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No Minas Trend, Ronaldo Fraga dá pista quente de sua nova coleção e fala da aproximação da moda com o varejo: “Difícil para um estilista autoral”

O estilista mineiro analisou: "Existe o risco de cair qualidade, de cair o elaborado. As pessoas vão repetir, a priori, aquilo que é de produção rápida. Nem tudo que você vai ver no desfile estará à venda"

Publicado em 09/04/2016 | Por Lucas Rezende

O verão 2017 de Ronaldo Fraga que será apresentado daqui duas semanas em São Paulo? Tirando poesia de uma “situação árida por qual o mundo está vivendo”. Em conversa exclusiva com HT nos corredores da 18ª edição do Minas Trend, ele disse que é por essa verve que ele gosta de moda. “Qual a face que ela me pega? Quando eu olho, a partir da moda, para um terreno árido e falo: ‘Tem um fiapo de poesia aí'”. Nessa temporada, Ronaldo não acompanhará o processo de aproximação do varejo que boa parte da indústria da moda está sugerindo. O motivo é simples: “Eu preciso esperar um tempo. As marcas autorais do Brasil, como a minha, reduziram muito o tamanho. Não tem como, no dia seguinte, a roupa estar pronta para vender”. Ele, no entanto, vê o movimento com bons olhos. “Os desfiles, com a democratização da informação, entram direto na casa das pessoas. Então, você faz um desfile, tem uma mídia espontânea maravilhosa, é um sucesso, aí, daí quatro ou cinco meses, quando você vai lançar na loja tem todo o trabalho de fazer a divulgação novamente. Os tempos mudaram”.

Ronaldo Fraga (Foto: Henrique Fonseca)

Ronaldo Fraga (Foto: Henrique Fonseca)

Enquanto estilista, os percalços serão maiores, Ronaldo acredita. “Num primeiro momento é difícil para um estilista autoral. Você tem que ter uma produção muito adiantada, por causa, por exemplo, do desenvolvimento de tecidos. Existe o risco de cair qualidade, de cair o elaborado. As pessoas vão repetir, a priori, aquilo que é de produção rápida. Nem tudo que você vai ver no desfile estará à venda. Tanto é que, lá fora, algumas marcas toparam se adequar e outras não”, justifica. Já como empresário….”É mais fácil, porque a marca x que faz o jeanswear x e o algodão x, já compra fardos daquilo e, por mudar estação ou coleção, é aquele mesmo produto que você vai ter dela. Agora, quem está propondo autoralidade o tempo inteiro, vai se complicar”. É por isso que o estilista mineiro de 48 anos é tácito ao afirmar: “A crise afetou a todos e muito mais com o baixo astral. É como se a esperança estivesse perdendo de 7 a 1 para o desespero. A crise política e de alto astral são as mais complicadas”. Por outro lado, há uma luz no fim do túnel. “Passamos pela crise dos anos 80. As pessoas cortavam leite condensado como supérfluo e a moda passou incólume”, lembra.

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Em tempo: Ronaldo Fraga está de mudança. Sua loja na Savassi, perímetro nobre de Belo Horizonte, será desativada. Agora, ele atenderá na Rua Ceará, no bairro Funcionários. Trata-se de um casarão tombado do ano de 1920. As obras estão sendo realizadas desde setembro do ano passado. O tamanho? “Muito gigante. São mais de 560 metros quadrados”.

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