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Em sua coluna semanal no site HT, a dermatologista Mônica Azulay fala sobre as doenças de pele que podem se agravar de acordo com a dieta adotada

Em papo com a jornalista Marcia Disitzer, nossa colaboradora aborda os aspectos envolvidos em três dessas doenças: Síndrome Látex Fruta, Fish Odor Syndrome e acne

Publicado em 28/02/2017 | Por Junior de Paula

*Por Marcia Disitzer

Que a alimentação reflete diretamente na saúde, todo mundo sabe. O que muita gente não conhece são doenças de pele que podem se agravar ou melhorar de acordo com a dieta adotada. Na sua coluna do site HT, a dermatologista Mônica Azulay fala sobre três delas: Síndrome Látex Fruta, Fish Odor Syndrome e acne.

MD: Mônica, o que vem a ser a Síndrome Látex Fruta?
Mônica Azulay: A alergia ao látex tornou-se, na atualidade, um grande problema. Dois a 5% dos profissionais da saúde são alérgicos ao látex. Como agravante, ocorre reação cruzada entre os antígenos do látex e de certos alimentos, especialmente frutas, como banana, abacate, papaia, kiwi, castanha e tomate. Trinta a 50% dos indivíduos alérgicos ao látex apresentam hipersensibilidade a derivados de plantas e alimentos, principalmente frutas frescas.

MD: Como ocorrem as reações alérgicas ao látex?
Mônica Azulay: Os pacientes podem apresentar manifestações como rinite, urticária, angioedema e até mesmo choque anafilático. As reações alérgicas podem se expressar com alergia de contato a luvas e roupas de borracha, preservativos (camisinhas) e alergia de contato a materiais utilizados em tratamentos dentários, em consultórios odontológicos.

MD: Qual é a frequência de hipersensibilidade a alimentos em pacientes alérgicos a látex?
Mônica Azulay: É expressiva. A preocupação é crescente e, pela sua gravidade, envolve várias especialidades médicas. Muitos casos permanecem ignorados ou atribuídos a outras causas. O tratamento mais eficaz é a prevenção destes tipos de reações alérgicas.

MD: E a Fish Odor Syndrome, como se manifesta?
Mônica Azulay: A trimetilamina é um composto orgânico encontrado em animais, especialmente peixes marinhos e frutos do mar, que confere a estes um odor peculiar. Os pacientes com esta afecção apresentam hálito e odor corporal fortes (peixe podre), como resultado da excreção anormal dessa substância na saliva, no suor, na urina e na secreção vaginal.

MD: O que causa essa síndrome?
Mônica Azulay: É decorrente de um defeito genético que dificulta a capacidade do organismo de um indivíduo de transformar essa substância em compostos inodoros. Essa desordem se torna aparente quando os pacientes que têm a deficiência da enzima específica ingerem alimentos contendo grandes quantidades de colina e carnitina.

MD: E qual deve ser o tratamento?
Mônica Azulay: Deve ser adotada uma dieta restritiva visando descontinuar a ingestão de precursores dessa substância, eliminando alimentos como, por exemplo, ovos, peixes de água salgada, amendoins, soja, feijão, nozes, chocolate, cereais, passas etc. É fundamental procurar o dermatologista para uma melhor orientação.

MD: Mônica, determinados alimentos podem de fato agravar a acne?
Mônica Azulay: A acne é a doença mais comum da adolescência, de 75% a 95% dos adolescentes vão desenvolvê-la. Há mais de cinco décadas vêm sendo publicados estudos que relacionam a dieta à acne. Observa-se também que nas sociedades orientais a acne é rara e isso é atribuído, em parte, à alimentação. Apesar dos fatores genéticos, dados recentes indicam que a doença aumenta com a adoção do estilo alimentar ocidentalizado.

MD: De que maneira isso acontece?
Mônica Azulay: A ingestão de alimentos de alto índice glicêmico eleva a quantidade de insulina no sangue que, por sua vez, aumenta a proliferação dos queratinócitos (células da pele) e também a produção de sebo, que já está comumente aumentada na puberdade por questões hormonais. Dessa forma, cria-se o meio adequado para a proliferação da bactéria envolvida na acne. Está então estabelecida a gênese da doença. Nas áreas em que as glândulas sebáceas estão mais desenvolvidas, face, região peitoral e costas, a acne tem a sua maior expressão.

MD: Então, o paciente com acne deve deixar de comer alimentos de alto índice glicêmico como chocolate, por exemplo?
Mônica Azulay: Necessariamente não. Uma pequena quantidade não é relevante, mas quem come chocolate em excesso e tem a genética para acne pode observar sim a piora do quadro nessa situação. Estudos recentes, bem desenhados e conduzidos com excelência por nutricionistas e nutrólogos, confirmam a relação entre a acne e o chocolate. Então, não precisa cortar, mas sim moderar a ingestão.

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Mônica Azulay é considerada uma profissional completa. Ela se formou na UFRJ, seu mestrado foi sobre sarcoma de Kaposi em pacientes com Aids, doença que estuda desde a década de 80, e na tese de doutorado, em 2003, ela se debruçou sobre um assunto pouco abordado naquela época: a atuação da vitamina C tópica no fotoenvelhecimento. Com anos dedicados à dermatologia, Mônica é uma referência na área e atende em sua clínica na Barra da Tijuca e em seu consultório do Leblon.

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