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De mudança para Los Angeles, Rogê faz despedida do Rio no palco: “Lá eu sigo representando a cultura do nosso país”

O músico fala sobre mudança para Los Angeles, nomes relevantes na construção de sua carreira musical e dá sua opinião sobre futuro e a importância do samba. O cantor se apresentou na última sexta (09) no Carioca da Gema, já em tom de despedida

Publicado em 12/11/2018 | Por Junior de Paula

* Por Julia Noia

O brilho nos olhos e o gingado natural atraem imediatamente a atenção de todos presentes no Carioca da Gema, no coração da Lapa, na última sexta-feira (9). Com sorriso no rosto e carisma natural, Rogê sobe ao palco e encanta fãs de diversas nacionalidades com hits do samba e novidades do seu último CD, Nômade. Em carreira solo desde 2003, o cantor traz na bagagem sucessos como “Suingue do Samba”, “Presença Forte” e “Brasil em Brasa”, além de contar com parcerias ilustres no currículo como Seu Jorge, Gabriel Moura e Arlindo Cruz. Em entrevista ao site HT, Rogê comenta sobre sua mudança para Los Angeles, o percurso da carreira e mudanças na indústria da música.

Rogê

Em clima de despedida, o show no Carioca da Gema encerrou, por enquanto, as apresentações do artista no Brasil. Com mudança para Los Angeles marcada para este fim de semana, Rogê se sente muito feliz com a oportunidade, mas afirma que o calor humano brasileiro vai fazer falta. “Los Angeles é um lugar maravilhoso, sempre foi um centro de música mundial. Lá eu sigo representando a cultura do nosso país, eu me sinto muito orgulhoso de ser brasileiro. Quando eu estou fora do Brasil tocando nossa cultura para a frente, me sinto representante dela”, afirma o cantor. “Todas as vezes que eu vou para fora do país, sinto que temos aqui no Brasil algo que não tem em lugar nenhum do mundo: calor humano”, complementa.

Na música, a evolução é um fator que define sua carreira. “Cada disco que eu lanço, eu me sinto crescendo, seguindo em frente. Me sinto acertando arestas com as quais eu não estava tão satisfeito com outros discos que eu já gravei. Estamos aqui querendo ser melhores”, comenta. O músico também reflete sobre a importância que o Brasil tem no mundo da música e destaca suas parcerias com Seu Jorge, Gabriel Moura, Arlindo Cruz e Pretinho da Serrinha, entre outros. “Além de tudo são meus ídolos, parceiros que realmente são muito importantes para mim. A minha maior glória é poder estar crescendo e vivendo da música repleto de pessoas incríveis”, enfatiza. “Não deixo o samba morrer e o samba não vai morrer não. O samba é a nossa maior identidade cultural, pelo menos quando se vai lá para fora, isso fica bem claro”, relembra.

Sua parceria com Arlindo Cruz no CD “Na Veia” (2016) lhe rendeu uma indicação de “Melhor álbum de samba/pagode” no Grammy Latino em 2016. Para Rogê, a indicação está diretamente ligada à parceria de seu compadre Arlindo. “Esse trabalho era completamente despretensioso, era um programa de rádio que acabou virando um disco. Tenho um orgulho de já ter feito esse trabalho, e a indicação foi só um reflexo disso”, elogiou.

No começo do ano passado, Arlindo Cruz sofreu um AVC e, após mais de um ano internado, recebeu alta em julho deste ano. Agora, o artista se recupera em casa, contando com uma série de profissionais capacitados. “O Arlindo é uma figura ímpar, faz uma falta indiscutível”, afirma. Para Rogê, ele é uma figura de grande importância, participando ativamente da sua construção não só como músico, mas também como pessoa. Para falar do amigo e colega de trabalho, não mede palavras. “Ser parceiro do Arlindo é a maior glória da minha vida, um cara que me ensinou a compor também, me ensinou muitas coisas de caráter, uma pessoa iluminada. Arlindo Cruz é o próprio samba, e eu estou muito feliz de ter conhecido e convivido com ele, ser seu compadre”, ressalta.

Com a ascensão das plataformas de streaming, Rogê fica muito preocupado com a desvalorização financeira do músico e com os monopólios musicais. “Acredito que a única falha ainda é a remuneração para nós artistas, principalmente dos compositores, que não tem a devida valorização. O dinheiro da música continua na mão de poucos, e isso deveria ser consertado. Sempre foi assim, com as gravadoras também. Hoje em dia, está nas mãos dessas plataformas, e bem ou mal acabam sendo as mesmas pessoas, o mesmo grupo de pessoas”, constata.

Sua nova fase da carreira, uma guinada internacional por ares norte-americanos, traz bastante alegria e desafios ao músico. “Los Angeles não é só o lugar do cinema, mas da música também, internacionalmente falando. Eu tenho essa oportunidade de estar lá com a minha família, desenvolvendo meu trabalho, ampliando os horizontes”, comenta, animado. Os shows da última semana na Casa Camolese (08) e no Carioca da Gema (09) foram as últimas despedidas de Rogê dos palcos brasileiros. Para os fãs, não precisam dizer “adeus”, visto que ele já garantiu viagens constantes ao Brasil. O Brasil, então, diz “até logo” com o coração apertado, mas sabendo que ainda vem muito sucesso pela frente!

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