016 (Foto: Reprodução/Facebook)

Apesar de nascida em São Paulo, a Musa do bloco, Maíra Campos, conhece o carnaval do Rio como a palma de suas mãos – graças aos amigos e companheiros de folia. Recentemente, a paulista movimentou as redes sociais em campanha para o título de musa dos blocos do Rio, em enquete promovida pelo G1. O resultado de segundo lugar, atrás de Carla Machado, representante do Monobloco, para ela teve gostinho de vitória. “Me senti lisonjeada. Gosto muito do bloco, do trabalho que a galera faz não só no carnaval mas durante todo o ano. Acredito que mais importante do que o título representa pra mim é a mensagem que ele passa, e que o bloco quer passar: nomear uma mulher que está totalmente fora dos padrões como musa do bloco. A de reverenciar e enaltecer a beleza da mulher brasileira como um todo, não só as que aparecem nas capas de revistas, mas as mulheres de verdade, que estão presentes nos ensaios, nos blocos, e que fazem tudo acontecer”, contou estudante, orgulhosa e consciente
do seu papel.

Maíra Campos (Foto: Reprodução/Facebook)

Mas não é apenas de comemorações que o Amigos da Onça faz seu carnaval. Além da preservação das manifestações culturais, o interesse se estende à enxergar que a rua pertence ao povo. “O bloco não participa do circuito oficial por uma série de contradições pela forma com a qual o Estado se pronuncia em relação à cultura. Nós valorizamos a manifestação espontânea em nos organizarmos e irmos para a rua de forma independente, e isso também é muito importante. Carnaval é festa e alegria, mas também é luta.”

As Oncetes (Foto: Reprodução/Facebook)

E se por um lado os blocos não oficias estão muito bem representados, o mesmo acontece com os blocos já conhecidos de (muitos) outros carnaval. É o caso dos queridinhos do Monobloco, que desfilam tradicionalmente pelas ruas do Rio um domingo depois do Carnaval, e nos últimos anos também dominou as ruas da capital paulista. Formado há 17 anos, Pedro Luis, um dos fundadores do grupo, ressalva a importância de se renovar sempre. “Se reinventar é fundamental, em qualquer projeto criativo. Buscamos isso através não só de renovação de elenco, como no âmbito de repertório e observação tanto da tradição quando da novidade musical, que sempre brota.”, explica.

Mas apesar de uma carreira consistente atualmente, lançamento de CDs, DVD, turnês e uma média de público que chega a 70 mil pessoas, o grupo conta que nem sempre foi assim e fala sobre o início da carreira: uma aposta que tinha grandes chances de dar certo. “Tivemos as dificuldades de todo o começo: o susto do desconhecido, ainda mais diante do sucesso espontâneo inesperado. Mas acho que nós, fundadores, logo percebemos que nascia ali algo que merecia cuidado e atenção especiais. Vieram então os desafios do crescimento exponencial, mas desde sempre estamos atentos e afinados para aprender com tudo que possa se apresentar como dificuldade nesse caminho.”

Monobloco se apresenta na Fundição Progresso (Foto: Reprodução)

E sobre o desfile desse ano, que conta com a participação de novos integrantes, o grupo também divide algumas das novidades que eles prepararam para sempre leais foliões. “Nesse carnaval está sendo muito importante trazer dois novos cantores para se unirem aos veteranos, trazendo sempre uma atmosfera renovada para os muitos shows e ensaios que a gente faz. No caso da Roberta Espinoza e do Leandro Leo, nossos dois novos canários, cada um traz as suas características. A Roberta vem de um baile em homenagem à Tropicália, onde canta também músicas do carnaval baiano contemporâneo, tem uma voz potente e este expediente do carnaval. O Leandro é um super compositor e cantor, apresentava com o Marcio Garcia o Gente Inocente, então, acho que os dois vão multiplicar a potência e a alegria do Monobloco. Também renovamos a nossa identidade visual, assinada esse ano pelo Raul Mourão e a rapaziada da Tecnopop“, e ainda dividem uma dica pros blocos que estão começando agora. “Encontre o seu caminho, sua linguagem e cuide bem deles, incansavelmente. Os frutos hão de vir”

Pedro Luís e a cantora Emanuelle Araújo, rainha do Monobloco (Foto: Reprodução)

 

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