Moda & Beleza

Walter Rodrigues analisa o que está por vir no universo fashion: “É preciso foco, especialização e planejamento para sobreviver”

Estilista e Coordenador do Núcleo de Design da Assintecal, ele conversou com o site HT antes de abrir as portas da 14ª edição do Inspiramais - Salão de Design e Inovação de Materiais: "No Inverno 2017, apontamos a força do coletivo, indicamos uma inspiração forte para sentimentos que estão à flor da pele, independentemente de qual seja sua cor"

Publicado em 26/06/2016 | Por Junior de Paula

Às vésperas da abertura do Inspiramais – Salão de Design e Inovação de Materiais – que chega à 14ª edição e será realizado no Centro de Eventos ProMagno, em São Paulo, segunda e terça-feiras, como já contamos por aqui – fomos atrás de uma das cabeças pensantes mais importantes da moda brasileira e responsável por coordenar o Núcleo de Design da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal). De quem estamos falando? Walter Rodrigues, claro.

Walter Rodrigues é o coordenador do núcleo de estilo da Assintecal (Foto: Divulgação)

Walter Rodrigues é o coordenador do núcleo de estilo da Assintecal (Foto: Divulgação)

“O Inspiramais na sua 14ª edição está de casa nova, um espaço acolhedor e com melhores condições para recebermos nossos visitantes. O espaço Pro Magno facilitará a adequação dos projetos presentes no Salão, ampliando os espaços de cada um, assim o Fórum de Inspirações, o Mix By Brasil, o Eco Design, o Fazeres Manuais que trabalham com a pesquisa do Inverno 2017 poderão acolher melhor os visitantes. E mais os projetos que estão relacionados com o Verão 2018, tais como Referências Brasileiras, Preview do Couro e o +Estampa – conectarão as pessoas com o universo inspirador do próximo verão. Hoje, o Salão Inspiramas é uma referência para produtos originais e inéditos”, contou.

Depois de passar por 30 polos de moda do Brasil, com o Fórum de Inspirações Inverno 2017 – no qual ele e a equipe do Núcleo de Design dissecam todas as tendências e os caminhos que vão guiar os materiais para calçados, bolsas, vestuário, acessórios e móveis para o Inverno 2017  – Walter desembarcou em São Paulo para apresentar – a partir dessa segunda feira – aos visitantes do Salão a exposição resultante de toda a pesquisa de materiais e trabalho árduo na busca por mostrar o que vai virar desejo no fim da cadeia produtiva.

“As empresas participantes desenvolveram perto de 600 novos materiais, baseados na pesquisa do Inverno 2017 e, assim, estilistas e designers poderão encontrar todos os materiais necessários para um produto de moda, interrelacionados, já que seguimos uma cartela comum de cores, facilitando assim encontrar o material principal do produto como couro, laminados e tecidos e mais todos os detalhes, como forro, enfeites, cadarços e muito mais nas mesmas cores e padronagens” explicou, ratificando que, hoje, o Inspiramais é uma grande vitrine de tudo que é produzido em componentes de moda e de inovação, proporcionando aos visitantes uma visão estruturada e também muitas indicações da próxima estação.

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Além de guiar alguns grupos pela exposição com todas as tendências explicitadas pelos corredores do evento, Walter também está escalado para uma palestra na segunda às 19h. Ambas com entrada gratuita. “No Inverno 2017, apontamos a força do coletivo, indicamos uma inspiração forte para sentimentos que estão à flor da pele, independentemente de qual seja sua cor. Elegemos tonalidades vibrantes para encantar e dar vida aos produtos e festejamos a ideia da moda como um aglutinador de forças para uma indústria mais forte, mais atuante – capaz de entender sua posição na estrutura da cadeia produtiva da moda e de se orgulhar disso”, antecipou Walter sobre as inspirações para a próxima estação, que, no ano que vem, estarão nas vitrines de todo o Brasil.

Pode parecer assustador e até imprevisível para quem olha de fora essa antecipação de quase um ano – ou ainda mais, se pensarmos que o Inspiramais também apresenta o Preview do Couro Verão 2018 – mas as engrenagens da indústria fashion sempre se moveram com o futuro em mente. E Walter, como ninguém, tem visão de alto alcance. E é por isso, e por muito mais, que batemos um longo papo com o estilista sobre tudo. Em tudo leia-se, claro, moda, inspirações, crise, Brasil, projetos pessoais, a força do coletivo e muito, muito mais. Vem:

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HT: Do provocante, com toques e acabamentos ousados, ao pop, com padronagens de ícones, passando pelo estranho, de padronagens emaranhadas, científicas e neón, pelo militante, de camuflagem e shapes utilitários, pelo minimalismo e até looks total white. Você pode nos falar sobre as inspirações para o Inverno 2017?

WR: Será uma estação vibrante. A multiplicidade de inspirações proporcionará que cada um tenha a chance de criar um produto que encaixe perfeitamente com seu posicionamento de mercado. Isto sempre facilita a criação de uma coleção valorizando-a. Os temas estão posicionados dentro da Metodologia da Pirâmide, o que torna fácil a compreensão e organiza os processos criativos. Assim materiais inovadores, as apostas presentes nas tendências vigentes e a renovação dos produtos tidos como comerciais, estarão todos contemplados no único salão de inovação e design da América latina: o Inspiramais. Convido a todos a experimentarem a energia contida nestes dois dias, uma energia criativa que contagia a todos, e que traz para São Paulo um grande número de empresas, todas contando uma mesma história, só que cada uma a contará à sua maneira. E é isso que faz do Inspiramais um lugar incrível.

HT: “Por ser o primeiro elo de uma enorme corrente, tradicionalmente, a indústria de materiais não comunica o destino de suas criações. Fica tranquilamente à espera de que a marca que comprou os componentes faça sucesso. E que, em seguida, muitas outras marcas queiram copiar a ideia e venham em busca do material perfeito. Este é o caminho trilhado há anos – e tem que mudar”. A frase é sua sobre uma grande análise do contexto da indústria de componentes de couro, calçados e acessórios. Como estão sendo alinhavados os trabalhos para esta mudança?
WR: Nesta edição estamos buscando no significado desta palavra africana que holisticamente nos impele a olhar para o mundo de forma mais sensata, já que somos dependentes uns dos outros. Assim a palavra Ubuntu que significa – “Sou porque nós somos”, representa um ideal de fortalecimento de toda a cadeia produtiva da indústria da moda. Temos que refletir sobre o poder desta indústria na economia brasileira: seja na geração de renda de milhares de trabalhadores ou no enorme volume arrecadado em impostos, pelas vendas dos produtos no mercado nacional e internacional. Buscamos, assim, comunicar a importância de cada empresa na construção de um produto e mais: que cada empresa seja valorizada neste processo, entendendo assim o seu papel e sua missão até que o produto de moda chegue ao consumidor final. Nestes tempos conturbados, a melhor escolha é a união de todos os elos da cadeia produtiva, fortalecendo e encorajando os empresários a atravessarem seguros esta fase de turbulência.

HT: “Ubuntu”. A palavra, uma filosofia africana cujo significado se refere à humanidade com o próximo, trata-se de um conceito muito amplo sobre a essência do ser humano e a forma como se comporta em sociedade. Como foi a escolha do tema desta edição e qual a sinalização para a sociedade?
WR: O impacto da leitura do livro Brasil uma Biografia de Lilia Moritz Schwarcz e Heloísa Starling – Editora Companhia das Letras de 2015, nos proporcionou uma experiência única ao tomarmos conhecimento das profundas marcas estabelecidas na formatação de nossa história com a chegada dos portugueses, dos africanos e de sua relação com os habitantes originais do continente: os índios. Diante deste resultando vibrante de mestiçagem, instiguei os nove consultores participantes do Núcleo de Pesquisa Assintecal a exporem seus pontos de vista sobre esta realidade e assim construímos nossos argumentos baseados em palavras chave, como ancestral, provocante, rotação, cadência, flexível e labiríntico, temas que nos conduziram a imagens e a uma narrativa sobre estes sentimentos presentes na história e na cultura brasileira. Portanto, este grande passeio culmina em um compêndio de imagens inspiradoras que irá facilitar a criação dos componentes. A palavra Ubuntu, também personifica uma nova fase na narrativa do Fórum de Inspirações, já que em estações passadas a ideia de Pertencimento fortalecia a descoberta e assimilação da identidade da empresa em seus produtos e na sequência buscamos na palavra Despertar, motivar as empresas participantes a comunicar sua essência, agora imbuídos destas certezas é chegada a hora de unirem-se. Daí Ubuntu – sou porque nós somos – inspirará este movimento para que se tornem mais fortes.

HT: O Fórum de Inspirações culmina no Inspiramais: Salão de Design e Inovação de Materiais – o grande projeto da Assintecal, em parceria com o Footwear Components by Brasil, o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) e o Brazilian Leather. Qual a sua análise sobre o trabalho desenvolvido no semestre pelo Brasil?
WR: O Fórum de Inspirações é um projeto grandioso, realizado pelo convênio entre a Assintecal e o Sebrae Nacional, visando projetar um produto de moda mais original e criativo a partir de ações de design. Assim uma pesquisa é referendada e é colocada em prática por consultores do Núcleo de Design Assintecal, do qual sou coordenador, nas empresas associadas, e este vem a ser o principal e mais importante diferencial do Fórum de Inspirações, que nada mais é do que um bureau de estilo. Este diferencial é a presença dos consultores nas micro e pequenas empresas de materiais de moda, auxiliando-as a construírem seus produtos e dando-lhes o suporte necessário para formatar uma coleção e obterem sucesso e lucro. Outros bureaus nacionais e internacionais apenas disponibilizam a pesquisa, deixando as empresas decidirem seus caminhos empiricamente, o que pode ser muito complicado sem uma ajuda profissional. A pesquisa também é apresentada em 29 polos de moda e um de varejo, totalizando 30 oportunidade de comunicarmos os conceitos, ampliando assim o seu papel de inspirar e fortalecer a indústria da moda brasileira. Também levamos nossa pesquisa a países da América Latina, pois exportamos os componentes de moda para vários países, tais como Peru, Colômbia, Chile, Equador, México e Argentina.

Leia mais: Do Forum de Inspirações Inverno 2017: Fabricantes e empreendedores conhecem as tendências para a moda e a indústria de componentes na temporada. Vem saber!

HT: “Moda não é apenas forjar uma forma e apostar em uma cor. Moda é o reflexo do tempo em que vivemos, parte do cotidiano de milhões de pessoas que precisam dela para se identificar, se impor e, mais ainda, para se sentir felizes. Trabalhar com moda não é para amadores. No Inverno 2017, apontamos a força do coletivo, indicamos uma inspiração forte para sentimentos que estão à flor da pele, independentemente de qual seja sua cor. Elegemos tonalidades sua posição na estrutura da cadeia produtiva da moda e de se orgulhar disso”. A partir desta sua análise, como você vê o cenário atual da moda no Brasil?
WR: Estamos atravessando uma das piores crises de nossa história, e ela está refletindo em todas as áreas, principalmente nos produtos de moda, que passam a ser considerados supérfluos diante da necessidade de planejar e restringir gastos. A fragilidade do setor da moda fica evidente, com os sucessivos anúncios de fechamento de grandes fábricas e com a alta do desemprego nos polos de moda. Há uma visível retração nos novos negócios, e em projetos de ampliação do setor, isso faz com acreditemos ainda mais em união, em planejamento e também em estratégias mais incisivas para a criação de produtos originais, que não concorram apenas por preços e, sim, por sua essência criativa. O propósito do Fórum de Inspirações é incentivar a pesquisa, e assessorar as empresas a buscarem soluções criativas e seguras para continuarem fortes no mercado, mesmo com este cenário incerto.

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HT: Como se contabiliza e viabiliza o sucesso a partir da sua frase: “Em pleno século 21, pessoas e empresas ainda estão alienadas, sem perceber que a força do coletivo, com a união de intenções e propósitos, pode gerar prosperidade a todos. Em cada produto de moda, encontram-se dezenas de componentes de várias procedências. Curiosamente, as companhias se reúnem para criar o encantamento, mas não para contabilizar o sucesso”.
WR: A criação de um produto de moda é embasada por muitos materiais, vindos de empresas diferentes em sua maioria, assim a engenharia de produção para a criação de uma coleção é um desafio e tanto. Notadamente que ao produto ficar pronto a maioria destes materiais se perdem e ficam apagados diante da etiqueta e da história da marca que os reuniu. É comum sabermos que determinado componente de moda foi crucial para o sucesso de um produto de determinada marca, mas a empresa que o criou não contabiliza este feito, por não comunicar bem seus produtos e assim entendemos que os méritos da criação de um bom componente se perdem e não criam um ambiente a empolgação necessária para que a empresa avance no mercado. Na maioria das vezes empresas de componentes preferem vender em larga escala, e isto é compreensível, mas não devem esquecer que o marketing gerado por ações mais exclusivas ampliam sua visibilidade no mercado. Acreditamos que empresas que trabalham unidas desde a concepção dos materiais até a chegada dos produtos na vitrine, prosperam juntas, ganhando fidelidade de seus consumidores finais, que as elegerão como favoritas, pois elas lhes proporcionarão uma experiência segura de compra.

HT: Nestes anos todos, realizando estudos e projetos para a Assintecal, o que você pode nos relatar sobre o avanço e interiorização de ações? Quais os resultados?
WR: Ainda temos uma demanda por produtos confirmados nas principais vitrines do mundo, não conseguimos ainda na maioria das marcas de produtos de moda, passarmos imunes as cópias.
Nós acreditamos na sintonia de gosto que rege o mundo, hoje somos influenciados por tudo o que acontece no globo, afinal estamos todos conectados, o mais difícil de entender é que sempre haverá uma história por trás de cada produto, marcas internacionais são mestras em terem uma boa narrativa e sabem como ninguém valorizar o produto com sua tradição do fazer, e comunicam aos seus compradores esta magia, Então nos perguntamos, por que não buscar em uma mesma inspiração um outro aminho, que seja enfim interpretado, relacionando o produto com a história da empresa ou com seu entorno, inserindo nele identidade, mesmo que ele seja um produto que se refere a uma tendência mundial, parece que copiar por copiar é mais fácil, mas esquecem que todos podem copiar e que no final lá na escolha do consumidor, vencerá quem conseguir projetar o produto com melhor preço, e sendo assim alguém perderá. Portanto se uma empresa compreende o momento em que estamos vivendo aposta em uma ideia recorrente, mas decodifica e cria uma nova história para o produto, ela terá mais chances de ter um lucro maior. Afinal originalidade será sempre um fator de diferenciação e de maior valor percebido. É um trabalho sem fim, e não podemos desanimar, a importância da presença constante de projetos de design, como o Fórum no cenário das empresas de moda do país, é de suma importância para a consolidação desta originalidade.

HT: O Brasil atravessa uma de suas piores crises econômica. Qual o cenário que você tem encontrado para a moda e indústrias em suas andanças pelo país?
WR: Empresas que se empenharam a compreender a importância de planejar, de buscar de tempos em tempos novos conhecimentos, de formatarem um business a médio e longo prazo estabelecendo assim um crescimento seguro, estão um pouco mais confortáveis, mas já aquelas que a cada dia tem um novo desafio, sem nenhuma vocação ou miram todos os nichos de mercado sem especializar-se, estas estão sucumbindo com a falta de visão. É preciso nos casos das micros e pequenas empresas, conscientizar-se da importância do foco, da especialização e do planejamento, pois só assim elas sobreviverão.

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HT: Depois de um intervalo de dois anos, o Rio de Janeiro ganhou uma nova semana de moda, o Rio Moda Rio. Este formato ainda é rentável?
WR: É inegável o charme e a identidade da moda produzida no Rio de Janeiro, o lifestyle carioca é um dos mais reconhecidos do mundo e portanto um dos mais desejados, esta cidade transborda estilo. Acredito que será um bom caminho. Estamos acompanhando e começando a entender como irá se juntar, moda, design e arte contribuindo assim para que o estilo carioca possa novamente ser apreciado e comprado pelo Brasil e pelo mundo. As marcas sempre precisarão de um espaço para comunicarem suas histórias, tudo parece estar perfeito neste momento e que venham mais possibilidades como esta no futuro.

HT: Estamos em plena era do “see now, buy now”. O que você tem a comentar sobre esse desejo imediato gerado pelo acesso amplo às informações?
WR: Acho difícil concretizar este desejo, as empresas terão que ter um planejamento primoroso na criação, na compra de insumos e no conhecimento sobre seus consumidores, para acertar as quantidades, as cores desejadas, os tamanhos e até preços. Trabalhar com pronta entrega exige, primeiramente, capital de giro e gerenciamento de produção, e me parece que nossas empresas em sua maioria não estão preparadas para isso

HT: A Assintecal busca uma internacionalização e acredita que o nosso país tem espaço para crescer pelo mundo. Como você sente a receptividade internacional para a moda “made in Brasil”?
WR: Somos privilegiados, vivemos em uma natureza esplendorosa, temos mais de 7.000 quilômetros de praias, temos vários biomas diferentes e uma luz que enaltece as cores. Sendo assim somos uma referência em produtos de verão e podemos sim ter mais espaço no mundo. Depende apenas da inclusão de design nos produtos criados, fortalecendo a originalidade, em tudo o que ele representa, em todas as etapas, do início ao descarte, sendo sérios e relevantes no discurso e com os olhos bem abertos para as mudanças do mundo. Se nos conscientizarmos que temos como na nossa música um colorido, uma cadência, um ritmo que é produzido por instrumentos comuns no mundo todo, mas que apesar desta homogeneidade a nossa música é única, o segredo está na maneira de como estilizamos as notas, tornando-as únicas produzindo assim o mais puro encantamento, já na moda a falta de originalidade não nos faz protagonistas, e sim meros participantes.

HT: Recentemente, você postou em suas redes o prazer de voltar a desenvolver projetos que tenham uma passarela. Pode nos contar…
WR: É sempre bom ter desafios pela frente, voltar a projetar uma coleção, não apenas matou algumas saudades, mas também me fez aprender a importância de planejar tudo ainda mais, e de saber o que fazer com os resíduos, que poderão virar um lixo indesejável, de poder compartilhar conhecimentos e aprender com outras pessoas, enfim viver. Um sonho, tornar conhecido ainda mais o trabalho realizado aqui em Caxias do Sul, por estes talentosos estilistas e comunicar esta aptidão da cidade que escolhi para viver de ser criteriosa, dedicada e cuidadosa quando o assunto é o meio ambiente, quero participar desta jornada e mostrar que sim é possível ser responsável e prosperar ao mesmo tempo fazendo moda.

HT: Me conta um pouco sobre os seus projetos pessoais desenvolvidos no primeiro semestre? 
WR: Neste primeiro semestre, tive o prazer de pela segunda vez ser o diretor criativo do 2º Caxias Eco Fashion, um evento de moda que acontece dentro da Semana do Meio Ambiente realizada pela Prefeitura de Caxias do Sul e pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Caxias do Sul. A cidade tem um profundo respeito pela natureza e é preocupada com os resíduos e com o descarte de materiais. Aqui temos um projeto da Prefeitura, coordenado pela Secretaria do Desenvolvimento do Município, e que tem no seu conselho gestor a Universidade de Caxias do Sul, o Sindivest e outras entidades, que apoiam o Banco de Vestuário, um espaço onde as empresas afiliadas a esta ação enviam seus resíduos. Assim tecidos, fios, peças pilotos, maquinas e aviamentos, tem um novo destino. No Banco de Vestuário também funcionam, cursos gratuitos de modelagem, de costura, artesanato, patchwork e malharia retilínea abertos à comunidade. O meu desafio maior foi o de aceitar o convite da SEMMA – Secretaria do Municipal do Meio Ambiente, para criar uma coleção feita totalmente com os resíduos encontrados nos acervos do Banco, assim tecidos de várias procedências e de diferentes funções se juntaram a malharia retilínea, ao artesanato, patchwork dando vida a 32 looks que foram desfilados no primeiro dia do 2º Caxias Eco Fashion aqui na cidade. Minha missão foi colocar o projeto Banco de Vestuário em um novo caminho, enfatizando seu rico legado e também procurar estabelecer uma linguagem de moda e fortalecer seu papel sustentável, onde não apenas matérias primas recebem novos formatos, mas também pessoas descobrem novos valores, reinventando-se. Estas peças ficarão agora no acervo, e estarão disponíveis para exposições e editoriais e para estudo de pesquisadores e alunos. Foi um exercício renovador e encantador ao mesmo tempo, retornar as moulagens e a pesquisa de formas foi prazeroso e instigante, espero que outros designers daqui da cidade, se sintam motivados a continuar esta missão de mostrar sempre os tesouros que temos lá no Banco. No segundo dia, ainda sob minha direção seis talentosos designers desfilaram para uma plateia de 500 convidados, suas peças, criadas sempre com um viés sustentável, ora tratando de zero waste, ora trabalhando tecidos e tingimentos orgânicos, ora criando peças com técnicas manuais como crochê, tricô e marcam. Eles são Rafaela Tomazzoni, Carolina Potrich, Ana Casara, Carlos Bacchi e as marcas Upman e Mole Bags. Estamos felizes de poder apresentar a moda feita em Caxias do Sul, enfatizando a importância do produto com uma gestão sustentável e esperamos poder mostrar para mais pessoas, o trabalho carinhoso e primoroso feito aqui.

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HT: O que o inspira ainda e mais?
WR: Sempre gostei de pessoas, carrego várias no coração mesmo não tendo mais o contato diário com elas, amo meu trabalho que é um baita desafio a cada dia. Sempre buscando incentivar as pessoas a valorizarem suas raízes, seu entorno, suas histórias, pois acredito que isto inspira e fortalece a vida.

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