Moda & Beleza

Temporada de moda atravessa o oceano e chega a Londres com surpresas capitaneadas pela Burberry. Vem saber tudo!

A grife colocou peças disponíveis para venda logo após o desfile enquanto a Mulberry voltou a atrair atenções com Johnny Coca no comando e bolsas reinventadas. A gente conferiu ainda Alexander McQueen, Topshop Unique e Vivienne Westwood

Publicado em 22/02/2016 | Por Karina Kuperman

Depois de Nova York, a temporada de moda outono-inverno 2017 chegou a Londres. Famosa por revelar nomes como John Galliano, Alexander McQueen e muitos outros, a capital britânica sempre tem surpresas e momentos inovadores. Nessa fashion week, a novidade ficou por conta da Burberry, que, em uma atitude ousada, colocou as peças à venda logo após o desfile. Aliás, o último de coleções masculinas e femininas separadas, já que a marca já anunciou que, a partir de setembro – na temporada de verão –, as novidades para ambos os sexos serão mostradas na mesma passarela e não representarão uma estação específica. Reposicionamento total de uma grife global. E aí? Será que veremos outras grifes aderindo à proposta?

Alexander McQueen
Back to London! Após anos lançando coleções em Paris, a grife comandada por Sarah Burton voltou às origens na semana de moda londrina pela primeira vez após a morte de Alexander McQueen, em 2010. E que retorno! Na passarela, vestidos fluidos cheios de transparências, recortes e decotes que revelavam ombros e colos chamaram atenção enquanto os longos mais pareciam segunda pele. Cheios de bordados em lugares estratégicos e ilustrações, deram a impressão de corpos nus tatuados. Mas nem só de ousadia vive McQueen! O romantismo tomou a passarela através de peças com babados em camadas e rendas. Além disso, casacos pretos pesados foram enfeitados com golas em pele e muitas estampas, que foram desde relógios a borboletas, passando por cavalos, bocas e muito mais! A mesma irreverência também deu lugar a acessórios como cintos envolvendo as coxas e as canelas, correntes e alfinetes de segurança que pareciam furar as modelos e espartilhos estilizados que já são marca registrada de McQueen. Joias antigas adornavam os cabelos das modelos. A mistura do gótico com chique foi pura poesia.

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Burberry
A marca chamou atenção nas redes sociais na manhã dessa segunda-feira. O motivo? Além do desfile incrível, as peças apresentadas puderam ser imediatamente adquiridas pelos fãs da marca no site – antes, as roupas só eram comercializadas seis meses depois da apresentação, como é comum no mercado da moda. Mas a Burberry é acostumada a lançar tendências! Com seus desfiles transmitidos ao vivo, fez a última apresentação no formato tradicional, já que, a partir de setembro de 2016, temporada de verão, a marca não dividirá mais os desfiles entre masculino e feminino. Pois bem, depois de tantas novidades, vamos à coleção: o evento no Kensington Gardens teve show ao vivo de Jake Bugg e, nas passarelas, o mix de texturas chamou atenção dos fashionistas. Sobretudos militares masculinos foram combinados com vestidos cintilantes e cores como vermelho e amarelo. Saias plissadas com textura de tapeçaria e vestidos longos com mangas também foram destaque. Além disso, o estilista Christian Bailey inovou ao usar lurex e fios de metal em vestidos delicados. O python brilhante verde chamou atenção em casacos. Roupas oversized e bordados psicodélicos de cristal e paetês também fizeram parte de uma coleção cheia de vestidos curtos usados com casacões e meias-calças. As bolsas em patchwork também viraram desejo absoluto!

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Topshop Unique
Mais uma grife que apostou nos casacões pesados como protagonistas de um outono-inverno cheio de estilo, a Topshop ousou ao enfeitá-los com aplicações de pele, tecidos estampados e muito oversized! Um dos shows mais esperados da semana de moda de Londres, o desfile Topshop funciona como um ponto de partida para as tendências varejistas nas ruas. “Não se trata de uma coisa ou uma ideia. A moda deve ser o que nós quisermos que ela seja. Deve ser livre. Deve ser nós mesmos usando o que queremos usar”, disse Kate Phelan, o diretor criativo da marca. Pois foi bem assim. A coleção Topshop não teve uma sequência narrativa, já que, por um lado, muitos vestidos rosa choque e e blazers enfeitados com bordados de pedras preciosas chamavam atenção, enquanto de outro, modelos vestindo peças inspiradas no marinho-navy e malhas cinzentas foram destaque. Além disso, os vestidos eram divididos entre os de noite em veludo e organza pura e os de couro em looks que combinavam com grandes casacos de peles artificiais. A beleza ficou por conta de batons rosa nude ou choque e cabelos de penteados afros ou fluidos – do oito ao oitenta, assim como a coleção que não tinha regras e comemorou a individualidade. Tradução da essência Topshop!

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Vivienne Westwood
Depois de tirar o “Red Label” do nome de sua marca, Vivienne surgiu com um desfile colorido e looks andrógenos – parte de seu já conhecido estilo irreverente. Foi inspirada por dois artistas renascentistas, Donatello e El Greco, que Vivienne desenhou seu outono-inverno. Os drapeados fluidos das peças eram clara referência a uma série de esculturas de mármore de Donatello, enquanto as cores ricas de El Greco estavam por trás da paleta que foi dos verdes, terra e cáqui aos azuis profundos, rosas e laranjas. Vivienne Westwood, que sempre usa seus shows como palco para falar sobre causas sociais, não fez diferente nessa temporada e colocou a moda sustentável em pauta desde o convite – quando alertou de que a raça humana pode se extinguir se não transformar a economia em ambientalmente favorável o mais rapidamente possível. E foi isso que ela fez na passarela, levando roupas com cara de brechó ou de fundo de armário e muitas sobreposições – maneiras de reaproveitar peças já utilizadas – ao páreo fashion. Se a política de Vivienne é quase apocalíptica, as roupas, em contrapartida, são superdivertidas, com xadrez e listras combinados com peças em pink, vermelho, laranja e azul. A silhueta do inverno de Vivienne é larga e confortável até mesmo nos vestidos, e, ainda assim, a sensualidade não ficou de lado, já que a estilista abusou das fendas que mostravam as pernas e de rendas elaboradíssimas. Sem um tema único, o desfile inclinou-se para uma coleção que relembrava os maiores sucessos da marca, como as jaquetas soltas que remetiam a um Charlie Chaplin andrógeno, casacos que mais pareciam edredons confortáveis e vestidos de noite com brilhos metálicos, que foram aplaudidos na passarela!

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Mulberry
Depois da saída de Emma Hill como estilista em 2013, a Mulberry passou por um período difícil. Agora, com Johnny Coca – antigo Céline – à frente da criação, parece que a marca vem retomando seu lugar ao sol. O outono-inverno da grife foi estruturado. Com direito a botões, costura exposta, fendas, linhas fortes e babados, a marca se posicionou em meio a muito mistério dentro da Guildhall, a prefeitura imponente do século XV, que fica localizada no distrito financeiro de Londres. A coleção misturou a realeza com o punk rock com capes pesados, casacões de lã cravejados com brilhos, bainhas curtas, peças de couro, vestidos fluidos e calças com pregas. A definição de mistura entre a tradição inglesa e o streetwear atualizado. Se a coleção era “segura” e quase amedrontada, os sapatos, por outro lado, deram o tom de ousadia na passarela, com couro explorado em cores como laranja, amarelo e branco. Correntes finas e botas grossas também marcaram os pés das modelos. As bolsas, forte da casa britânica, passaram por uma reforma “heavy metal” nas mãos de Johnny Coca e surgiram com rebites e correntes, além, é claro, dos formatos diferentes, como as triangulares extragrandes com alças firmes – totalmente inovador.

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