Moda & Beleza

Passos de gigante: Depois de conquistar o Brasil com suas joias, fruto da união perfeita entre moda e natureza, Tereza Xavier está internacionalizando sua marca

Suas peças que tomam forma nas mãos de comunidades de mulheres e indígenas em todos os estados do país já estão sendo vendidas em Singapura e Tereza planeja mais: “A internacionalização já era um objetivo, mas preferimos esperar até esse momento certo para manter nossa filosofia de ser uma marca nacional e artesanal”

Publicado em 25/06/2016 | Por Karina Kuperman

Tereza Xavier sempre atendeu clientes do exterior. Pudera: com uma loja há mais de duas décadas localizada no coração de Copacabana, mais precisamente no complexo do Copacabana Palace – que atrai turistas do mundo inteiro durante todas as estações – a joalheira fez seu nome e se tornou uma das mais tradicionais do mercado no país. Agora, ela encara um novo desafio: suas joias, fruto da união entre a moda e os materiais oriundos da natureza – que Tereza já usava quando nem se falava nisso, o que a fez conquistar prêmios como o De Beers, considerado o Oscar da joalheria – estão sendo vendidas do outro lado do mundo – mais precisamente em Singapura. “A dona de uma pop-up store esteve na minha loja, recomendada por uma cliente que mora em Singapura, com a proposta. Ela ia fazer uma pop-up sobre o Brasil, como está acontecendo em vários lugares, e queria mostrar joias que realmente refletissem a cultura brasileira, que fossem criadas aqui”, contou Tereza.

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A pop-up “Vai Brasil” em Singapura vende as joias de Tereza Xavier (Foto: Reprodução/Facebook)

A escolha foi mais do que acertada, afinal, o trabalho de Tereza Xavier é completamente artesanal e toma forma através das mãos de brasileiros de todos os estados. Não havia maneira mais perfeita de representar o Brasil, certo? “Tenho comunidades de mulheres e indígenas trabalhando para as minhas criações em vários lugares do país. Geramos empregos e sempre tivemos a filosofia de ser uma marca nacional. Tudo isso leva tempo para construir”, disse ela, que, por isso, sempre se voltou a marcar sua chancela por aqui. “Não quisemos dar um passo de aumentar quantidade e mudar a filosofia. Isso seria fácil, deixar de fazer à mão, mas nosso trabalho sempre foi muito artesanal e vendíamos tudo. Preferimos construir os laços no Brasil e depois ir para o exterior como uma marca made in Brasil. São as mãos de muitos brasileiros de todos os estados trabalhando. Isso traz um significado importantíssimo para a marca”.

A coleção "Copacabana", uma homenagem ao bairro onde fica a loja de Tereza Xavier, se transformou em febre nos anos 2000 e representa perfeitamente o Brasil (Foto: Reprodução/Facebook)

A coleção “Copacabana”, uma homenagem ao bairro onde fica a loja de Tereza Xavier, se transformou em febre nos anos 2000 e representa perfeitamente o Brasil (Foto: Reprodução/Facebook)

“Todos os anos, nós viemos nos estruturando para, a partir de agora, não perder a característica da peça única e internacionalizar também. Porque, geralmente, a tendência das marcas artesanais – que já são poucas – é mudar a filosofia e não queremos isso. É uma construção, uma parceria com comunidades de mulheres artesãs fundamental para nós. Criamos toda uma estrutura para quando fizermos o movimento de exportação não perdemos a filosofia”, garantiu Tereza, que começou o movimento aos poucos. “Já tem uns três anos que participamos de eventos fora do Brasil e é ótima a expectativa em relação ao mercado internacional. Todas as peças são criações minhas. Então, há um diferencial real, o que já nos coloca em outro patamar. Acreditamos muito, até por que, aqui, no Copacabana Palace, já estamos em contato com gente do mundo todo e sentimos a receptividade das pessoas em relação ao nosso trabalho. Além disso, já viajamos a convite de premiações internacionais, fizemos exposições nos Estados Unidos, França e outros países. Acho que as vendas em Singapura serão bem-sucedidas, porque já temos essa experiência”, declarou.

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E ela tem razão. As vendas na pop-up “Vai Brasil”, da loja Edit Lifestyle, começaram no dia 4 e vão até o dia 31 de agosto. “Já temos visto um resultado bem legal. A loja vende livros, objetos variados, mas tudo feito no Brasil. E, de joias, só tem as minhas peças”, destacou Tereza, que acredita que esse “é o momento certo para a internacionalização”. “Já era um objetivo, mas preferimos esperar até esse momento”, revelou. E por que Singapura, Tereza? “Na verdade a dona da loja veio ao Brasil e me convidou. Já queria atingir outros lugares e ela saiu na frente, porque organizou tudo e incluiu nossas joias. Mas também vamos a alguns países da Europa que ainda estamos definindo. Além disso, tem os Estados Unidos. Estamos vendo que passos daremos”, disse ela, que não pôde estar em Singapura. “Surgiu o convite e eu adoraria ter ido até lá, mas estou focada nas Olimpíadas, no Rio de Janeiro, preparando muitas novidades”, comentou. Apesar disso, os asiáticos podem comemorar: “Tenho o projeto de estar lá no ano que vem e fazer uma pop-up só da joalheria”, adiantou. Certeza de sucesso.

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