Cinema & TV

“É mais fácil lidar com o preconceito do mundo quando há apoio familiar”, diz Rosane Gofman sobre LGBTQ+

Em entrevista exclusiva para o HT, a atriz, que está no ar em “A Dona do Pedaço”, fez um passeio pela carreira e falou sobre televisão, teatro e as mudanças de comportamento da sociedade

Publicado em 18/06/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Iron Ferreira

Dividindo o seu tempo entre a televisão e o teatro, Rosane Gofman conversou com o site HT sobre o atual momento de sua carreira. Às voltas com a peça “Eu Sempre Soube”, que irá estrear no dia 5 de julho, no Teatro Dulcina, a atriz interpreta a escritora Majô Gonçalo e aborda o amor entre mãe e filhos, com respaldo da temática LGBTQ+. “Acho que o apoio das pessoas amadas é o ponto de partida. Pelo que eu já ouvi em diversos depoimentos, se assumir LGBT é importante para a segurança. Encontrar apoio na família é fundamental para lidar com essa questão. Sentimento de mãe é especial demais. Eu já li relatos em que a aceitação transformou a vida dessa pessoa por completo. É mais fácil lidar com o preconceito do mundo exterior quando há apoio familiar”, declarou.

Segundo Rosane, é importante que a família acolha os membros LGBTs (Foto: Nanah Garcia)

Sobre a montagem, que estreia em julho, com texto e direção de Marcio Azevedo, ela comentou: “É um projeto pelo qual estou muito apaixonada. Tudo parte de 92 entrevistas que o autor da peça fez com mães de LGBTQs. Falamos muito sobre a falta que o amor materno pode causar. A família é colocada como o pilar para que essas pessoas enfrentem o preconceito da sociedade”.

Na televisão, a artista está de volta ao horário nobre da Rede Globo como a Ellen em “A Dona do Pedaço”. A personagem é empregada da casa de Maria da Paz (Juliana Paes) e confidente da protagonista. Além de muita diversão, ela entra em conflito com a jovem Josiane, interpretada por Agatha Moreira. “Apesar de ela ser empregada é também uma grande amiga da Maria da Paz. Elas estão juntas há muito tempo, desde antes da riqueza. Ela se sente no direito de dar conselhos, principalmente quando se trata da Josiane. A relação entre as duas é de profunda parceria”, afirmou.

A atriz está no ar como Ellen em “A Dona do Pedaço” (Foto: Nanah Garcia)

Com mais de 20 novelas no currículo e 36 anos de experiência, Rosane revela que houve muitas transformações ao longo desse período. Desde sua estreia na emissora, em 1983, no folhetim Louco Amor, a linguagem e a tecnologia ajudaram a moldar o que é exibido hoje na tela: “Eu acredito que os dramaturgos sempre foram muito bons, desde sempre e até hoje. Porém, as exigências do público acabam modificando os rumos da trama. Televisão tem muito a ver com o IBOPE. Acredito que a reação da sociedade inspira as mudanças no texto das novelas. Com o tempo, acabamos perdendo o tradicional novelão. Essa é a proposta do Walcyr Carrasco, junto com a Amora Mautner, para essa obra. No fundo, é isso que o público gosta de ver. Por um tempo, a modernidade, como a internet e outros meios, acabou afetando a qualidade de alguns trabalhos, mas acho que essa situação já vem sendo recuperada”.

Além de atuar, a atriz também gosta de contribuir na formação de novos talentos. Há 31 anos ela fundou o Teatro Escola Rosane Gofman. Atualmente, a casa é dirigida pelo filho, Kauê Gofman. Especializada em instruir arte para o público, a instituição pode ser expandida para novas unidades. “Estamos negociando uma parceria para levar a escola para Campo Grande e Barra da Tijuca. O meu filho se identificou muito com a escola e desde que ele assumiu a direção estamos em um crescente. Ele é muito empenhado e comprometido com esse projeto. Fico muito realizada em ver isso acontecer. Claro que eu ainda dou conselhos e tenho tanta paixão pela minha profissão que eu sinto uma alegria imensa de ver pessoas encontrando no teatro a sua motivação. Ele transforma a nossa vida”, frisou.

Ela revela que ama a profissão, mas que acredita ser difícil viver de arte no Brasil (Foto: Nanah Garcia)

Apesar do amor que sente pelo universo artístico, Rosane acredita que é difícil sobreviver desse meio: “Graças a Deus, eu sempre corri muito atrás e hoje consigo me sustentar com a minha profissão. Mas, para quem está começando o caminho é árduo. São Paulo, por exemplo, é uma cidade riquíssima culturalmente e que oferece mais oportunidades no meio artístico. Já o Rio de Janeiro, é muito voltado para a televisão, e nem todo mundo consegue. Concluindo, acho que dá para viver de arte, mas é muito complicado, especialmente diante do momento de retrocesso que o nosso país vive”.

Serviço:

Estreia: 05 de Julho

Teatro Dulcina – R. Alcindo Guanabara, 17 – Centro, RJ

De sexta a domingo, às 19h Valor: 60,00

Gênero: drama

Classificação 14 anos

Duração: 70min

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