DFB Festival: Mundo Livre S/A, com décadas de estrada, e estreante Benza fazem música com propósito e sons híbridos


No DFB Festival, o palco Factory, com 28 metros e feito de sucata, montado na Cidade Cultural, megaestrutura na Praia de Iracema, em Fortaleza, no Ceará, foi o cenário das apresentações de dois grupos que evidenciam como a música pode ser uma potente forma de expressão da cultura popular, sendo fundamental na construção de identidades em uma sociedade. No line-up do evento multiplataforma, a banda Mundo Livre S/A, e o duo Benza, formado na pandemia. “Vivemos um período nacional e global de muitas transformações na economia criativa. Várias plataformas surgindo, de relacionamento com o público também, e isso tem promovido transformações na música gravada, e também no show business. A tecnologia traz muitos meios de democratizar não só a produção, como os meios de difusão. E o que é bacana, é que hoje tem público e espaço para todo tipo de manifestação, tanto individual, quanto coletiva. O Nordeste nunca deixou de ser um celeiro absurdo de inventividade, criatividade. E hoje podemos fazer um híbrido, um diálogo de gerações”, observa Fred Zeroneutro, vocalista da Mundo Livre

Banda Mundo Livre S_A no DFB Festival (Foto: Tiago Calazans)

Banda Mundo Livre S_A no DFB Festival (Foto: Tiago Calazans)

No DFB Festival, o palco Factory, com 28 metros e feito de sucata, montado na Cidade Cultural, megaestrutura na Praia de Iracema, em Fortaleza, no Ceará, foi o cenário do encontro de dois grupos que evidenciam como a música pode ser uma potente forma de expressão da cultura popular, sendo fundamental na construção de identidades em uma sociedade. No line-up do evento multiplataforma, a banda Mundo Livre S/A e o duo Benza se apresentaram unindo híbridos e propósitos em seus sons, separados pelo tempo de trajetória: a ‘Mundo’ com quase quatro décadas de estrada e a Benza formada na pandemia.

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Uma das bandas fundadoras do manguebeat, gênero que mistura o rock e o eletrônico com influências da música nordestina, criada em 1994, e que se popularizou ao lado de Chico Science (1966-1997) e a Nação Zumbi, a Mundo Livre, liderada por Fred Zeroneutro (ex-Zeroquatro), consolidou-se como um dos grupos mais importantes da história da música nacional, e celebra o fato de ter passado pelo palco plural do DFB.

“Foi uma oportunidade de ouro levar esse repertório novo, quentinho, saído do forno, do álbum ‘Walking Dead Folia, para a Praia de Iracema. Depois de tanta estrada, dos prêmios conquistados em décadas de carreira, tendo nos apresentado para públicos dos mais variados, em termos de perfil e tamanho, tanto no Brasil, quanto no exterior, já tendo tocado em países como o México, Estados Unidos, França, Espanha, Portugal, Suíça, Bélgica, Nova Iorque, tanto em palcos disputados quanto undergrounds; e até mesmo no Nordeste, já tocamos para quase um milhão de pessoas; então levamos para o DFB com muita honra, essa bagagem e jogo de cintura”, relembra Fred.

Fredzeroneutro da Mundo Livre S/A em apresentação do DFB Festival (Divulgação/ DFB Festival)

Fredzeroneutro da Mundo Livre S/A em apresentação do DFB Festival (Divulgação/ DFB Festival)

Vocalista da da banda que mostrou ao país a realidade desigual de grande parte da população, Fred Zeroneutro fala da mistura boa da música que fazem. “Nascemos como banda de garagem, em Candeias, município de Jaboatão dos Guararapes, periferia do Recife, com a intenção de promover um híbrido entre o Hardcore, a New Wave e pós Punk, da Europa e América do Norte, misturado à tradição mais inventiva da música brasileira, como o Samba de Breque, o coco de roda, a Bossa Nova, o samba do morro. E gêneros afro nordestinos, com ao ciranda, maracatu, frevo, e outros sons”.

O músico faz também sua análise do momento para a cena musical do Nordeste, que historicamente é muito diversificada e representativa, e mostra por vezes, a resistência dos seus povos. “Vivemos um período nacional e global de muitas transformações na economia criativa. Várias plataformas surgindo, de relacionamento com o público também, e isso tem promovido transformações na música gravada, e também no show business. A tecnologia traz muitos meios de democratizar não só a produção, como os meios de difusão. E o que é bacana, é que hoje tem público e espaço para todo tipo de manifestação, tanto individual, quanto coletiva. O Nordeste nunca deixou de ser um celeiro absurdo de inventividade, criatividade. E hoje podemos fazer um híbrido, um diálogo de gerações”, observa Fred.

Fred Zeroneutro da Mundo Livre S A se prepara para o show que contagiou o público do DFB Festival (Reprodução/ Instagram)

Fred Zeroneutro da Mundo Livre S A se prepara para o show que contagiou o público do DFB Festival (Reprodução/ Instagram)

Amizade e música

Do reencontro de dois velhos amigos que se conheceram na efervescente cena musical dos anos 1990/2000 no Recife, nasceu o projeto Benza. Victor Dreyer, artista plástico, poeta e músico, realizava o Mestrado em Pintura na Escola de Belas Artes de Lisboa, em Portugal, enquanto Rafael Infa, produtor musical, viajava em turnês com as bandas em que trabalha como empresário e tour manager. Por conta da pandemia, os dois se reencontraram na cidade natal, e aconteceu o nascimento da dupla focada na tentativa de fazer uma música pop, tropical e dançante produzida eletronicamente com suporte de sons orgânicos e regionais.

“A pluralidade do DFB tem tudo a ver com a proposta da banda de arte e cultura e conectividade, além de ser um plataforma única para atingir um público fazedor de opinião artística e cultural no país. De quebra, ainda tocamos em uma das praias mais bonitas do Brasil com uma super estrutura. Isso é um sonho. Quem não iria curtir, né, não? Ainda sendo em Fortaleza, cidade onde nosso vocalista, o Poeta, morou em 2012, e hoje depois de 10 anos retorna. Um prazer sem tamanho para gente”, diz Victor.

Victor Dreyer e Rafael Infa, o duo Benza esteou no palco do DFB Festival (Divulgação)

Victor Dreyer e Rafael Infa, o duo Benza esteou no palco do DFB Festival (Divulgação)

Eles já lançaram três singles e vêm fazendo inúmeras apresentações importantes, como a volta do projeto Seis e Meia, e a abertura da turnê do grupo Gilsons. “Acho que a tecnologia chegou para ficar na musical mundial, e o Nordeste não ficou fora disso. Acredito que cada vez mais iremos ver projetos como o Benza surgindo em distintos estilos musicais típicos, ou não, do Nordeste”, completa.

Em prol da arte e da cultura a dupla faz um convite ao público apreciador da música independente. “Escutem as músicas no mundo digital, curtam, comentem e compartilhem com seus amigos. E se tiverem a oportunidade, se permitam ir e viver  os shows ao vivo das bandas locais e regionais. Isso faz muita diferença, tanto no virtual como no mundo real. Não existe sensação melhor do que ver as pessoas dançando e se divertindo com sua música autoral. Como também ver comentários de incentivo ao seu trabalho. Existe espaço para tudo e todos neste mundo conectado. A arte e a cultura são de propriedade dos cidadãos. Constroem civilidade e personalidade social. Como falamos em uma de nossas músicas, ‘CRIA’: “Torna a cidade para todos mais justa”. já estamos no caminho. Avante!”, convoca Rafael.

Benza no DFB Festival na praia de Iracema (Divulgação/ DFB Festival)

Benza no DFB Festival na praia de Iracema (Divulgação/ DFB Festival)