Arte & Literatura

“A viagem pitoresca” reúne pinturas, esculturas, objetos e instalações de Bruno Miguel no espaço Caixa Cultural, em Curitiba, a partir da semana que vem. Vem saber!

Um dos mais atuantes artistas contemporâneos no Brasil, Bruno Miguel trabalha sob elementos que habitam o imaginário de uma geração brasileira e discute a lógica do consumo e o imaginário pop

Publicado em 11/01/2016 | Por Karina Kuperman

Questões sobre o universo doméstico, lógica do consumo e o imaginário pop serão levantadas na exposição “A viagem pitoresca”, do artista Bruno Miguel. Através de pinturas, esculturas, objetos e instalações no espaço Caixa Cultural em Curitiba, a mostra focará na investigação do artista sobre a pintura no mundo contemporâneo e mostrará suas pesquisas e pensamentos sobre a mescla de referências entre a alta e a baixa cultura. Bruno Miguel, que desde 2004 desenvolve uma pesquisa sobre a construção e representação de paisagens no mundo atual, atua em diversas linguagens, mas sabe que a pintura é seu tema principal e, acima de qualquer pensamento teórico, gosta de tentar responder suas questões no trabalho, atuando, errando e acertando sob a eterna busca pela beleza – não da pintura, mas da forma de pintar.

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O tempo da paisagem é feito de esmalte sintético e tinta a óleo sobre frutas e legumes (Foto: Divulgação)

Na exposição, Bruno Miguel conta com a curadoria especial de Bernardo Mosqueira. Desde 2006, o artista vem reunindo louças, porcelanas, tapeçarias e tecidos inusitados que, somados às telas e a capacidade de experimentação técnica do pintar, se tornam quadros. “A história desses suportes e materiais é tão importante quanto a que será construída no atelier. O resultado dessas transformações é mostrado como uma grande instalação pictórica, relacionando a pintura e o espaço, o artista e o mundo”, explicou Bruno. Com tantos suportes e inspirações, não poderia ser diferente: “A viagem pitoresca” reúne imagens de estampas de camisetas dos anos 80, letreiros de propagandas e anúncios, publicidade socialista e até embalagens de chiclete que, juntos, tornam-se elementos coerentes na proposta de montagem pensada especialmente para a galeria da Caixa Cultural de Curitiba.

Bruno Miguel trabalha sua arte em cima de elementos que habitam o imaginário da geração brasileira que formou-se nutrida por imagens urbanas em movimento, pela MTV com seus videoclipes, a Hollywood barata da sessão da tarde, McDonalds e seus McLanches felizes, letreiros brilhantemente encardidos, Fanta Laranja, pasta de dente de ursinho, Sonic, Mario Bros, Cavaleiros do Zodíaco, fitas piratas de videogame, Super Xuxa e outros.

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Um trabalho da série “Pintura de Museu” mostra a paisagem strictu sensu(Foto: Divulgação)

E esses elementos definem a exposição de Bruno Miguel que acredita que a pintura é uma linguagem híbrida, fluida e não deve ser limitada às antigas tradições. Para o artista, a pintura contemporânea tem “vocação para o protagonismo” desde que entenda sua interação com outras linguagens. As obras escolhidas para essa “instalação pictórica visual” tem uma relação direta com a memória colonial brasileira. “Entendemos a necessidade da circulação do pensamento e a ampliação do campo de discussão dos limites da linguagem e do circuito, tanto no que se refere à arte contemporânea quanto às suas possibilidades de comunicação com o espectador. A pintura para além do campo ampliado da tela é o ‘leit motiv’ dessa exposição”, analisou o curador Bernardo Mosqueiro.

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Série de cristaleira feita com resina de posiéster, tinta spray e vidro (Foto: Vicente de Mello)

O gênero de pintura escolhido como foco pelo artista nos últimos anos é a natureza morta, ou seja: pratos, louças, tecidos, azulejos, copos, tijetas e todo o repertório imortalizado em composições de gênero. “Bruno Miguel busca apresentar em suas obras questões além dos dogmas da representação clássica com as novas possibilidades técnicas e de conceitos desenvolvidos, tanto no circuito, quanto nas salas das principais escolas de arte do Brasil. Nossa intenção com essa mostra é proporcionar através de oposições simples de símbolo, signo e significado um campo de discussão interessante entre obra e espectador”, disse Bernardo.

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Da série “Morro Brás Cubas”, essa obra é composta de isopor, espuma de poliuretano, papel machê, resina acrílica, porcelana fria, arame, partes de moveis antigos, tinta a óleo e colorjet (Foto: Divulgação)

A mostra inaugura nessa terça-feira, 12, e apresenta a linguagem singular e a forma que Bruno tem de mostrar sua personalidade e trajetória – que se fundem com as fases de suas obras. Atualmente, além de comandar seu ateliê, Bruno Miguel é professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e já apresentou trabalhos nas maiores galerias e museus do Brasil, Estados Unidos, Argentina, Chile, Colômbia, Bolívia e outros, além de ter sido premiado nacional e internacionalmente.

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Tinta à óleo, esmalte, colorjet e caneta à base de óleo sobre moldura de vidro (Foto: Divulgação)

A produção da nova exposição está a cargo de Anderson Eleotério e David Motta – ADUPLA Produção Cultural, empresa que vem realizando importantes exposições itinerantes pelo Brasil. É correr para conferir!

Serviço:

Exposição: “A VIAGEM PITORESCA – Bruno Miguel”
Local: CAIXA Cultural Curitiba – Galeria Mezanino
Endereço: Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Centro, Curitiba – PR, CEP: 80.060-100
Abertura da exposição: dia 12 de janeiro de 2016 (terça-feira), às 19h30
Vista guiada com o curador e artista: dia 12 de janeiro de 2016 (terça-feira), às 19h
Visitação: de 13 de janeiro de 2016 a 28 de fevereiro de 2016, de terça-feira a sábado das 10 às 20h, domingo e feriados das 10h às 19h.
Informações: (41) 2118-5114
Classificação indicativa: Livre
Entrada Franca
Acesso para pessoas com necessidades especiais
Patrocínio: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL e GOVERNO FEDERAL

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