Moda & Beleza

SPFW N41: Fause Haten faz moda e teatro se unirem, abrindo mão de modelos por marionetes e sugerindo pulo na coxia para renovar o guarda-roupa

Podia ser o Teatro Municipal, mas estávamos no Museu do Ipiranga. Fause Haten optou por fazer fashion show - com música ao vivo e narração - e, numa cajadada só, sugerir, do cerne dos figurinos de sua próxima peça, looks para tomarem as ruas. A nossa opinião, abaixo

Publicado em 24/04/2016 | Por Lucas Rezende

*Com Isabella Passamani

Já avisamos que a primeira crítica de desfiles da 41ª edição da São Paulo Fashion Week não vai ser tão ortodoxa como costuma ser por aqui. Primeiro porque o que vimos nos jardins do Museu do Ipiranga, graças a uma parceria junto do SESC Ipiranga, não foi bem um desfile e, segundo, porque o estilista Fause Haten, o comandante da noite de abertura, não pensou em fazer moda. “Não é moda, mas está à venda e pode ser vestido. Não é teatro, mas pode ser assistido e não é obra, mas pode ser contemplado”, nos disse uma hora antes do start ser dado. É que Fause não enfileirou modelos, mas sim atores que manipulavam marionetes enormes.

Foram 20 looks – 12 masculinos e oito femininos. A trilha sonora ora era a vivo, no piano, com “La Vie En Rose”, ora tinha o próprio Fause narrando, ao fundo, as cenas que aos poucos iam sendo vistas. Batizado Marlene – por causa da atriz alemã Marlene Dietrich -, o fashion show tem justificativa em mais um trabalho do estilista para o teatro. “Todo esse processo faz parte da criação de conteúdo para uma peça que deve estrear no segundo semestre”, explicou. Em outras palavras: dos looks que vimos vai sair o figurino do espetáculo e, na perpendicular, as mesmas peças também estarão à venda e serão usadas pelas ruas das urbes. A menos é o que Fause quer que a gente acate. E, para a sorte de todos, é fácil assinar embaixo.

(Crédito: Fotosite)

(Crédito: Fotosite)

Graças ao mix de estampas e texturas que tomaram conta do espetáculo, junto dos tecidos metalizados e tons em furta cor que se destacaram nas marionetes. O estilista também usou e abusou de tons de rosa e muito brilho, já que, como ele mesmo bem nos disse: “Estamos precisando ver a vida cor de rosa”. Com looks tridimensionais, Fause não fez roupas que, na linguagem popular, são comuns, apesar de ter apresentado vestidos, saias, sobretudo, peças volumosas na medida certa.

Ele manipula até o resultado final como se fossem objetivos e não necessariamente uma peça de roupa. É por isso que o quociente da equação é uma construção de forma nova, voltada para os rumos da modernidade da engrenagem fashion, com uma pitada de juventude que já era hora de acontecer. Mas, apostando nas peças separadas, o aplauso é certo.

(Foto: @SPFW)

(Foto: @SPFW)

Até porque nada mais justo que alinhar figurino de teatro a looks casuais. Não bem diz aquela famosa frase que a vida é uma peça de teatro que não permite ensaios? Fause, para nossa sorte, é daqueles que entrega um roteiro fácil.  “Essa apresentação tem um pouco da ideia de que esses universos, da moda, do teatro, da performance, são todos misturados. Limites entre um e outro não existem”. Cortina fechada por aqui também não. Ouve-se comemorações na coxia. A maior semana de moda da América Latina começou.

(Foto: @SPFW)

(Foto: @SPFW)

Desfilam nesta segunda-feira (25/04):

Lilly Sarti – 17h00
Uma Raquel Davidowicz – 18h00
Amabilis (selecionada no Projeto Top 5) – 19h00
Apartamento 03 – 20h00
Ronaldo Fraga – 21h00

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