Moda & Beleza

Tudo verde! Marcas apostam na reutilização de materiais e no “feito à mão” para produzir roupas, calçados e acessórios: “O mundo está em transformação”

Karamello, MIG Jeans, Vert Shoes, CRUA Design e Ahimsa apostam no upclycling, na mão de obra consciente e em materiais livres de derivados animais

Publicado em 12/04/2016 | Por Leyda Torquato

MIG Jeans

Foto: Marcius Victoriano | www.migjeans.com.br

Mudança. Esse é o clima que envolve o mundo da moda no momento. Acessórios, roupas e calçados entram nessa onda, sendo produzidos, agora, com materiais reaproveitados, naturais e sem derivados animais. A carioca MIG Jeans é uma das adeptas. A marca surgiu quando Isa Maria Rodrigues, Mayra Sallie e Luana Depp se encontraram no curso técnico de produção de moda e juntaram suas ideias e paixões para um projeto de empreendedorismo de customização, buscando conhecimentos sobre sustentabilidade. A marca reutiliza jeans usados para criar novas peças (exclusivas!) e oferecem desconto através da doação de calças, jaquetas, bolsas, macacão e etc, além de oferecer serviços de customização, aproximando-se do público e passando adiante os ideais de uma moda mais sustentável e de consumo consciente – como o upcycling de jeans e o descarte zero, reaproveitando até mesmo embalagens de envio.

Ganhadora de prêmios pela pegada sustentável, a MIG hoje participa de eventos como o Paraty Eco Festival, Air Max Day (Nike), #soudessas e Babilônia Feira Hype. “Vemos a moda consciente necessária para nosso futuro, o planeta já não é o mesmo e, diferente de nossos pais e avós, vemos as consequências de nossos atos a cada dia. O mundo está passando por uma grande ressignificação de formas de pensar, agir e relacionar e a moda acompanha as tendências do tempo. Agir de forma ética e responsável se tornou uma condição básica”, comentam. As meninas da MIG Jeans também pontuam a mudança do consumidor, que agora buscam marcas que representem seus ideais, atitudes e valores. “Nós entendemos nosso papel e queremos ir além, sempre estudando e aprendendo a fim de um marca mais consciente e humana”.

 

crua d2

Foto: Reprodução Instagram CRUA | www.cruadesign.com

Ressignificar. Esse é o conceito da CRUA Design, marca de acessórios que utiliza a madeira como matéria-prima principal. “O processo e a qualidade são fundamentais, dedica-se tempo e amor à cada peça, de forma que essa seja exclusiva”, define-se a marca, que também considera a troca de conhecimentos um fator importante, estando aberta à parcerias. Criada em Florianópolis pela designer de moda e diretora de arte Germana Lópes, utiliza resíduos de madeira coletados em marcenarias, ateliês e até mesmo na rua que, em vez do lixo, ganham novo destino sendo transformados em peças de design inovador. “Durante a universidade já era envolvida com alguns trabalhos nessa linha e fazia parte dos meus planos ter uma marca própria, trabalhar diretamente com criação, mas nunca idealizei trabalhar especificamente com joias, pensava muito em roupas e móveis. Foi algo que aconteceu, de uma maneira despretensiosa”, comenta Germana. O que a princípio era um hobby, virou profissão e em 2014 a CRUA foi lançada. 

“A quantidade enorme de matéria-prima com a qual eu me deparava a cada visita às marcenarias da cidade e a preocupação em transformar ela em algo útil foi determinante para o surgimento da marca. As joias me permitem aproveitar esses pedaços menores de madeira que iriam ser descartados, dar uma nova vida à eles. O estúdio CRUA Design tem como conceito então a ‘ressignificação’ de materiais – sobras de madeiras nobres, como canela, imbuia e peroba que transformam-se por meio de um processo artesanal em acessórios esculturais. Pintadas à mão, as peças tem uma linguagem minimalista, com pontos de cor e traços geométricos”, explica Germana, que vê no consumidor um forte aliado. “Quando o aproximamos das etapas de criação e produção de um produto, transformamos o ato de consumir. As escolhas tornam-se mais conscientes, e dá-se mais valor ao trabalho e à peça adquirida. Isso agrega também ao nosso processo, temos o consumidor como um co-criador. É importantíssima essa troca”.

 

karamello

Foto: Reprodução Site Karamello | www.lojakaramello.com.br

Nascida e criada em Duque de Caxias, município da baixada fluminense do Rio de Janeiro, Rosilane Jardim criou a Karamello, que possui fábrica enraizada no mesmo local com mais de 100 funcionários e 13 lojas espalhadas pelo Rio. A marca aposta na economia criativa, e não tem dúvidas sobre seu poder de transformação social: “O mundo está em transformação. Novos valores e novos desejos estão sendo refletidos e a moda como um grande canal de exposição do comportamento humano se faz presente nessa mudança”, comenta Rosilane.

A diretora criativa da marca chama atenção para as pessoas envolvidas nos processos de uma roupa, que perdem espaço e reconhecimento em grandes redes de varejo: “A indústria têxtil emprega milhões de pessoas mas também contribui muito para o fortalecimento do aquecimento global. A cultura do fast fashion perde cada vez mais a força e não faz sentindo algum para as pessoas que já entendem todas essas transformações. Incentivar o designer, o feito à mão, o cuidado e carinho que temos ao criar nossas peças e coleções se torna hoje uma necessidade”.

“A Karamello já faz o papel de produzir internamente 75% do que vende, além de ter lojas próximas das suas clientes, eliminando distâncias e aproximando da nossa realidade. Ainda temos a questão do upcycling que transforma peças antigas em novos produtos –  tudo isso está em evidência e já é a realidade da moda”, comenta. “Novos tempos e novos valores já estão definidos. A moda se adapta e se transforma”, finaliza Rosilane.

 

ahimsa

Foto: Reprodução Facebook Ahimsa | www.useahimsa.com

A indústria dos calçados também aposta em produtos feitos de forma mais conscientes. A Ahimsa é uma marca de calçados veganos fundada em 2013 por Gabriel Silva, com produtos sem nenhum material de origem animal e todos fabricados de maneira sustentável, sem danos ao meio ambiente. No site da marca estão todos os empregados da fábrica, como o Ailton, o Bercson e a Valdirene. “Somos uma marca vegana que prioriza o amor. Desde o início escrevemos uma história baseada em nosso compromisso: questionar hábitos e gerar mudanças, sem agredir e com muito respeito. Nascemos para fazer a diferença na vida dos animais, da natureza e de todos nós.”, definem-se.

A transparência da Ahimsa também é mostrada em vídeo no site, no qual aparecem todas as etapas da fabricação de um sapato da marca. “É nossa missão: questionar hábitos, produzir de forma sustentável, inspirar atitudes conscientes, e ter cuidado com toda forma de vida”, listam. “Respeitamos tudo que está vivo, por isso nossos produtos são isentos de insumos animais. Nossas coleções quebram padrões e tornam possível vestir o que se acredita. Cada peça leva para o mundo o resultado de muito empenho e amor, desde a produção, até a casa de quem compartilha do nosso ideal”, conta Gabriel.

Foto: reprodução Instagram Vert Shoes

Foto: reprodução Instagram Vert Shoes | www.vert-shoes.com.br

A Vert Shoes, dos franceses François-Ghislain Morillion e Sébastien Kopp, amigos de infância, começou em 2003, quando os dois viajavam o mundo estudando projetos de sustentabilidade de grandes empresas e, decepcionados, decidiram criar uma marca que respeita o ser humano e a natureza. Inspirados pela Floresta Amazônica, apresentaram no ano seguinte o primeiro tênis, “Volley”, na Semana da Moda de Paris. Em 2006, o sucesso dos modelos rendeu parceria com a estilista francesa Agnès B, com coleção apresentada mais uma vez nas passarelas da Semana de Moda.

Nos anos posteriores, a Vert (verde, em francês) começou a ser comercializada em Londres, nas lojas Selfridges e Topman, participou da exposição coletiva São Paulo Mon Amour, em Paris, que reuniu os artistas paulistas Zezão, Alexandre Orion e Alexandra Sestac, além da colaboração com a Cyclope, loja de bicicletas em Paris. Em 2012, a marca foi premiada pelo jornal inglês The Guardian e pela revista Vogue pelo trabalho com a sustentabilidade, chegando logo depois ao Brasil.”Nossa marca nasceu há 10 anos da vontade de juntar a preocupação estética (tênis minimalistas) e ética (tênis que respeitam a natureza e o ser humano)”, explica François.

Dá pra ser fashion e sustentável ao mesmo tempo, viu?

 

Conheça as peças:

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