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“Eu levantei a Rede Record com oito anos de trabalho lá”, afirmou Ana Maria Braga

Em entrevista ao site HT, a apresentadora da Globo analisou o sucesso do Mais Você, o contato com o público, memes, fofocas e sua trajetória pela gastronomia. Além disso, ainda comentou sobre a importância de sua representatividade em tempos de movimento feminista

Publicado em 11/09/2018 | Por Ana Clara Xavier

A apresentadora Ana Maria Braga é um fenômeno no país afora e já acumula 20 anos de profissão somente na Globo. Adultos e jovens conhecem os bordões ‘acorda, menina’ e ‘solta os cachorros’, além de se divertirem com as peripécias do Louro José. O Mais Você é um dos poucos programas da televisão nacional que consegue atrair público de todas as idades, de acordo com a própria Ana Maria. Em entrevista ao site HT, ela garantiu que ainda vislumbra muitos anos brilhando nas telinhas e que nunca duvidou disso. “Tinha certeza que o Mais Você daria certo na Globo, porque vinha de uma história de sucesso da Record. Eu levantei a Rede Record com oito anos de trabalho lá. Ficava seis horas no ar. Levei comigo uma bagagem muito grande de tudo o que aprendi e tinha consciência da mulher que era. Não tinha dúvida nenhuma”, garantiu Ana Maria.

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Ana Maria Braga comemora 20 anos de sucesso do Mais Você na Globo (Foto: Divulgação)

Ana Maria Braga comemora 20 anos de sucesso do Mais Você na Globo (Foto: Divulgação)

O fenômeno que é Ana Maria Braga não para por aí. A apresentadora foi uma das principais responsáveis por dar início aos programas de culinária na televisão brasileira. Na época, a gastronomia tinha pouco espaço na TV e, hoje, é um dos maiores motivos de alta de ibope na Band, por exemplo, que carrega uma legião de fãs com MasterChef. “A minha inspiração? Eu mesma. Por mais incrível que pareça, gosto de cozinhar. Inicialmente, o espaço que recebi na Record era um desafio, mas achei que cabia trazer um pouco da cozinha para aquele ambiente. A minha ideia era fugir da gastronomia quadrada que existia na época. Na minha percepção, a leveza poderia dar certo”, contou. E, quase 30 anos depois, a gente sabe que deu.

Apesar de ter dado o start em um projeto certeiro, Ana Maria comentou que não conseguiria ter alcançado o sucesso atual sem a inovação constante. Mais do que nunca o mundo da comunicação está mudando e a apresentadora garantiu que tenta ao máximo acompanhar esta maré. “Nós temos mudado bastante e ainda iremos alterar mais quadros, afinal, a forma de se comunicar já não é mais a mesma. Quem não prestar atenção nestas diferenças da linguagem e no que os jovens estão falando, a pessoa não vai ter condição de ter um portal como o meu”, informou. E Ana Maria sempre faz questão de dar a sua opinião em qualquer decisão que seja tomada no programa. “É um privilégio ter um espaço como o nosso todos os dias na grade da Globo, por isso sempre tento refletir o que estamos fazendo e qual o nosso direcionamento. Meu trabalho não se restringe ao de apresentadora, faço parte da equipe que aprova as matérias também. Sendo assim, eu sou verdadeira sempre. Falo e faço o que acredito. Não tenho vergonha de falar errado ou fazer alguma brincadeira”, afirmou.

Para garantir a presença dos jovens no Mais Você, por exemplo, a apresentadora sempre fica de olho no que está rolando nas mídias sociais e tenta buscar conteúdos. De acordo com ela, o famoso Louro José também é uma forma de trazer esta linguagem juvenil, já que ele sempre faz comentários e brincadeiras. “Muitas vezes, o que não posso falar ele diz e quando esqueço algo me ajuda. É uma parceria que dura 25 anos”, lembrou.

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Ana Maria Braga conta com a parceira fiel de Tom Veiga, que dá vida ao Louro José (Foto: Divulgação)

Ana Maria Braga conta com a parceira fiel de Tom Veiga, que dá vida ao Louro José (Foto: Divulgação)

O contato com o público é um espetáculo à parte neste programa. A apresentadora sempre tentou ao máximo se aproximar dos espectadores. De fato, conseguiu ultrapassar um pouco os limites da TV e entrar na casa das pessoas, através de uma linguagem simples e intimista. “A troca com o público é divertida. Sempre escuto como determinada dica ajudou e, a partir disso, engatamos em uma conversa sobre o programa. São sempre muito carinhosos, tanto homens como mulheres”, informou. Muitas vezes, inclusive, estes bate-papos se tornam uma reportagem no Mais Você. Este carinho também pode ser visto nas mídias sociais. Ana Maria é uma das grandes protagonistas dos ‘memes’, no Brasil. “Recebo todos e replico também. Acho uma delícia. Se a gente não aprender a rir de nós mesmos não seremos felizes nunca nesta vida. Eu morro de rir”, confessou.

No entanto, este contato mais descontraído com o público nem sempre foi tão natural e amigo. Ana Maria relembrou o início de sua carreira quando muitas vezes foi criticada nas grandes mídias e pelas pessoas que cruzava na rua devido as suas escolhas pessoais. “Antigamente, quando nem tinha internet, eu era a rainha da fofoca. Aquilo, no início da minha carreira, me magoava. Eu sonhava com aquela maldade que, na maioria das vezes, era apenas maldade mesmo. Eram notícias que me questionavam por ter escolhido um marido mais novo ou o lugar que eu ia. O tempo foi passando e eu percebi que aquelas manchetes não influenciavam em nada na minha vida e na das pessoas que gostavam de mim. De qualquer forma, não gosto da maldade e nem da mentira”, afirmou.

A apresentadora sempre fez questão de cultivar uma relação intimista com o público, tendo uma linguagem mais acessível e popular (Foto: Divulgação)

Enquanto era criticada, Ana Maria Braga fazia questão de transformar toda esta maldade em felicidade. Através de sua linguagem descontraída e intimista, ela conseguiu transmitir informações difíceis de compreender em algo fácil. Ao ensinar receitas rápidas e gostosas, muitas vezes ela instigava um lado empreendedor de seus telespectadores. “Como o programa já tem 20 anos só na Globo, a gente recebe muitas mensagens de pessoas que montaram o seu próprio negócio com receitas minhas e tiveram sucesso. Essas pessoas contam realizações que conseguiram a partir do nosso incentivo. Ter o retorno é é uma das maiores alegrias minha e da produção. É importante saber que motivamos alguém a dar um sorriso e acreditar em si mesma. É um prazer enorme saber que ajudamos a mudar alguma coisa. Com a quantidade de emprego no país caindo a cada dia, nós trazemos uma fonte de inspiração para novas oportunidades”, comemorou. Rainer Cadete, por exemplo, que está participando desta temporada do Super Chef Celebridades informou que conhece um rapaz que conseguiu sair do vermelho através das dicas gastronômicas do Mais Você.

Ana Maria é um arco-íris na vida de muita gente, mas é claro que a felicidade que ela transmite todas as manhãs não é real o tempo inteiro. Preocupações na sua vida pessoal acometem qualquer pessoa e ela não está fora disto. No início do ano, por exemplo, ela desabafou nas redes sociais que precisava de um tempo para cuidar de si. “Naquele dia, eu estava de mau humor por ter trabalhado muito e acabei escrevendo sobre, o que é natural. Tem épocas que a gente extrapola mesmo e acaba esquecendo de nós e da nossa família. Tem vezes que não consigo voltar para casa, em São Paulo, e ver os meus filhos e netos”, lamentou. Ana Maria comentou que nem sempre consegue administrar as saudades dos parentes, mas garantiu tentar todos os dias esquecer o lado pessoal para passar um astral positivo para os espectadores. “Quando atravesso a porta do programa, eu tento esquecer do outro lado, da minha vida pessoal e dos problemas que tenho. Além disso, é muito cedo e a minha equipe poderia estar de mau humor, mas o meu diretor de estúdio sempre faz questão de bater panela e animar. Tenho uma dose de energia muito grande todas as manhãs”, contou.

A apresentadora lamentou a falta que sente da família por morar no Rio e em São Paulo ao mesmo tempo (Foto: Divulgação)

Apesar de não estar diariamente com a sua família em São Paulo, Ana Maria comentou que sempre que pode tenta matar a saudade das pessoas que ama e muitas vezes o ponto de encontro é na cozinha mesmo. Os netos da apresentadora sempre pedem que a avó faça coxinha, batata frita e outros quitutes. Ter a cozinha como um local de união familiar é comum para a apresentadora, já que despertou o interesse pela culinária observando sua tia Venice. “Ela se casou com um russo o que a fez aprender muitas comidas diferentes e eu tinha certa curiosidade pelo que fazia”, relembrou. Além da mais tia, as suas vizinhas também tiveram um papel importante nesta formação da apresentadora. “Tinha muita curiosidade de conhecer mais da culinária, mas como cresci no interior de São Paulo me limitei muito às receitas que as vizinhas faziam. Com o tempo, o meu interesse só aumentou. Quando saí de casa, aos 18 anos, tive que me virar e levei para a minha culinária aquela memória. Acabei ficando nisto para o resto da minha vida”, relembrou.

Tudo o que sabe atualmente é também fruto de muita dedicação e vontade de aprender. Até hoje, Ana Maria confessou que ainda gosta de praticar algumas receitas em casa. “Amo o cheiro da comida. Tenho duas cozinhas aqui no Rio, por exemplo, para poder criar novas coisas sossegada. Inclusive, as minhas cozinheiras aprendem comigo. Elas vêm com uma base e nós vamos aprendendo juntas. Só fica quem quer aprender”, contou.

“Falta muito para vermos uma quantidade considerável no poder, mas é uma honra representar um pouco do meu gênero”, comentou Ana Maria (Foto: Divulgação)

Não é segredo para ninguém que Ana Maria Braga é um exemplo de girl boss. Empoderada, ela é um símbolo da comunicação na TV brasileira, mas contou que ainda pretende ver muitas outras mulheres em papéis de destaque como o dela. “Falta muito para vermos uma quantidade considerável no poder, mas é uma honra representar um pouco do meu gênero. Fico com pena, porque quando tivemos a oportunidade de realmente ter um símbolo feminino no topo, como foi o caso da presidente Dilma Rousseff, nós acabamos perdendo muito. Fiquei triste com essa falta de capacidade de dirigir uma nação que uma mulher bem preparada teria, como imaginei que fosse o caso”, garantiu. De qualquer forma, a apresentadora conseguiu fazer a sua parte e representar com propriedade as mulheres. “Se eu pudesse falar com a menina que fui um dia, eu diria para ela continuar sendo a mesma, porque foi porreta”, frisou.

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