Moda & Beleza

No olho do tornado: Gustavo Carvalho celebra com HT a comparação com Pedro Lourenço em seu 1º desfile em NY

Após se consolidar na Casa de Criadores como talento promissor, o designer que adora manter o humor carioca por baixo de verniz blasê solta o verbo com observações argutas e revela que é mais fácil montar desfile lá fora do que lidar com o custo-Brasil

Publicado em 07/09/2014 | Por Alexandre Schnabl

Espécie de enfant terrible da moda em versão Geração Pós-Y, Gustavo Carvalho, 22 anos, está exultante com o seu primeiro desfile na NY Fashion Week, realizado na noite desta sexta-feira (5/9). HT conversou com ele após o desfile e colheu as impressões do designer carioca que, desde quando estudava moda no SENAI/CETIQT, já se imaginava vestindo um oufit estilo Napoleão, disposto a tudo para conquistar o mundo.

Nascido em uma família simples, o estilista poderia perfeitamente entrar para os anais daqueles que sabem aproveitar as oportunidades no melhor estilo american self made man. Após se mudar para São Paulo na virada desta década e trabalhar em um breve período com Reinaldo Lourenço, partiu para a marca própria e não parou mais. Entrou para o line up da Casa de Criadores há duas edições e isso lhe valeu o passaporte para a semana novaiorquina, a partir de olheiros do evento em busca de novos talentos e que o encontraram via mídias sociais. Exultante, o rapaz já tinha um sócio investidor e, por isso, tudo ficou um pouco mais fácil. “Planejei tudo meticulosamente, e já havia checado que um desfile por lá custaria um quinto do custo de um no Brasil”, afirma.

A única coisa com a qual não contava seria o imprevisto de que não conseguiria embarcar diante do atraso dos vistos no Consulado Americano no Brasil. Uma lástima, da qual parece ter superado com fairplay: “Não estava lá ao vivo, mas comandei tudo daqui, com olhos de águia e com as mãos e um manipulador de marionete, daqueles que não deixa um dedo sair do lugar sem que haja um fio se encarregando de pô-lo no lugar certo”. Exagero de controle? Posse? Preciosismo? TOC no estilo Roberto Carlos? Não importa. O que vale é que o desfile deu certo, e neste final de semana os internautas podem conferir as boas opiniões da imprensa e blogueiros internacionais acerca de sua estreia na Big Apple, além dos próprios comentários felizes de Gustavo nas mídias sociais.

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Fotos: Divulgação

A coleção desfilada é a mesma que foi apresentada em junho, na última edição da Casa de Criadores, com algumas inserções novas. “Precisava incluir algumas novas peças, ajustar tudo, a coisa toda amadureceu mais ainda de lá para cá”, completa Gustavo, reiterando que seu olhar é muito dinâmico e ainda enfaitzando que está muito feliz com sua primeira linha de calçados, que também rumou em direção a Manhattan junto com as roupas. Okay, meu bem. Mas, então: o que achou da experiência?

Gustavo enumera os aspectos positivos de sua participação no evento de Nova York: “Fiquei feliz com o resultado e a boa recepção que a coleção teve no evento, mesmo se tratando de um fashion show pequeno, comparado com os pesos pesados que já estão lá há muito tempo, desde a época em que o evento se consolidou em Bryant Park. Mas percebo que, com todas as dificuldades de o Brasil não estar 100% inserido em um processo globalizado da moda, é possível cair com garra. E os custos para por esse evento de pé são bem melhores do que os praticados no nosso país, por incrível que pareça”, comenta o designer, afirmando que conquistou um sonho, mesmo não podendo estar de corpo presente no desfile. “Um acidente de percurso, espero que na próxima consiga dar um jeito”, completa.

Ele prossegue revelando que, apesar de estar aqui e o desfile ser lá, não encontrou tanta dificuldade para levantar a produção: “É impressionante a simplicidade com que é possível resolver algumas questões que, aqui, são tão complexas, uma lenha! No mais, fiquei contente com alguns profissionais do métier lá fora comentando que existe uma similaridade entre mim e Pedro Lourenço, que conheço da época em que trabalhei com seu pai. É que ambos somos brasileiros, lutadores e jovens porque, fora isso, obviamente temos percepções diferentes de moda, Mas nos aproxima o fato de ambos termos uma leitura global de estilo, desenhando peças que não se prendem a um lugar ou época específicos, sem nenhuma amarração regional, mas com pegada universal”.

Vídeo do desfile em NY (Divulgação)

Dado a devaneios conceituais, Gustavo chama sua coleção verão 2015 de “Intrínseco”, e pretende “resgatar o íntimo que nasce dentro de cada um”. Para isso, nesta temporada ele conjugou moda e arte de forma direta, se inspirando na obra do artista plástico Amílcar de Castro. Suas esculturas concebidas a partir dos anos 1960 foram traduzidas em zíperes que desconstroem as peças e em pregas na alfaiataria.

Baladeiro de plantão, mas profissional estoico e dedicado, ele une, nas peças, tanto a proposta de estar de bem com a vida no dia a dia quanto sua paixão pela montação noturna. “Para mim uma moda que possa conciliar esse dois momentos é essencial no mundo moderno”.

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Campanha de verão do estilista (Fotos: Vanessa Diskin / Divulgação) 

Fashion film da coleção “Intrínseco” (Divulgação)

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