Moda & Beleza

SPFW N41 #Day3: Isabela Capeto corre pelo tempo de mãos dadas com Alice e Lenny Niemeyer dá golpe certeiro de espadachim em um oriente primoroso

Maratona ainda teve o misticismo-étnico da Trya, a Gotham City da Ellus 2nd Floor, as noivas de Samuel Cirnansck, a estreia de À La Garçonne e o verão no balneário italiano da Iódice

Publicado em 28/04/2016 | Por Karina Kuperman

Isabela Capeto

Isabela Capeto enfim retornou à São Paulo Fashion Week com uma coleção que transportou o universo vitoriano de Alice Através do Espelho para uma moda slow fashion cheia de atitude 70´s. A assinatura forte da estilista se faz presente em peças super trabalhadas, nas quais o “feito à mão” confere uma exclusividade artesanal tão celebrada nesta era de consumo rápido. “A Alice é um personagem que está sempre correndo através do tempo, sempre ali para conseguir fazer as coisas e eu achei que casava muito com o meu desfile, já que as minhas peças são muito bordadas, muito trabalhadas”, justifica Capeto. O mood gipset se estendeu durante todo o desfile em uma riqueza inesgotável de detalhes – cortes únicos de rendas antigas garimpadas em brechós junto de aplicações e bordados. O perfume lúdico da obra de Lewis Caroll também serviu para compor algumas peças, como o relógio, usado em conjunto com as flores; os corações da rainha de copas, que ocuparam looks totais; e frases icônicas da personagem de Alice pintadas à mão, como “não sou tão delicada quanto pareço”. O styling afiado de Felipe Veloso deu o tom contra-cultura ao show, para uma trilha-sonora divertida que incluiu até Björk. Nada como viajar no imaginário da carioca. (com Marcos Eduardo Altoé)

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Lenny Niemeyer

Paulista radicada no Rio, Lenny Niemeyer conquistou uma platéia disputada com sua coleção inspirada na terra do sol nascente, o Japão. Flertando com o loungewear, Lenny foi além de sua célebre moda praia para apresentar peças que vão muito bem dos beach clubs à festas. Texturas, estampas e amarrações imprimem um ar contemporâneo ao tema desejado pela estilista, em uma desconstrução que não esqueceu a tradição oriental. Os prints e bordados passeiam por elementos ícones da cultura nipônica, como as garças, os tigres, as carpas e a Grande Onda de Kanagawa, obra de Hokusai, aplicadas em uma cartela de cores “que termina com o nude, onde a mulher se desnuda de todas as tradições”, explica. Os maiôs, hits eternos da marca, ganharam releituras bomber, enquanto kimonos e jaquetas bomber em seda, em diferentes comprimentos, fizeram o público presente à sala de desfile suspirar. Destaque para os maiôs com amarrações inspiradas na arte tradicional Shibari, bastante popular no Japão. Ponto para a rainha do beachwear. (com Marcos Eduardo Altoé)

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Iódice

Valdemar Iódice e a estilita Simone Nunes querem que a mulher da Iódice passe o verão num cenário paradisíaco, mas não um qualquer. Pense em um balneário de garbo, elegância e ferveção. Que tal…a costa Malfitana, na Itália? Pois vem de lá a inspiração para a estamparia de boa parte das peças da coleção Verão 2017. A ideia, na real, também era entrar no guarda-roupa de Lee Radziwill e sair de lá pronta para qualquer hora do dia. E….deu certo porque, apesar dos pesares, era tudo muito usável para o casual. A camisetaria de seda alongada tomou as atenções, ao lado das versões oversized – trend, trend, trend da temporada -. Destaque para o jeans, que cumpriu seu papel de antagonista, em formatos amplos. Além do perfume oriental em determinadas amarrações e marcações, a coleção prezou por uma cartela de cores bem a cara da estação – com areia, azul claro, marinho, off e dourado -, mas os queridinhos de HT foram os looks longos, fluidos, ora retos, ora trabalhados com transparências e tiras, que receberam arremate de chapéus e detalhes de bambu. Como já havia adiantado o diretor criativo da grife: “A Iódice definiu as formas de sua coleção trazendo roupas mais fluídas e soltas no corpo, anunciando assim um verão de composições leves e sofisticadas”. Como deve ser a vida. (com Lucas Rezende)

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À La Garçonne

Foi super prazeroso depois de nosso papo na manhã de ontem sobre os novos rumos de sua vida conferir a estreia de À La Garçonne na São Paulo Fashion Week com Alexandre Herchcovitch assinando looks femininos e masculinos para a loja de decoração de Fábio Souza, seu companheiro. A coleção teve um perfume de inovação em fazer uma ponte entre o presente e o passado já que esta é a tônica da marca. Alê imprimiu seu estilo com maestria lançando mão de uma alfaiataria perfeita (como sempre apresentou) em saias e calças com xadrez e peças desconstruídas, vintages, com shapes que vão agradar tanto quem curte a vanguarda da modernidade como quem é adepto do clássico. As roupas conversaram perfeitamente em sintonia com a loja com objetos e móveis dos mais diversos anos e estilos. A sustentabilidade também foi destaque no que foi visto na passarela  e incrível como ele lidou com a questão do vintage e suas possibilidades mil de reutilização em tempos modernos. Amamos os moletons e as jaquetas de couro e militares incríveis com ar 50’s. Alexandre Herchcovitch mostrou sua verve artística (sempre) ao mergulhar nas artes plásticas e pintar camisas e jaquetas com desenhos sensacionais. O estilista garimpou tecidos antigos, roupas usadas de alta qualidade e mergulhou no universo do criar a partir do presente e passado. Em tempo: na primeira fila estavam Tufi Duek e Natalie Klein, dona da NK Store, que amaram a coleção e disponibilizarão nas araras de suas lojas de São Paulo e do Rio uma linha selecionadíssima do que foi desfilado na SPFW. (com Heloisa Tolipan)

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Samuel Cirnansck

Num momento onde estilistas renovaram inspirações já carimbadas no mundo da moda ou fizeram uma verdadeira viagem mental e, para não parecer papo de maluco beleza, imprimiram uma moda super casual a partir de seus devaneios, Samuel Cirnansck não foi para um lado, nem para o outro. Samuel foi…Samuel. Suas famosas noivas voltaram a cruzar a catwalk da São Paulo Fashion Week em um desfile bem superior a último. Destaque para a silhueta de sereia – um primor, uma sensualidade ímpar -, e para os cintos de correntes arrematados com cadeados. Os tecidos nobres, marca registrada do estilista, fizeram companhia ao caimentos fluidos e brocados. Além das flores como elemento de detalhe, Samuel presou por tons nude e foi muito feliz com a paleta rosada. Feito para as noivas se esbaldarem. E ele bem avisou antes do desfile começar: “A atitude vem antes da roupa”. Fica mais latente, a partir dessa leva, uma label mais sensual e conceitual do que outrora. Bem que dizem: quem avisa, amigo é. (com Lucas Rezende)

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Trya

Não importa a estação, seja inverno ou verão, com sazonalidade ou sem, a Trya bebe sempre da mesma fonte: o misticismo. E, nem por isso, vimos o mais do mesmo. É porque, dessa vez, o étnico também esteve presente na catwalk. Ao lado de uma pegada tribal, esse perfume ajudou a justificar estampas gráficas, onde cobras também foram vistas em tons terrosos. Aliás, falando na paleta de cores, multicolorida – com, novamente, a predominância dos terrosos -, ela ajudou a formar uma moda praia alegre e cool. Ah, e desenhos de céus estrelados, alusões ao cosmo e ao deserto – amarrando todo o conceito – também chamaram atenção para um beachwear que não serve só para enquanto o sol está brilhando no céu.  Em uma temporada onde já assistimos de um tudo na questão moda praia, a Trya nos chamou atenção por não prezar pela obviedade. Já que, seus biquínis e maiôs vão do micro ao maxi com direito à bordados de acrílico e espelhos aplicado. Sua praia nunca será a mesma, acredite. (com Lucas Rezende)

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Ellus 2nd Floor

Quem embarcou na última edição do Chilli Beans Fashion Cruise já sabia o que esperar da Ellus 2nd Floor na São Paulo Fashion Week: uma transformação da passarela em Gotham City – como aconteceu no preview em alto mar. E assim foi. Após pular uma temporada, a irmã mais cosmopolita da Ellus voltou com tudo pegando na mão do Batman da série de TV – mas aquela lá da década de 60. Por isso o street style é total, vem com força, chegando com tudo. Moletom dublado, couro, jeans, conjuntinhos e saias skaters são as boas pedidas. Isso sem contar com o novo hit – pode apostar – das garotas cool: uma bolsa funny à la bat girl, no formato da máscara do parceiro de Robin. Vale a pena ter uma. Destaque para os cortes de alfaiataria e para os casacos alongados – o momento sofisticado, à moda Ellus 2nd Florr – do desfile. A coleção, em formato “see now, buy now”, já está à venda em uma pop up store armada no Shopping Iguatemi, em SP. (com Lucas Rezende)

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