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Eminem, famoso pela homofobia, tem faixa vazada e (surpresa) pede perdão por suas posições conservadoras

Em ‘What If I Was Gay?’, em que canta com Joyner Lucas, o rapper interpreta um homem que questiona a própria sexualidade depois que uma tragédia atinge seu amigo de infância

Publicado em 06/11/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Jeff Lessa

Eminem tem faixas e clipes cheios de referências LGBTQ-fóbicas pesadíssimas. No entanto, aos 47 anos, parece que o rapper resolveu fazer uma revisão de conceitos. Parece. Na nova canção chamada “What if I Was Gay?” (“E se Eu Fosse Gay?”), que “vazou” na internet recentemente, ele faz essa  pergunta ao também rapper Joyner Lucas, seu parceiro na faixa.

Joyner Lucas diz:

But still, what if I told you I’m out of place: Wait

What if I told you I was gay?

(E se eu te dissesse que estou deslocado? Peraí

Se eu te disse que eu sou gay?)

Eminem responde:

What if I’m a hypocrite who is afraid to just face the truth? Wait

What if I told you I was gay too?

(E se eu for um hipócrita com medo de encarar a verdade? Peraí

E se eu te dissesse que sou gay também?)

Eminem e Joyner Lucas não são conhecidos exatamente por serem LGBTQ ‘friendly’ (Reprodução)

Esses versos vazaram pouco antes do Halloween (31 de outubro) e a faixa inteira, em seguida, chegou ao conhecimento do público. Conta a história de dois amigos que se conhecem desde a infância e cresceram fazendo comentários sobre mulheres e “assuntos de homem”. Joyner Lucas fala a partir do ponto de vista de alguém que tem medo de ser condenado ao inferno, por conta de suas crenças religiosas. Seus versos demonstram que ele quer que os gays assumam sua sexualidade publicamente, mas têm medo de ser abandonados por aqueles que amam. O personagem de Eminem, por sua vez, é o hétero que acredita piamente que alguém só é gay porque não tentou com mulheres.

A canção avança e, depois de uma vida inteira suportando o desprezo e a homofobia, o personagem de Lucas se suicida. Eminem pede perdão por suas palavras cruas e seu conservadorismo e reza a Deus pedindo misericórdia. Ele revela a luta interna que trava contra sua própria sexualidade e encerra com uma pergunta ao amigo que já não pode ouvi-lo: “E se eu te dissesse que sou gay também?” De acordo com a revista americana “Genius”, alguns fãs pagaram a um hacker para vazar a canção inteira.

Novo escândalo

Infelizmente, Eminem não está navegando em águas tranquilas graças à sua demonstração de fofura em relação aos LGBTs. Versos descartados de uma colaboração de BoB com Eminem, chamada “Things Get Worse” (“As coisas Pioram”, em tradução literal), divulgada em 2011, também vazaram – mas esses recolocam o músico numa posição muito, muito ruim. O trecho proclama que Eminem estava do lado de Chris Brown quando este agrediu a então namorada Rihanna, em 2008. Segundo a letra, “Claro que eu estou do lado do Chris Brown, eu bateria em uma vadia…”. Mesmo assim, Eminem colaborou com Rihanna em “Love The Way You Lie”, “Love The Way You Lie Part II” e “Monster”. Obviamente, o público que adora uma fofoca não deixou passar: o nome do rapper tornou-se o mais comentado no Twitter nessa segunda-feira (4)

Só para relembrar o caso: na noite anterior à cerimônia dos Grammy Awards de 2008, Brown e a cantora tiveram uma discussão e o ele agrediu a artista, que ficou com o rosto muito machucado. O casal terminou o relacionamento, mas, em 2012, voltou a namorar – por um período breve, ainda bem.

Investigação

Em outubro foi revelado que Eminem havia sido investigado pelo Serviço Secreto dos Estados Uindos por causa de “letras ameaçadoras” contra a filha de Donald Trump, Ivanka. Ele foi questionado sobre a canção “Framed”, de 2017, numa entrevista. Durante a “conversa”, foi questionado sobre as letras anti-Trump apresentadas em uma premiação e sobre comentários a respeito do presidente americano em entrevistas. Em uma reunião dois dias após a entrevista foi determinado que o caso não iria adiante, por Eminem não representar uma ameaça contra o presidente dos Estados Unidos.

 

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