DFB Festival: OcO Club faz do vento terral, símbolo histórico de Fortaleza, o ponto de partida de sua coleção autoral


Na passarela da OcO Club, o vento terral surge como metáfora para falar de deslocamento, pertencimento, memória e transformação. O terral tem importância histórica para a cidade. Pescadores e suas jangadas aproveitam esse vento noturno para sair ao mar, enquanto a brisa marítima do dia facilita o retorno à costa – verdadeira formação da identidade marítima da cidade. Os looks são referências ao litoral de Fortaleza, ao artesanato cearense, com destaque para a renda de bilros, às jangadas, às calçadas da Beira-Mar, às bandeiras e aos símbolos populares que fazem parte da memória visual da cidade. OcO Club contou com a colaboração da artista joalheira Taís Pozzato, e juntas desenvolveram uma série de joias exclusivas que ampliaram a narrativa da coleção

DFB Festival: OcO Club faz do vento terral, símbolo histórico de Fortaleza, o ponto de partida de sua coleção autoral

Fortaleza, capital do Ceará, pulsa a efervescência do tecido social de uma uma cidade que conecta memória, contemporaneidade, pertencimento, inovação, beleza natural, responsabilidade social e compromisso com o desenvolvimento sustentável. Sua identidade se constrói em permanente movimento. E foi a partir dessa inspiração afetiva que nasceu “Terral”, coleção da OcO Club apresentada no DFB Festival 2026. Desenvolvida por João Lobo, diretor criativo, e Lucas Cikada, diretor de produto, a coleção homenageia os 300 anos da capital cearense ao tomar como ponto de partida o fenômeno climático que lhe dá nome: o terral, vento que sopra do continente em direção ao mar, geralmente no período da noite e nas primeiras horas da manhã. O terral tem importância histórica para a cidade. Pescadores e suas jangadas aproveitam esse vento noturno para sair ao mar, enquanto a brisa marítima do dia facilita o retorno à costa – verdadeira formação da identidade marítima da cidade.

Na passarela da OcO Club, o vento terral surge como metáfora para falar de deslocamento, pertencimento, memória e transformação. Ao impulsionar diariamente as jangadas, o fenômeno meteorológico ajudou a consolidar uma cultura marítima que atravessa gerações e permanece inscrita na memória coletiva, na literatura, na música, nas artes visuais e na moda. As jangadas, as velas, o movimento dos tecidos ao vento e a relação entre leveza e resistência constituem signos capazes de traduzir, em linguagem de moda, uma memória coletiva profundamente enraizada na história de Fortaleza.

OcoClub (Foto: Nicolas Gondim)

O vento que inspira a coleção também conduz sua narrativa. O fenômeno surge como metáfora para falar sobre deslocamento, pertencimento, memória e transformação, traduzindo uma Fortaleza onde o urbano encontra o litoral, as artesanias dialogam com o streetwear e passado e presente coexistem em permanente movimento.

Em um ano em que Fortaleza celebra seus 300 anos, levar para a passarela uma coleção inteiramente inspirada na cidade é uma forma de homenagear sua história, sua cultura e as pessoas que fazem parte dela. Mais do que apresentar roupas, buscamos compartilhar uma narrativa sobre pertencimento, memória e território, utilizando a moda como ferramenta para contar histórias e ampliar o olhar sobre o Ceará para além de seus estereótipos – Lucas Cikada

A coleção mergulha no imaginário da capital cearense e encontra na obra de Ednardo — especialmente na canção ‘Terral’, uma de suas principais referências conceituais. A partir daí, a OcO Club construiu uma leitura visual de uma Fortaleza feita de contrastes: mar e sertão, concreto e natureza, tradição e contemporaneidade, calmaria e intensidade.

OcO Club (Foto: Nicolas Gondim)

OcO Club (Foto: Nicolas Gondim)

OcO Club (Foto: Nicolas Gondim)

OcO Club (Foto: Nicolas Gondim)

OcO Club (Foto: Nicolas Gondim)

OcO Club (Foto: Nicolas Gondim)

As dualidades que estruturam a narrativa conceitual da coleção materializam-se de forma contundente na construção do vestuário. Tecidos leves e fluidos coexistem com superfícies de maior densidade estrutural, enquanto silhuetas amplas e alongadas conferem corporeidade ao movimento incessante dos ventos que atravessam Fortaleza. Em contraposição, peças de arquitetura mais rígida evocam o histórico, simbólico e cultural inscrito na formação da cidade.

Ao longo da apresentação, a coleção entrelaça referências que compõem o imaginário afetivo e visual da capital cearense. Jangadas, as calçadas da Beira-Mar, bandeiras, símbolos da cultura popular, a paisagem do litoral urbano e os saberes artesanais do Ceará são ressignificados por meio de uma linguagem contemporânea, capaz de estabelecer um diálogo consistente entre memória e criação. Nesse percurso, o macramê, o crochê e as referências à renda de bilros consolidam-se como elementos recorrentes da narrativa estética, aproximando o streetwear dos repertórios da tradição manual nordestina e reafirmando a artesania como dimensão constitutiva da moda contemporânea.

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

Patchworks, aplicações, estampas desgastadas e superfícies texturizadas evocam as marcas do tempo sobre a cidade, como se as próprias roupas carregassem as camadas de memória acumuladas ao longo de três séculos. Outro eixo importante da coleção reforça uma ideia central de o sertão como parte inseparável da identidade cearense. A coleção utiliza essa referência como elo entre Fortaleza e o interior nordestino. Bordados, ferragens, amarrações e recortes reinterpretam elementos das vestimentas sertanejas dentro de uma estética contemporânea, aproximando a memória popular do streetwear e reafirmando o sertão como parte inseparável da identidade cearense. “Terral” propõe uma moda conectada ao território e às histórias que atravessam o cotidiano do Nordeste, evidenciando as contradições, a diversidade cultural e a força criativa que fazem da capital cearense um espaço de constante reinvenção.

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

A paleta de cores acompanhou esse diálogo com o território. Tons de areia, ferrugem, terracota, bege, azul lavado, preto e verde-oliva remetem às paisagens naturais do Ceará, enquanto azul, amarelo, verde e branco reinterpretam de forma sutil as bandeiras do estado e da cidade. O desfile também contou com uma colaboração especial da artista joalheira Taís Pozzato, criadora da marca Tatxoz.

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

Em parceria com a OcO Club, Taís criou uma série exclusiva de joias inspiradas nos elementos gráficos de “Terral”. Produzidas principalmente em latão, cobre e couro de tilápia proveniente do interior do Ceará, as peças exploram marcas do fogo, superfícies orgânicas e formas irregulares que remetem às rachaduras da terra seca, às raízes da caatinga e ao diálogo permanente entre litoral e sertão. O resultado amplia o universo conceitual da coleção e transforma fragmentos da paisagem, da cultura e da memória cearense em objetos vestíveis que transitam entre o artesanal e o contemporâneo.

Criada em Fortaleza, em setembro de 2023, a OcO Club rapidamente conquistou espaço entre os nomes mais promissores da moda autoral nordestina. Com uma linguagem que aproxima streetwear, alfaiataria leve e referências culturais brasileiras reinterpretadas sob um olhar contemporâneo, a marca constrói coleções nas quais identidade, território e comportamento caminham lado a lado.

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

OcO Club, coleção “Terral” (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

Guiada pelo conceito de que “o vazio é onde surgem as possibilidades”, transforma elementos do cotidiano cearense em peças de design limpo, forte carga simbólica e acabamento premium. Suas narrativas transitam entre o urbano e o afetivo, traduzindo o espírito de Fortaleza por meio da brasilidade, da memória e da experimentação estética.

A OcO Club investe na construção de uma comunidade que aproxima moda, cultura e pertencimento. Com camisetas, shorts e bonés entre seus principais produtos, destaca-se pelas modelagens autorais e pela capacidade de transformar referências locais em peças de alcance nacional. Mais do que desenvolver roupas, a OcO Club representa uma geração de criadores que entende a moda como instrumento de expressão cultural, identidade coletiva e valorização das narrativas do Nordeste e do Brasil.