Arte & Literatura

E se você pudesse reescrever a sua vida? É o que tenta o personagem do novo livro do jornalista Luís Erlanger

O autor recebeu ontem na Travessa do Leblon uma fila de amigos e colegas de profissão para o lançamento do romance “Cinza, carvão, fumaça e quatro pedras de gelo”

Publicado em 27/11/2018 | Por Bárbara Tenório

As únicas coisas inevitáveis na vida são cinzas, carvão, fumaça e gelo. A partir desses elementos tudo começa e acaba. É envolto nessa questão dos destinos humanos que o jornalista Luís Erlanger acaba de lançar o seu novo livro: “Cinza, carvão, fumaça e quatro pedras de gelo”. Conhecido por ser “bom de título” é ele o criador dos nomes das novelas “Senhora do Destino” e “O Cravo e a Rosa” da TV Globo. No novo trabalho, o autor faz uma crítica à elite financeira e intelectual da nossa sociedade.

O livro conta a história de um homem que acorda gravemente ferido em um lixão sem saber como chegou até lá. Ao que parece, tentaram matá-lo. A partir disso, ele decide adotar uma nova identidade. E se o ser humano pudesse reescrever a sua vida? O protagonista de Erlanger tem essa oportunidade. Entretanto, segundo o autor, tanto no livro quanto na vida real a possibilidade de escolha é sempre limitada. “Uma das características humanas que nos diferencia dos animais é o livre-arbítrio. Se você amanhã resolve largar tudo e ir morar em Madagascar isso só será possível, porque, até então, você abriu portas e outras se fecharam que levam por essa direção. Eu não acredito em determinismo histórico, mas refazer totalmente a vida é algo difícil. Meu personagem tenta, mas qualquer pessoa, apesar da disponibilidade de escolhas, acaba seguindo por caminhos que a vida te indica”, afirma.

Luis Erlanger, Tonico Pereira e Marina Salomon (Foto: Divulgação/Eny Miranda)

Radicado em Lisboa, o escritor veio ao Brasil para a noite de autógrafos no Rio e em São Paulo. Amigos, artistas e colegas de profissão estiveram presentes na noite desta segunda-feira, 26, na Livraria da Travessa no Shopping Leblon. A atriz Betty Gofman foi garantir uma cópia do novo livro e cumprimentar o amigo. “Eu li a contracapa e me deu muita vontade de ler, fiquei curiosíssima, parece muito interessante. Tudo o que ele escreve tem essa linguagem rápida como ele. O Erlanger é ágil e explosivo. Sempre muito ligado às artes, sempre ajudava muito os atores, ajudava nas propagandas da Globo. Um cara muito solícito, gente boa, inteligente e um amante das artes em geral”, conta a atriz em uma conversa com o site HT.

Betty Gofman (Foto: Divulgação/Eny Miranda)

Depois de 40 anos dedicados à imprensa, o jornalista resolveu, assim como o seu personagem, também mudar os rumos e se aventurar em escrever ficção. “Antes Que Eu morra” lançado em 2014 foi o primeiro livro dessa nova fase de Erlanger. “A ficção é uma válvula de escape para a realidade. Nós vivemos numa contradição, quando a gente vê uma paisagem a gente diz: ‘Nossa é tão bonito que merecia um quadro’, daí você vai no museu vê um quadro e diz: ’Nossa é tão bonito que parece realidade’. Depois de 40 anos de jornalismo factual, convivendo com uma realidade brasileira, que na maioria das vezes não são notícias alegres, eu acho que consegui ir por um caminho duplamente satisfatório. Eu me divirto indo para o lado da ficção e espero que quem leia se divirta tanto quanto eu”, ressalta o autor.

Monica Morel, Luis Erlanger e Renato Machado (Foto: Divulgação/Eny Miranda)

Apesar da obra trazer várias questões sobre a sociedade atual, Erlanger admite não ter pretensão transformadora. “Meu livro não é de filosofia, mas eu acho que é inevitável que um leitor, mesmo diante de uma obra fantasiosa, tenha uma certa discussão e avaliação sobre a sua própria vida”, enfatiza. E essa introspecção aconteceu até com o jornalista. “Eu escrevi por dois anos, quando eu peguei o livro pronto eu tomei um susto. Pensei ‘Caramba, eu escrevi isso!’. Não no sentido da capacidade da realização, mas depois de pronto o livro mexeu em aspectos que eu nunca imaginaria que poderiam acontecer com o leitor e muito menos comigo”, completa.

Em todas as dedicatórias, Erlanger escreveu: “Aos afetos verdadeiros, aqueles que basta um para ser verdadeiro”. De acordo com ele, o mundo está egoísta e é difícil encontrar pessoas que gostem uma das outras gratuitamente. Depois de um período de eleição agressivo e rivalizado, o autor fez questão de escrever tal mensagem nos 139 livros que esperaram por um autógrafo a lápis dele. Mariana Ximenes, Bárbara Paz, Eriberto Leão, Michel Melamed, Glória Perez, Fernanda Rodrigues, Cora Rónai e Edney Silvestre também estiveram por lá. Vem ver a galeria de fotos, feitas por Eny Miranda, da noite de autógrafos:

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