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Em Gramado, a feira de calçados Zero Grau se firma como modelo de negócios e reflete os desejos e necessidades do Brasil contemporâneo

Entre os dias 17 e 19, o evento antecipa as tendências para o inverno 2015 e mostra que a mulher brasileira do século XXI sabe muito bem como combinar conforto com sensualidade

Publicado em 17/11/2014 | Por Heloisa Tolipan

Apesar de “não estar fácil para ninguém” há bastante tempo, é impossível negar o aumento do poder de compra dessa tão discutida e observada “nova classe C”. Bem no meio dessa gradativa ascensão social, está o papel fundamental da mulher, que, ao longo dos anos, vem clamando seu lugar de direito na economia brasileira como um agente influenciador de peso. E, por mais que seja difícil entrar em estereótipos pré-estabelecidos, quase todos os seres do sexo feminino gostam de um bom sapato, daqueles que vão muito além de um simples calçado, mas se configuram como verdadeiros itens de desejo. E é exatamente nessa interseção que é constatada a importância da Zero Grau, feira de calçados e acessórios que promete movimentar mais uma vez a cidade de Gramado/RS entre os dias 17 e 19.

Imagem da movimentação da edição 2013 da Zero Grau (Foto: Henrique Fonseca)

Localizada no Centro de Convenções Serra Park, a recente edição da Zero Grau pode ser considerada como um daqueles grandes booms anuais pelos quais a indústria de calçados e sua economia criativa passam: são esperados 10.000 visitantes, que ainda devem movimentar o setor turístico do Rio Grande do Sul. “Esse é um evento que vem tendo um crescimento consistente e esperamos que isso se repita nessa edição. A Zero Grau se firmou no cenário da moda e dos negócios que envolvem calçados e acessórios. É o momento de as coleções da indústria serem apresentadas, e dos compradores renovarem seus estoques”, comenta o  diretor da Merkator Feira e Eventos, promotora da feira, Frederico Pletsch, ressaltando ainda a boa aceitação da moda calçadista brasileira pelas Américas e Europa. “O evento tem tido uma internacionalização constante, e cada vez mais os compradores externos estão sendo importantes”, diz. E qual o maior país importador desses produtos nacionais? Nossos brothers dos EUA.

Falando de business, os norte-americanos podem até sair na frente em questão de importação dos produtos nacionais, mas ainda são esperados outros 23 países com potencial de compra para a feira, que representa 30% do lucro anual gerado pelo setor. Apenas no primeiro semestre já foram exportados 63,73 milhões de pares de calçados para vários países, dentre os quais merecem destaque Argentina, Angola e Bolívia, grandes consumidores dos produtos brasileiros, como explica Frederico: “São mercados que já compram os nossos produtos, e onde os consumidores já reconhecem as nossas marcas. Isso garante que esses importadores que virão ao Brasil efetuarão bons pedidos junto aos nossos expositores”. Isso sem falar em outras nações que podem até não serem grandes nomes nesse setor brasileiro, mas representam compradores em potencial e estarão presentes na Zero Grau: “Com isso, mercados onde ainda temos um grande potencial de expansão serão abertos. O importante é que conseguimos mesclar importadores de países que já compram das nossas empresas, e por isso compram em maior volume, com representantes de países em que a nossa presença pode ser maior, diversificando a nossa oferta”, explica o diretor.

Frederico Pletsch, diretor da Merkator Feiras e Eventos (Foto: João Ricardo | Divulgação)

Frederico Pletsch, diretor da Merkator Feiras e Eventos (Foto: João Ricardo | Divulgação)

Uma das grandes novidades que promete elevar ainda mais o nível da feira é o desfile Spot Fashion que será realizado no dia 18, mais especificamente no pavilhão 3. Com styling e produção assinados por Júlio Rossi e abertura comandada pelo pessoal da Trends Lab, serão quatro marcas sobre a passarela, apresentando as melhores tendências e previsões para o outono/inverno 2015: Kildare, especializada na moda masculina; Bebecê, que foca nos saltos de todos os tipos e tamanhos, trazendo três temas-chave para a estação (Folk Urbano, New Sixtie e Heavy Metal); Macadâmia Bolsas e a Whoop, sessão de tênis da Ramarim. Frederico Pletsch comenta a importância dessa exposição imediata para os convidados do evento: “Essa é mais uma inovação da edição deste ano. A Zero Grau vem se qualificando, e ressaltar a moda exposta na feira é algo importante, tanto para o lojista quanto para o fabricante”.

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Do tradicional ao que há de mais novo no momento, a gama de produtos expostos  agradará a todos os tipos de lojistas. Basta ver a clássica Moleca, que volta com as suas já icônicas sapatilhas em versão repaginada, mas ainda assim mantendo os traços pelos quais se tornou onipresente entre as garotas: conforto e versatilidade. Através de uma paleta de cores variada, que vai dos básicos preto e bege aos divertidos rosas, azuis e roxos, a nova coleção agrada desde as seguidoras da boho chic interpretada por Sienna Miller até o folk chic e étnico, com franjas, solas estampadas e acabamentos artesanais. O jeito alegre e brincalhão fica ainda mais evidente na linha infantil da marca, a Molekinha, que merece destaque especial para a diversão de flores, poás e animal print nos pezinhos.

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Continuando com a pegada jovial, a Kipling, marca queridinha de todas as meninas que já desejaram uma mochila com chaveiro de macaquinho na vida, faz sua estreia no evento e chega com a 6ª coleção de sapatos, batizada “Back To School”, que promete sair voando das prateleiras e ir direto para os pés do seu público-alvo juvenil. Ballerinas, birkens, oxfords e docksides aparecem com pegada ecológica nos materiais, dentre os quais merece atenção especial a lona desenvolvida com algodão e PET reciclados.

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Mantendo a identidade jovem, mas para aquela menina mais crescida que já gosta de se sentir poderosa, a coleção apresentada pela Via Marte traz com força total a principal faceta da marca: o sexy. Do preto dominante à suntuosidade do petróleo e violeta, todas as peças aparecem com salto, independente do tamanho. Através do slip-on com textura croco, ankle boots franjadas, scarpin com detalhe de onça e as botas de cano alto feitas com couro e tachas, a grife resgata e reforça a sensualidade no andar de uma femme fatale.

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Seguindo a mesma linha de pensamento, mas com um toque especialmente luxuoso e chamativo, a Vizzano também parece trazer um inverno perfeito para a mulher que gosta de valorizar o próprio corpo, em especial as pernas que podem estar cobertas apenas por botas over the knee e um vestido, isso tudo sem perder a pose de metropolitana que presa pela praticidade. O item que melhor traduz esse mix de glamour arrojado com urbano despretensioso é a peep toe de camurça com salto de textura croco, e na frente, o ouro  de uma corrente que, apesar do fundo preto, não tem nada de básica, darling.

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Na contramão da contemporaneidade da mulher urbana, a Orcade faz um flashback e viaja até os anos 1950 para trazer a inspiração no new look de Christian Dior, jogando várias referências nesse liquidificador fashion: franjas, militarismo, poá, low heel, bico fino, étnico e esportivo. O resultado é a coleção Luxury, que traz modelos em tons básicos como o marrom terroso e o total black e estruturas como as botas chelsea e over the knee. Um saboroso shake de tendências.

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A praticidade e o conforte que a mulher do século XXI exige em seu guarda-roupas também é uma das principais motivações por trás da coleção apresentada pela Zeket. Para isso, as apostas da marca são tendências seguras, mas certeiras, que alinham conforto e sofisticação através de franjas, couro de cobra, fivelas metalizadas e modelos que também vão das atuais botas over the knees às já clássicas e infalíveis ankle boots.

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Mostrando que o inverno não precisa ser cinza nem sério, a Século XXX investe no estilo girlie que nunca sai de moda, com uma coleção cheia de romance e cores soft, como o rosa claro, champanhe e o cabernet, espalhados por peep toes e scarpins que, se enganam pelas cores, não deixam dúvidas quanto às intenções do salto agulha. Atenção especial para os detalhes em pedraria e às texturas alternadas, que dão um toque arrojado e menos entediante aos calçados.

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Falando em cores vibrantes, a Beira Rio parece que quer trazer o sol para a estação mais fria do ano através dos pés. Laranja e mostarda aparecem em anabelas e rasteirinhas, além do couro de cobra que dá as caras tanto nas avarcas quanto nas ankle boots, dando aquele poder combinado com conforto. E não pense que só de praticidade é feito o inverno, porque há também espaço para o clássico scarpin total black, com aberturas estratégicas e recortes assimétricos, acertando em cheio no bolso e nos desejos da mulher.

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Dando aquela zapeada geral pelo preview das coleções, percebe-se que a moda está se ajustando às necessidades com o passar dos anos. A palavra de ordem parece ser conforto, mesmo que ele venha aliado a um saltão e uma bota dominatrix. Afinal, não é assim que a mulher contemporânea age no seu cotidiano? Trabalhando e acumulando funções durante o dia, sem perder o jogo de cintura e a sensualidade quando cai a noite. A Zero Grau então cumpre o seu papel de ir um pouco além do comercial e refletir costumes sociais que sim, podem e devem ser exportados para outros países.

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