MINAS TREND: Consultora de imagem e estilo, Silvia Scigliano comenta o poder da moda como comunicação e inovação


Em entrevista sobre sua palestra na 30ª edição do Minas Trend – Maior Salão de Negócios da América Latina, promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Silvia frisa: “O consultor de imagem tem um conteúdo aprofundado que reflete o que há de mais importante na moda, na minha opinião: a moda como ferramenta de comunicação não verbal. Através de serviços que permitem o autoconhecimento, o consultor auxilia o cliente a expressar melhor quem ele é ou o que ele quiser. Desenvolver o estilo pessoal é uma das maiores tendências de comportamento. As marcas têm percebido que estes profissionais podem ser importantes aliados no processo de venda, divulgação e até criação de produtos”

Minas Trend: o Maior Salão de Negócios da América Latina, realizado no Minascentro

“A cor como agente de comunicação é o elemento de maior impacto visual. Quando pensamos em uma embalagem de um produto por exemplo, a cor é o que costuma vir primeiro em nossa mente. A cor comunica, traz mensagens, e jamais deve ser desprezada como forte poder de comunicação não verbal. Por exemplo: tons pastel trazem mais suavidade e calma, já as cores mais vibrantes como o vermelho, aumentam os batimentos cardíacos comprovadamente”. A análise é da consultora de imagem especialista em tendências Silvia Scigliano, convidada do Minas Trend – Maior Salão de Negócios da América Latina -, promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) para uma palestra realizada no P7, primeiro hub de inovação e economia criativa do país, em Belo Horizonte, com o tema “Inovação na moda por meio da consultoria de imagem“.

Coautora do livro “À sua moda“, Sílvia fala sobre como e a razão de haver elaborado o projeto, que também está disponível na forma digital, em inglês e espanhol: “Foi um filho que nasceu na pandemia e só nos trouxe gratas surpresas. Eu e minhas colegas Rachel Jordan, Aysha Correa e Luciana Ulrich fundamos o 4 Talks e dávamos cursos de consultoria pelo Brasil. Sentíamos muita falta de uma bibliografia nacional, não existia quase nada. O livro traz conceitos da consultoria de imagem clássica, mas atualizada para os tempos de hoje. A publicação já esta na 3ª edição”. Sílvia também diz que o projeto recebeu uma continuação recém lançada, o ‘”À Sua Moda 2: Conversas com Profissionais da Consultoria de Imagem’ , sobre os diversos nichos de mercado da profissão.

E como as cores podem ser agentes da nossa comunicação? “A cor é o elemento de maior impacto visual. Quando pensamos em uma embalagem de um produto por exemplo, a cor é o que costuma vir primeiro em nossa mente. A cor comunica, traz mensagens, e jamais deve ser desprezada como forte poder de comunicação não verbal. Por exemplo: tons pastel trazem mais suavidade e calma, já as cores mais vibrantes, como o vermelho, aumentam os batimentos cardíacos comprovadamente”, pontua.

Prossegue dizendo que “o consultor de imagem tem um conteúdo aprofundado que reflete o que há de mais importante na moda, na minha opinião: a moda como ferramenta de comunicação não verbal. Através de serviços que permitem o autoconhecimento, o consultor auxilia o cliente a expressar melhor quem ele é ou o que ele quiser. Desenvolver o estilo pessoal é uma das maiores tendências de comportamento da década, como vimos no último relatório de tendências de cores da Pantone para a Nova York Fashion Week (NYFW). Também em desfiles da Ralph Lauren que ‘celebrou a liberdade do estilo pessoal, refletindo a individualidade de uma mulher que é atemporal e moderna, audaciosa e romântica, sofisticada e vibrante – sempre fundamentada na sua autenticidade’. Através da minha formação e experiência como pesquisadora de tendências e cool hunter, estou sempre atenta às inovações”.

As marcas têm percebido que os consultores de imagem podem ser importantes aliados no processo de venda, divulgação e até criação de produtos – Silvia Scigliano

Silvia ministra palestras de Norte a Sul do país: “O que me ajudou muito no início foi o networking proporcionado pela AICI (Associação Internacional dos Consultores de Imagem) e depois foi muita indicação mesmo. Faço palestras, como essa no Minas Trends, para o Sebrae, Goiás Fashion Week, FAAP, IED, etc; cursos de Consultoria de Imagem em Curitiba, São Paulo, Rio, além de curso de Coolhunting na FAAP, em São Paulo, e em várias cidades”.

Sobre os estudos a respeito da paleta de cores para o estilo de cada pessoa, Silvia conta que tudo teve início com Johannes Itten, (1888-1967), na Bauhaus School nos anos 1920. Ele desenvolveu o disco de cores, que ainda hoje permite descobrir combinações harmoniosas entre elas. “Nos anos 1970 foi publicado o livro “Color me Beautiful”, com o conceito de estações. Basicamente é o estudo de como as características das cores – temperatura – quente/fria; profundidade (escura/clara) e intensidade (opaca/viva) – refletem na pele de cada um e valorizam o seu sub tom. Isso não significa que a pessoa só pode usar as cores da sua cartela, mas, sem dúvida, aquelas irão harmonizar melhor com sua beleza natural”, acrescenta Sílvia.

IMAGEM PESSOAL

No currículo com um certificado do Fashion Institute of Technology (FIT), Silvia é referência no mercado por sua visão global vinda da experiência em vários setores da moda. Em Nova York, criou o NY Fashion Tour e o The Trends Club. Ela nos conta que a “consultoria de imagem é uma profissão relativamente nova, começou nos anos 1990 e vem se modernizando desde então, principalmente no Brasil, onde desabrochou nos últimos 10 anos. Por sermos um país jovem, criativo e vaidoso, ela cresceu rapidamente e vem inovando mais do que o resto do mundo”.

Antigamente, a indústria da moda não apreciava muito os consultores de imagem, pois achava que eles iriam colocar as clientes sempre dentro de caixinhas cheias de regras e atrapalhar as vendas do varejo – Sílvia Scigliano

Sílvia Scigliano: “A cor é comunicação não verbal” (Foto: Arquivo Pessoal)

Pedi para Sílvia comentar sobre as inspirações para o Outono-Inverno 24 que conferimos nesta edição do Minas Trend. “Entre as cores observamos o azul, vinho, vermelho, lilás, prata. Com relação às neutras, o bege, branco, preto, dentre outras. Vimos a utilização de materiais ultra transparentes e fluidos, o jeans, o verniz, o metalizado e muitas franjas. Nas modelagens, uma temporada muita rica! Corset, terno branco, calça Capri, dropped shoulder, assimetria, um ombro só, trench coat, volume no quadril, balonê, peplum e saia para homens, por exemplo. Entre os elementos que continuam, estão os recortes, tops, blazer/ alfaiataria, rosas e flores 3D. Junto aos acessórios, nada de muito novo. Diria que as pulseiras grandes, brincos desiguais, sapatos – como mules, sandálias com meia, salto médio e flats. Bolsas brancas, metalizadas, bolsas com cara de pulseira – uma novidade interessante. Cintos de todos os tipos, óculos menores”, enumera.

Quando perguntada sobre o que tem observado nas mulheres e nos homens quanto às compras assertivas, Silvia comenta: “Homens são mais práticos, racionais e decididos na hora de comprar. Concentram-se mais nos estilos clássicos, tradicionais, casuais, pois em geral são mais básicos e atemporais, ainda que isso não seja uma regra. O que mais me chamou a atenção em Nova York nessa temporada foram os homens de saia. Eles devem focar mais nas tendências mais atemporais, porém é natural quererem ter algo novo, afinal todos nós gostamos de mostrar que estamos informados do tal “espírito do tempo” (zeitgeist). Sempre tem algo que muda ao longo do tempo, como a gravata que fica mais fina, a calça de cintura mais alta, a camisa mais slim ou justa ao corpo, por exemplo”.

“Já as mulheres”, prossegue ela, “são mais emocionais e mais ligadas às tendências. Todos os estilos são possíveis, mas concentram-se mais no romântico, sensual, dramático, casual. Cabe ao consultor auxiliar a realizar boas compras de acordo com a necessidade e estilo de cada indivíduo. A única coisa que posso dizer que não curtem hoje em dia, é usar algo que não esteja confortável, em todos os sentidos da palavra conforto!”

Ainda sobre a temática feminina, Sílvia analisa o uso da lingerie como ferramenta de autoestima e como easy wear: “Lingerie é a base da roupa. É algo muito importante e poucos dão valor. A lingerie certa melhora a postura, faz a roupa cair melhor, e sem dúvida, traz maior autoestima. Como diz a Marcia [Crivorot], minha sócia, ‘se você resolve o problema de tamanho de sutiã errado de uma cliente por exemplo, ela nunca mais te esquece'”.

O público que mais procura ajuda de consultoria de imagem é, na verdade, amplo, de acordo com Scigliano: “Tem de tudo e pra todos, para falar a verdade, mas em geral são pessoas que estejam passando por algum período de transformação pessoal, profissional, vivendo uma mudança interna e precisam de ajuda… e queiram melhorar sua imagem”.

A geração Z, segundo Sílvia, observa a moda de forma muito consciente. “A geração Z é uma grande promessa no que diz respeito à sustentabilidade, consumo consciente, inclusão, representatividade. Nasceu com uma forte responsabilidade ética, social e ecológica. Exige esses propósitos das empresas, porque querem mudar o mundo. Porém, no pós-pandemia essas forças enfraqueceram um pouco e surgiu o ultra fast fashion, mas eu acredito que ele perderá a relevância no longo prazo. Veremos”, frisa.

VERSATILIDADE

Pedimos para Scigliano que, em linhas gerais, falasse-nos sobre dicas básicas para a montagem de um armário cápsula: “Para um voltado ao trabalho eu sugeriria: 1 parte de baixo pra 4 de cima. 1 jaqueta ou blazer. 1 cardigan. 1 vestido. 1 sapato e 1 bolsa”, mas ressalta: “Depende muito, caso a caso. O ideal é que isso seja feito por um consultor de imagem levando em conta a necessidade e estilo de cada um. Caso contrário, pode aprisionar mais do que ajudar”. Outro ponto sobre o qual discorre é o minimalismo. Desde a pandemia, há uma tendência voltada a ele. O minimalismo veio para ficar ou a euforia pós-pandemia que tomou conta do mundo propiciou um flashback do consumir? “Vemos os dois movimentos hoje: dopamina fashion, brilho, exageros…  e o “quiet luxury” ao mesmo tempo. Afinal, não existe apenas uma tendência de comportamento igual pra todos, depende muito de cada região, país, público e etc. Muitas vezes, a tendência e a contratendência andam juntas. Conceito que ensino nos cursos”.

Sobre a trend do second hand, Sílvia diz aprovar in totum: “Adoro! Percebi a grande virada de chave quando conheci a The Real Real, em Nova York. Uma nova era dos brechós. Não era mais roupa para quem não tinha como comprar uma nova, com cheiro de coisa usada, e sim, um local de novas descobertas, achados, garimpos, algo muito cool! A geração Z viu nessa possibilidade como encontrar algo único, de melhor qualidade e preço mais acessível. É ainda circular e sustentável. Bombou! Alguns dizem que está acelerando mais ainda o consumo, vamos ver”.

Sobre a criação do The Trends Club e fazer parte dele, relata que “foi criado no início da pandemia, depois da ideia que a Márcia teve, pois participava de várias memberships nos Estados Unidos que a ajudaram muito. Entendemos que naquele momento tínhamos algo único a oferecer: informações sobre tendências de moda direto da fonte pra quem precisava, mas não podia viajar pra fora naquele momento. A Marcia [Crivorot], observando muito a moda de rua e vitrines de Nova York e eu, no Brasil, percebemos a demanda. Tivemos mais de 100 inscritos na largada e o clube de assinatura foi agregando cada vez mais conteúdo e formando uma comunidade de troca ao redor do Brasil e do mundo maravilhosa”.

NEW YORK, NEW YORK

Sílvia tem uma íntima ligação com Nova York. “Morei nos Estados Unidos de 2006 a 2011 por causa do trabalho do meu ex-marido. Lá tive meu filho, Gabriel. Estudei no FIT onde me certifiquei em consultoria de imagem e pesquisa de tendências. Trabalhei com atacado, varejo, participei de diversas feiras. Atuei como consultora de imagem e recebia grupos do Brasil para pesquisa de tendências. Mas, onde eu mais aprendi vivendo em Manhattan, foi andando nas ruas, observando e convivendo com as pessoas. A diversidade, a criatividade, a inovação estão presentes em tudo. Foi uma oportunidade única na minha vida que mudou a maneira de olhar e pensar sobre moda, trabalho e sobre a vida! Diria que sempre gostei de Nova York, mas minha paixão pela cidade despertou depois que morei lá, pois hoje consigo enxergar o bem que ela me fez profissionalmente e pessoalmente. Como diz a música New York, New York de Frank Sinatra (1915-1998): “If I can make it there, I’ll make it anywhere” (se eu consegui me fazer lá, eu conseguirei em qualquer lugar). De fato, viver em Manhattan não é nada glamuroso como mostram os filmes. A realidade da vida lá é dura e difícil, devido ao frio do inverno e das pessoas, o transporte, os aluguéis caríssimos e a concorrência no trabalho, principalmente na área da moda. Por isso tudo, ela te deixa mais forte e preparada. É isso que sinto hoje”.

Nova York me inspira demais, e para mim é o melhor lugar do mundo para pesquisar tendências, varejo, inovação… Tenho a sorte de poder voltar todo ano e voltar para minha casa borbulhando de ideias. Essa sensação que procuramos passar no NY Fashion Tour – Sílvia Scigliano

 

Silvia Scigliano tem uma forte ligação com Nova York (Foto: Arquivo Pessoal)

 

Silvia e sua sócia, Marcia Crivorot, têm um projeto incrível de imersão em NY: o Fashion Tour (NYFT). “Criamos do zero. O NYFT começou com as pessoas me pedido indicação de um curso em NY depois que voltei para o Brasil, em 2011. Como cool hunter, estou sempre de antenas ligadas e ouvindo as pessoas. Esse curso que queriam não existia, então resolvemos criar. A vontade principal é de passar essa experiência de estudar e trabalhar com moda em NY, como uma local. Então damos aulas de assuntos que entendemos que NY tem de melhor pra ensinar como: tendências, personal shopping, marcas que estão despontando, história do NYFW, etc. Depois fazemos um trabalho de rua de pesquisa, visita a lojas conceitos, museus… e a cereja do bolo que é o único curso que oferece uma participação no backstage da NYFW. Fazemos isso desde 2008 e acredito que seja uma das maiores emoções que uma pessoa que gosta de moda possa viver. Já estivemos lado a lado de Carolina Herrera, Jeremy Scott, jornalistas importantes como Ana Wintour e Vanessa Friedman. Observar renomados profissionais da moda em ação, ver as roupas, tecidos, acessórios de perto, conhecer gente, e sentir aquela emoção de um desfile que reflete todo um trabalho de uma marca de renome durante 6 meses… não tem igual”.

Revela ainda que conseguiu oferecer essa experiência “devido nossa bagagem de 15 anos de networking e reputação no mercado. Entramos lá fazendo um trabalho voluntário, como se fosse um estágio, e existem diversas regras a serem respeitadas como dresscode, uso de celular, fotos proibidas, o que deixa a experiência ainda mais intensa e séria”. Já quanto ao perfil, “ele vai desde jovens alunos de faculdade de moda que desejam ampliar seu conhecimento, consultores de imagem e influenciadores que queiram ter maior repertório, donos de marcas, lojistas ou estilistas que precisam aprender pesquisar tendências, até amantes da moda e curiosos”.

Os feedbacks, em consonância com Scigliano, “são os melhores, tipo vida antes e depois. Um curso que amplia e muitas vezes muda o olhar para a moda e pra vida. Muitas alunas já choraram de emoção! Mas também ouvimos muito que o curso é cansativo, sim, a vida em NY é isso! Andamos de metrô e vivemos por cinco dias intensos como profissionais locais. E se conseguirem fazer lá, conseguirão em qualquer lugar.. como na música, essa é a força que NY traz nas pessoas!”, compara. Sílvia propicia um mergulho no universo da moda e explica como as pessoas que participam do tour experienciam o NY Fashion Week, os desfiles e o processo junto às marcas: “Entramos no backstage como “dressers” (responsáveis por vestir a roupa nas modelos antes de desfiles), para 2 ou 3 desfiles de renome como Lacoste, Desigual, Jeremy Scott, Carolina Herrera, Kate Spade, Tibi, Jason Wu, etc… Além disso, sempre conseguimos assistir um desfile pelo menos, mas não colocamos no programa do curso, pois recebemos os convites apenas uma semana antes da NYFW, e só aí temos a certeza que conseguiremos colocar todo nosso grupo dentro do desfile. Isso é difícil conseguir, pois os espaços são pequenos, e a prioridade é para imprensa e compradores. Oferecemos isso como um bônus do curso”.

Como democratizar esta consultoria para um grande público de classes sociais diversas? “Muito importante essa questão. Ontem mesmo dei um treinamento para a AICI, através do comitê da diversidade do qual faço parte desde sua criação em 2020, quando me tornei presidente da associação no Brasil. Naquele momento senti que poderia e deveria fazer algo para trazer mais diversidade para profissão. Sempre falei sobre esse tema em meus cursos pois é uma tendência de comportamento das mais importantes. Aliás, é uma das que mais me emociono falando. O intuito do treinamento foi sobre a importância das vagas sociais: da demanda social até a prática, como o processo de implementação das vagas sociais na AICI Brasil, dividindo a nossa experiência com mais pessoas, para que essa ação se multiplique. Hoje o Brasil se considera majoritariamente negro ou pardo, segundo o último IBGE. Se a nossa profissão não reflete isso, tem algo de errado. Precisamos nos conscientizar e agir. Eu acredito que ela só será uma profissão de verdade quando sair da bolha, e for feita de todos para todos. As vagas sociais sozinhas não resolvem, mas ajudam dentro de um conjunto de ações. O Comitê da Diversidade da AICI tem feito um belo trabalho nesse sentido e foi premiado na última conferência global da AICI em Punta Cana. Mas isso é uma semente que precisa ser plantada e regada sempre por todos”.

E, Silvia, qual o seu maior sonho? “Continuar sendo feliz como sou no meu trabalho, realizando o sonho de muita gente, tocando a vida das pessoas para a melhor, compartilhando minhas vivências, experiências e conhecimentos para que tenhamos uma profissão cada vez mais sólida, séria e diversa. Que os novos profissionais tenham ética no mercado, respeito por quem veio antes e empatia com todos. Além disso, tenho planos de viver e trabalhar ainda em outros países, conhecendo gente e aprendendo novas línguas”.