Moda & Beleza

Exclusivo! Estrela do nosso editorial “Color Crash”, Mahany Pery tem 17 anos e uma carreira meteórica. Vem saber!

A modelo com menos de um ano de carreira já é considerada uma das mais promissoras da nova geração e fala sobre maturidade, personalidade e preconceito no mundo da moda: “Não vejo muitas negras em desfiles. É uma em dez. Sei que tive sorte”

Publicado em 01/12/2015 | Por Karina Kuperman

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Preste atenção nela: Mahany Pery tem apenas 17 anos e do alto de seus 1,77m já acumula editoriais, desfiles e muitos, muitos elogios. Ela, aliás, é a estrela que encheu de brilho o nosso editorial Color Crash, que mistura estampas, cores e alto astral, já viram? Com uma carreira de menos de um ano e muita atitude, enfrentou duas temporadas de moda em São Paulo, raspou a cabeça e conquistou o título de uma das modelos mais promissoras da nova geração pela “Vogue” americana. É pouco? Ela ainda pode ser vista, todos os dias, na abertura de “Totalmente Demais”, novela das 19h, e se prepara para uma carreira internacional bombada. Tudo isso… fruto de muito talento, dedicação e trabalho intenso.

Mahany, que nunca havia pensado em ser modelo, hoje integra duas agências grandes. “A moda chegou do nada na minha vida. Quando fiz 16 anos, minha mãe me deu um book de presente, aí eu comecei a olhar mais atentamente esse universo, mas não levava muito a sério. Não ligava muito, não sabia nem o que era Chanel. Um dia meu pai viu na televisão a história de uma modelo que mora no lixão e foi encontrada pelo Moisés Karran. Nisso, minha mãe descobriu o telefone da mulher dele e enviou fotos minhas e ela mandou me levar lá para fazer o curso da School Models. Comecei, mas não tinha dinheiro para pagar”, contou ela, que, graças à confiança de Moisés, que ela considera como um pai, persistiu na ideia. “Ele me levou para São Paulo para fazer castings de duas agências. Fiz e não passei em nenhuma. Voltei para o Rio de Janeiro e passei na 40 Graus, do Sergio Mattos. Entrei na agência em uma quinta e domingo já estava fazendo desfile em Ipanema e editoriais. A partir daí, não parei”, relembrou.

Para as passarelas e a recente indicação da Vogue americana foi um pulo. “Fiquei bem surpresa com esse título da revista. Na minha primeira temporada de moda, eu desfilei muito e nessa bem menos, porque minhas medidas aumentaram. Só que os que eu fiz foram incríveis. Fui convocada pela Osklen, Ellus, marcas fortes no mercado. Não pensei que fosse ser apontada, porque em época de fashion week, as mais destacadas nas passarelas chamam atenção. Do nada me mostraram o site e eu estava lá ao lado da Ari Westphal e Barbara Valente. Não conheço ninguém na revista e é um pessoal de lá de fora, com outro olhar. Foi muito emocionante. Muda a minha imagem no mercado também”, explicou.

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E que imagem! Com um rosto de traços marcantes, Mahany chama atenção por onde passa. Ela acredita que um dos diferenciais de seu perfil é o desapego com os cabelos. “Tem que ter personalidade para raspar, porque o rosto vira tudo que tem. Quando eu tinha cabelo já gostava de prender todo para deixar o rosto em evidência. Eu tinha cabelão, aí cortei. Depois a agência mandou parar de passar química, mas fiquei desesperada, porque eu alisava e sabia que não ia aguentar. Aí cortei na raiz. Nisso, eu vi fotos de negras carecas, só que fiquei na dúvida se ia ficar bom. Minha mãe não queria deixar de jeito nenhum, mas meu namorado me deu muita força e eu raspei. Quando cheguei em casa a família adorou”, contou ela, que credita a personalidade ao salto na carreira. “Falo muito de atitude. Só conheço uma negra careca no Rio e quando eu comecei a modelar ouvia muito que sentiam falta de negras com personalidade forte”, analisou ela, que nunca sentiu preconceito racial no meio da moda. “Mas sei que tive sorte. Não vejo muitas negras em desfiles. É uma em dez. Nunca me olharam de jeito diferente nem nada, mas eu não presto muita atenção também. Só guardo o que soma na minha vida”, garantiu.

mahany8Brincalhona, a meninice dos 17 anos quase some quando Mahany fala de trabalho. Do tipo que sabe o valor do dinheiro que ganha, ajuda nas despesas de casa e tem um grande sonho: dar uma casa e um carro para sua mãe. “Ela vendeu o carro quando comecei a modelar e sente muita falta, porque nossa família é muito grande. Para sair todo mundo junto é difícil, somos cinco irmãos”, contou. Primogênita, a maturidade vem do cuidado que tem com os mais novos. “Aos oito anos, eu ficava sozinha em casa com eles e, quando comecei a trabalhar, não tinha a minha mãe para me acompanhar sempre. Tenho muitas responsabilidades. Outro dia meus primos dormiram lá em casa e estavam se divertindo enquanto eu calculava o que tinha que fazer com meu dinheiro. Eu pensei: ‘Que saudade de não me preocupar’”, disse.

Além disso, Mahany já é referência para outras meninas, o que considera uma honra e também divertido. “Acho muito engraçado isso. Fizeram uma fã clube para mim e eu descobri que é uma new face da 40 graus. Às vezes, ela me manda mensagem e eu respondo, digo que se precisar de qualquer coisa pode falar comigo”, contou ela, que, em carreira crescente, não tem medo de perder espaço. “Se não tiver maturidade, cabeça e personalidade, vem outra pessoa e faz. Mas sei que o que é meu ninguém tira. A gente já vem no mundo com destino feito e eu tenho muita fé”, declarou.

Pouco consumista, só perde a mão quando o assunto é casa. “Quase não compro roupas para mim, mas quando vejo objetos de casa para trocar eu quero na hora”, disse a modelo, que define seu estilo como “gótica-chique”. “Roupa eu só uso preto quase. É por que casting é assim, larguinho, preto. Mas tem looks que eu experimento. Por exemplo: nunca pensei em usar vestido com calça na vida e hoje é o que mais uso. Brinco que sou gótica-chique, porque ando toda de preto, só que arrumada”, explicou.

mahany5A carreira em ascensão também já possibilitou a realização de muitos sonhos. “Um dos objetivos de vida era ter meu trabalho reconhecido e hoje isso já acontece. Além disso, fiz a minha primeira revista como noiva. Nunca pensei, porque geralmente escolhem louras de olhos claros. Foi em maio, na época do aniversário da minha mãe, isso me deixou muito feliz. Outro trabalho foi um editorial de setembro, quando as revistas são enormes. Foram 48 páginas, eu e mais quatro meninas. Ficou lindo demais”, afirmou. A mãe, aliás, é seu porto seguro e melhor amiga. “Ela guarda tudo que publicam sobre mim. Esse mundo da moda é muito pequeno e acaba que todo mundo se conhece. Quando eu chego em algum lugar sem ela já perguntam, porque minha mãe está sempre comigo”, contou.

Se escolher entre fotografar e desfilar é missão quase impossível, o que mais gosta na profissão é fácil: “O backstage! Adoro o momento de conversar, conhecer as pessoas, saber o que vou fazer. Mas desfile e editorial não sei dizer. Já perguntou para uma atriz se prefere teatro ou novela? É parecido. A novela se grava dois meses antes e até repercutir demora, o teatro, quando acaba, o ator já sabe mais ou menos. Comigo é igual. Na passarela, em cinco minutos já temos retorno. As fotos demoram mais. A diferença é de repercussão”, explicou.

Para o futuro, ela já tem grandes planos: “Vou para Nova York. Ainda não está fechado com agência, mas já tenho certeza que vou. Quero ir para a semana de moda para me conhecerem, depois fazer campanha e ir ficando”, revelou. Menina que sonha alto. E voa! E a gente aposta todas as nossas fichas nela.

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