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Operação Tempo Fechado faz buscas em oito Estados e desmantela grupos que atacaram Maju Coutinho

Com mais de 20 promotores em ação na Operação Tempo Fechado, a tarefa agora é tentar entender o modus operandi dessa organização

Publicado em 10/12/2015 | Por Lucas Rezende

Atende pelo nome de Tempo Fechado a operação conduzida – até então com certo sigilo – pelo Ministério Público de São Paulo para identificar os culpados por trás das ofensas racistas disparadas contra a jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju do “Jornal Nacional” (Globo), em julho deste ano, no Facebook. Desde o amanhecer desta quinta-feira (10), 25 mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Amazonas, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. E as primeiras conclusões já vieram, segundo conta o promotor Christiano Jorge dos Santos: “A novidade é a confirmação de que há grupos organizados. Não se trata de uma ação espontânea, que ganha volume em cadeia. São organizações criminosas com distribuição nacional”.

(Foto: Globo/Reinaldo Marques)

Dr. Christiano chegou a esse raciocínio após apreensão de computadores e smartphones nas casas e locais de trabalho de 12 suspeitos de atacar Maju. Com mais de 20 promotores em ação na Operação Tempo Fechado, a tarefa agora é tentar entender o modus operandi dessa organização. Até agora, um caminho foi traçado: eles parece duelar. Quanto mais um ataque é midiatizado, ganha curtidas, compartilhamentos, gera repercussão, maior é a “moral” do racista dentro dessa organização. Por isso, o raciocínio inicial estava correto: é grande a possibilidade dos ataques às atrizes Taís Araújo, Cris Vianna e Sheron Menezzes também terem sido orquestrados pelas mesmas pessoas. Dessa forma, forma-se um ciclo vicioso.

Até agora, dos 12 suspeitos, três são menores de idade. Em sua maioria, eles são investigados pelos crimes de injúria qualificada, racismo, organização criminosa e aliciamento de menores. Os equipamentos apreendidos estão na perícia, mas já se tem notícia de que material de pedofilia também foi encontrado. Em certos equipamentos, observava-se o questionamento interno da ascensão de Maria Julia Coutinho dentro do jornalismo da TV Globo. Cinco grupos foram desmantelados. A conclusão do promotor, em entrevista à BBC?  “Puxamos o rabo do gato e veio um tigre”.

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